Isla Gomes
O protagonismo juvenil, a prevenção das violências e a promoção da saúde no ambiente escolar levarão o nome de Teresópolis a Brasília. O Centro Educacional Beatriz Silva foi selecionado para representar o estado do Rio de Janeiro na Mostra Nacional do Fortalece PSE, ao lado do Colégio Estadual Aura Barreto, de Duque de Caxias. A participação reconhece o trabalho desenvolvido pela escola municipal, com estudantes à frente de ações de conscientização sobre temas que fazem parte da realidade de crianças e adolescentes. No Beatriz Silva, o projeto ganhou força a partir da participação ativa dos jovens, que pesquisaram, promoveram rodas de conversa e criaram atividades para estimular a reflexão entre os colegas. Entre os assuntos trabalhados estão o combate ao bullying e ao cyberbullying, a prevenção ao uso de drogas, especialmente o cigarro eletrônico (vape), e a construção de relações baseadas no respeito e na masculinidade saudável.

Para a professora e pedagoga Fabiana Veiga, auxiliar de direção da unidade e coordenadora dos anos finais na Secretaria Municipal de Educação, receber a notícia da seleção foi um momento de muita emoção. “Foi um momento de choro, de emoção, de muita alegria”, contou.

Segundo ela, a oportunidade representa não apenas a escola, mas também o município e o trabalho realizado para enfrentar as violências no ambiente escolar. A educadora destaca que a proposta do Fortalece PSE se soma às iniciativas de prevenção já desenvolvidas na unidade, valorizando a voz dos adolescentes como ferramenta de transformação. Nas atividades, os estudantes participaram de dinâmicas, responderam a formulários, compartilharam sentimentos e conduziram conversas sobre situações vivenciadas no cotidiano.


Combate ao bullying
Uma das ações mais recentes teve como foco o bullying, abordando os diferentes papéis envolvidos nessa forma de violência: quem sofre, quem pratica e quem presencia. Para Fabiana, reconhecer essas posições é fundamental para que os jovens compreendam os impactos das próprias atitudes e percebam que também podem contribuir para interromper situações de agressão. “Não combatemos o bullying por meio de uma ação isolada. Combatemos por meio de um programa contínuo”, ressaltou a professora, ao destacar a importância de manter o diálogo e ampliar o alcance das iniciativas.


Estudantes transformam experiências
A força do projeto está na participação dos próprios alunos, que encontraram nas atividades uma oportunidade de acolher os colegas e mostrar que ninguém precisa enfrentar situações difíceis sozinho. Milena Ferreira, de 16 anos, destaca a importância de transmitir essa mensagem aos adolescentes. Para ela, a escola precisa ser reconhecida como um espaço de apoio, especialmente durante uma fase marcada por inseguranças e desafios. Já Pietra Ramos da Rosa, de 14 anos, afirmou sentir-se honrada por participar de uma iniciativa que pode ajudar outras pessoas e produzir mudanças duradouras. Sara Vitória, de 16 anos, também ressaltou o potencial transformador do trabalho. “A gente é o começo de algo muito grande”, afirmou, ao falar sobre a possibilidade de contribuir para a vida de outros estudantes. A experiência também passa pela compreensão de que pequenas atitudes podem fazer diferença. Tomás Machado Costa, de 15 anos, destacou que gestos cotidianos, como respeitar os limites de um colega, ajudam a prevenir o bullying. Para ele, participar do projeto é uma oportunidade de conscientizar os estudantes não apenas sobre essa violência, mas também sobre o machismo, o racismo e outras formas de discriminação.



Música da conscientização
Outro momento marcante foi a criação de músicas pelos alunos, com letras voltadas à conscientização. Isaac Eleutério Gonçalves, de 14 anos, e Benjamin Elias Torres de Sousa Castro, de 15, participaram do processo de composição, que envolveu a escolha de acordes, a elaboração das letras e a criação dos instrumentais. Uma das canções aborda o bullying e reforça a importância de procurar ajuda. A outra trata da prevenção ao uso de vape. Maria Rita Seba Macedo, de 15 anos, também integra o grupo e compartilhou sua experiência pessoal com o bullying durante uma apresentação. Ao recordar situações que viveu por causa da aparência e de características pessoais, emocionou-se. Agora, ela encontra no projeto uma maneira de transformar essas lembranças em incentivo para ajudar outros estudantes.


Reconhecimento de um trabalho coletivo
A diretora do Centro Educacional Beatriz Silva, Samanta Silva, celebrou a seleção como o reconhecimento do empenho e da autonomia dos alunos. Para ela, ver o trabalho pedagógico da escola chegar à mostra nacional é motivo de orgulho e emoção. A diretora também destacou que as ações fazem parte de um esforço mais amplo da rede municipal. Segundo Samanta, as escolas de Teresópolis desenvolvem iniciativas voltadas ao enfrentamento do bullying, à prevenção do tabagismo e a outras questões que afetam crianças e adolescentes. A coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE) em Teresópolis, Valéria Machado, explicou que a seleção é resultado de um processo formativo iniciado em 2025, quando o município foi escolhido entre 92 cidades fluminenses para participar do momento formativo 2 do Fortalece PSE, direcionado aos gestores municipais. Em 2026, a etapa seguinte passou a envolver diretamente as escolas e a valorizar o protagonismo juvenil na identificação de vulnerabilidades e na elaboração de ações. De acordo com Valéria, a parceria entre as áreas de Saúde e Educação, o vínculo já existente com a unidade e o engajamento dos estudantes contribuíram para o desenvolvimento do projeto. Ela também ressaltou a dedicação dos jovens na preparação das atividades, incluindo os encontros para criar as músicas. A expectativa agora é compartilhar a experiência de Teresópolis com representantes de outras regiões do país e ampliar a iniciativa para mais unidades escolares do município. Na mostra em Brasília, o estudante Isaac será o representante do grupo, levando consigo o trabalho construído coletivamente pelos colegas.






