Marcello Medeiros
Importante trabalho de pesquisa e contribuição com a conservação ambiental, já tendo registradas diversas e impressionantes espécies da nossa fauna em florestas da Região Serrana, o projeto Aventura Animal sofreu um grande ataque nos últimos dias: câmeras instaladas em áreas de mata protegidas foram furtadas e, as que não puderam ser levadas, danificadas. A prática é enquadrada na Lei nº 9.605/98, a Lei de Crimes Ambientais, pois há a obstrução e destruição de instrumentos destinados à proteção e pesquisa da fauna brasileira. O responsável pode responder criminalmente e, com a utilização das imagens dos equipamentos não retirados, ele deve ser identificado em breve.
Em vídeo nas redes sociais, o responsável pelo projeto, Juran Santos, falou sobre os ataques, mostrando os danos causados nos equipamentos : “No monitoramento de hoje, perdemos cinco câmeras. Aqui, levaram a câmera, cortaram a corrente…. Mais uma aqui, quebraram a proteção. O cadeado, tentaram abrir, mas não conseguiram abrir, aí quebraram a proteção e levaram a câmera…. Mais uma câmera, e os caras fizeram exatamente a mesma coisa… Não conseguiram abrir, e aí, arrebentaram a proteção da frente e levaram a câmera. Onde eles não conseguem levar, olha só o que eles fazem, colocam umaa folha dentro da câmera para não pegar as imagens… Aqui, levaram mais uma. Dessa vez me surpreendeu, os caras vieram preparados, porque eles conseguiram arrebentar as correntes, cadeados. Isso é muito triste. Mas, não gosto de dizer isso, mas faz parte do monitoramento, infelizmente”.

Por que alguém faz isso?
Na maioria das vezes, os motivos são três: – Para esconder outro crime. Quem caça, desmata ou extrai palmito ilegalmente teme ser identificado. A câmera vira um inimigo; – Por oportunismo e ignorância. A crença de que aquilo “está abandonado” e pode ser levado, sem entender o valor científico inestimável que aquele equipamento tem. – Por desrespeito à natureza. Uma cultura que ainda vê a mata como terra de ninguém, e não como patrimônio de todos.
“A cada câmera levada, perdemos meses de pesquisa. Perdemos o registro de um animal que talvez nunca mais passe por ali. Perdemos a chance de educar. Mas não perdemos a coragem. O Projeto Aventura Animal seguirá instalando câmeras, seguirá monitorando e seguirá denunciando. A tentativa de nos deixar cegos só prova a importância dos nossos olhos na floresta. Pedimos o apoio da comunidade: viu algo suspeito próximo a áreas de mata, denuncie. Proteger a pesquisa é proteger os animais. Respeite a ciência. Respeite a mata”, reforça Juran Santos.





