Será que precisamos conhecer o mundo inteiro para dizer que viajamos muito?
Talvez não.
Talvez viajar não seja uma competição para saber quem conheceu mais cidades, mais países ou acumulou mais carimbos no passaporte.
Talvez viajar seja, acima de tudo, encontrar lugares que tenham alguma coisa a ver com quem somos, com aquilo que gostamos e até com aquilo que estamos vivendo naquele momento.
Há quem procure grandes cidades, museus, história e cultura. Outros preferem natureza, montanhas, praias, gastronomia ou aventura. Há quem queira movimento e vida noturna e quem esteja procurando justamente o contrário: silêncio, tranquilidade e alguns dias para esquecer o relógio.
Há quem viaje para comemorar um aniversário, um casamento, uma lua de mel ou simplesmente para celebrar a vida.
E há também quem viaje sem uma grande razão. Apenas porque precisava sair da rotina..
Por isso, talvez o grande desafio do turismo não seja convencer todo mundo a conhecer determinado lugar.
É descobrir quem pode se encantar por aquele lugar.
Uma cidade não precisa ser a mais famosa, a maior ou a mais visitada para ser inesquecível.
Pode ser uma pequena cidade histórica, uma região de montanhas, uma praia tranquila, uma área rural, um lugar conhecido pela gastronomia ou uma cidade que tenha uma festa tradicional que acontece apenas uma vez por ano.
O que importa é encontrar aquilo que faz sentido para determinado público.
- Uma cidade pode oferecer natureza para quem busca tranquilidade.
- História para quem gosta de cultura.
- Gastronomia para quem gosta de descobrir sabores.
- Eventos para quem procura diversão.
- Esportes para quem gosta de competição.
- Experiências rurais para quem quer conhecer uma realidade diferente.
– E, muitas vezes, simplesmente um lugar agradável para passar alguns dias ao lado de quem se ama.
O turismo começa quando conseguimos transformar características de um lugar em motivos para alguém querer conhecê-lo.
E onde entra o Hotel ou a Pousada?
É aí que o empreendimento hoteleiro pode deixar de ser apenas um lugar para dormir e passar a fazer parte da experiência.
O hóspede não compra somente uma diária.
- Ele pode estar comprando um final de semana romântico.
- Um momento de descanso.
- Uma comemoração.
- Uma experiência gastronômica.
- Um contato com a natureza.
- Uma oportunidade de conhecer uma cidade.
- Ou simplesmente a possibilidade de parar por alguns dias e respirar novos ares.
Por isso, o hotel precisa conhecer muito bem o seu destino.
- Que eventos acontecem na cidade?
- Quais são os atrativos turísticos?
- Que experiências podem ser oferecidas?
- Quais restaurantes podem ser parceiros?
- Existem produtores rurais, artesãos, guias, espaços culturais ou atividades que possam complementar a estadia?
- Que público pode se interessar por aquilo que o empreendimento e a cidade oferecem?
Quando hotel e destino trabalham juntos, a diária deixa de ser apenas uma diária.
Ela passa a fazer parte de uma história!
Não é preciso vender tudo para todo mundo.
Talvez um dos erros de muitos empreendimentos seja tentar falar com todo mundo.
Nem todo mundo vai querer conhecer sua cidade.
E tudo bem.
O importante é descobrir quem tem motivos para querer conhecê-la.
Uma pousada pode descobrir que seu público está entre casais que procuram experiências românticas.
Outra pode encontrar oportunidades entre pessoas 50+, grupos de amigos, famílias, praticantes de esportes, empresas ou pessoas interessadas em natureza e bem-estar.
A estratégia está em conhecer esse público e criar motivos para que ele escolha aquele destino e aquele empreendimento.
Não necessariamente oferecer o menor preço.
Mas oferecer valor percebido.
Porque quando uma pessoa encontra um lugar que combina com seu estilo de vida, muitas vezes o preço deixa de ser o único fator de decisão.
Quantos lugares ainda existem para descobrirmos perto de nós?
Vivemos uma época em que podemos passar horas olhando fotografias de lugares do outro lado do mundo.
Mas quantas vezes fazemos o exercício de conhecer melhor aquilo que está perto?
Quantas pessoas moram em uma cidade e nunca visitaram seus próprios atrativos turísticos?
Quantos moradores desconhecem uma trilha, uma fazenda, um restaurante, um mirante, um museu, uma festa tradicional ou uma história interessante de sua própria região?
Talvez exista um turista dentro de cada cidade.
E talvez exista também um destino turístico escondido em lugares que ainda não aprenderam a contar suas próprias histórias.
Viajar não é necessariamente ir mais longe. É enxergar novos motivos para ir.
E o que isso representa para o hoteleiro?
Representa oportunidade.
Antes de pensar apenas em tarifa, ocupação ou promoção, vale perguntar:
- O que minha cidade tem para oferecer?
- Quem poderia se interessar por isso?
- O que meu hotel pode fazer para transformar essa oportunidade em uma experiência?
- Como posso trabalhar em parceria com outros negócios locais?
- Que novos públicos ainda não estou alcançando?
Às vezes, o problema não está na falta de turistas.
Pode estar na falta de uma estratégia para mostrar ao turista que existe um lugar esperando por ele.
E talvez seja exatamente aí que um olhar de fora possa ajudar.
Uma análise independente pode identificar oportunidades que, na rotina do empreendimento, acabam passando despercebidas: novos públicos, produtos, experiências, parcerias, canais de venda, posicionamento e maneiras diferentes de apresentar aquilo que o hotel já possui.
Porque, no final, o negócio não é fazer o turista viajar o mundo inteiro.
É fazer com que ele encontre o seu lugar!
E, quando encontra, talvez volte.
Talvez indique para alguém.
Talvez transforme aquela viagem em uma lembrança.
E é assim que destinos se tornam especiais e hotéis deixam de ser apenas hospedagem para fazer parte das histórias das pessoas.
Talvez seu próximo hóspede não esteja procurando simplesmente um lugar para ficar.
Talvez esteja procurando um lugar para viver uma boa história.
Até o próximo check-in de boas ideias.
Gilberto Luiz Braga
Consultor em Hospitalidade, Turismo e Serviços
Especialista em Estratégias Operacionais.
LinkedIn: Gilberto Luiz Braga
E-mail: gilbertolabraga@gmail.com