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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Jiu-jitsu: Aos oito anos, atleta teresopolitana coleciona medalhas e sonha com o Mundial

Com resultados expressivos em competições estaduais, nacionais e sul-americanas, Maluzinha conta com o apoio da família e do Projeto Lutando Pelo Bem

Isla Gomes

Com apenas oito anos de idade e um ano de trajetória no jiu-jitsu, Maria Luísa, carinhosamente conhecida como Maluzinha ( @maluzinhabjj_ ), já acumula conquistas importantes nos tatames. A pequena atleta de Teresópolis soma medalhas em competições de diferentes níveis e tem como grandes sonhos conquistar títulos mundiais e representar sua cidade em eventos internacionais. A inspiração para começar veio de casa. Depois de assistir, ao lado do pai, a vídeos do multicampeão Roger Gracie, Maluzinha decidiu que também queria praticar a modalidade. “Meu pai via muito vídeo do Roger Gracie, aí eu falei: ‘Pai, eu quero fazer’. Ele me levou e comecei a lutar jiu-jitsu”, conta. Seu primeiro campeonato foi realizado no Pedrão. Apenas três meses depois de iniciar os treinamentos, participou do Sul-Americano, conquistando o segundo lugar. Desde então, as medalhas não pararam de chegar.

Entre os resultados estão 14 medalhas de ouro pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ), ouro pela FJJRio, segundo lugar no Sul-Americano, terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e colocações de vice-campeã na Copa SAF, em competição da CBJJ e na Copa FOX. A atleta também compete nas modalidades com e sem quimono, conquistando vitórias por pontos e finalizações. Sua técnica favorita é o armlock. “Ganhei no Open com quimono e sem quimono. Algumas lutas foram por pontos e outras por finalização. Minha finalização favorita é o armlock”, explica.

“É muito orgulho. É uma coisa que ela gosta de fazer, que ela pede para fazer. Ela gosta de competir”, destaca a mãe orgulhosa, Tatiana Lopes. Foto: Isla Gomes / O Diário

Paixão pelos tatames e grandes sonhos
Entre suas conquistas, Maluzinha destaca as medalhas do Brasileiro e do Sul-Americano. “Minha medalha favorita é a do Brasileiro e a do Sul-Americano, porque o Brasileiro é o campeonato mais importante que eu lutei”, afirma. Antes de entrar no tatame, a pequena também mantém um ritual: pula para se preparar, faz uma oração e realiza um movimento giratório. “Quando entro, oro primeiro e depois faço meus movimentos de aquecimento que sempre me ajudam a ganhar”, conta, revelando ainda que comemora as vitórias com uma dancinha ou uma estrelinha. Mas os objetivos vão muito além das conquistas já alcançadas. “Eu imagino que vou ser campeã mundial, do Pan Kids e do Brasileiro”, diz Maluzinha, que promete continuar treinando e se dedicando para levar o nome de Teresópolis cada vez mais longe.

“Em menos de um ano, ela já conquistou resultados realmente expressivos. É o talento dela, a vontade de estar no tatame e a perseverança dos pais”, ressalta o treinador, Carlos Eduardo Sousa Lipe. Foto: Isla Gomes / O Diário

Família e incentivo fazem a diferença
A mãe, Tatiana Lopes de Macedo, corretora, acompanha de perto a trajetória da filha e destaca que o mais importante é perceber que a menina pratica o esporte por vontade própria. “É muito orgulho. É uma coisa que ela gosta de fazer, que ela pede. Ela quer competir, gosta dessa adrenalina de estar no tatame e de lutar”, conta. Tatiana também destaca os valores ensinados pelo jiu-jitsu, especialmente o respeito ao adversário. Segundo ela, Maluzinha costuma abraçar as oponentes ao final das lutas. “Ela se sente à vontade no tatame, faz suas estrelinhas e dancinhas. Quando termina a luta, abraça a adversária. O jiu-jitsu ensina isso também: depois da luta, fica a amizade”, ressalta. Apesar dos resultados, a continuidade da trajetória depende de apoio financeiro. A família arca com despesas de viagens, inscrições, alimentação e hospedagem para acompanhar a atleta em competições dentro e fora do estado. “Ela já lutou em outros estados, tudo custeado pela gente. Agora precisamos de patrocínio para que ela possa realizar o sonho de disputar o Mundial, na Europa, e o Pan Kids, nos Estados Unidos”, explica Tatiana. A mãe faz um apelo aos empresários e à população de Teresópolis para que apoiem não apenas Maluzinha, mas também outros jovens talentos. “Existem atletas com grande potencial, mas que não têm condições financeiras de participar nem de campeonatos aqui no Rio. O incentivo é muito importante para que essas crianças tenham oportunidades”, afirma.

“Quando entro, oro primeiro e depois faço meus movimentos de aquecimento que sempre me ajudam a ganhar”, detalha a atleta. Foto: Isla Gomes / O Diário

Projeto social também precisa de apoio
O professor de jiu-jitsu e Educação Física Carlos Eduardo Sousa Lipe, conhecido como Dudu, responsável pelo acompanhamento técnico da atleta, destaca o orgulho de acompanhar sua evolução. “Em menos de um ano, ela já apresentou resultados muito expressivos. Isso é fruto do talento, da vontade de estar no tatame e também da perseverança dos pais, que incentivam e acompanham”, avalia. Para ele, os benefícios do esporte vão além das medalhas. “O jiu-jitsu muda o comportamento da criança. Ela passa a ter mais autoconfiança no que fala, no que faz e na maneira de tratar as pessoas”, explica. Dudu também ressalta a importância da participação da família e do acompanhamento do professor durante as competições. “Não adianta a criança querer treinar se os pais não apoiarem. E o professor precisa estar junto, inclusive quando chega a hora de competir fora da cidade”, afirma. A trajetória de Maluzinha está diretamente ligada ao Projeto Lutando Pelo Bem, iniciativa social que há 24 anos desenvolve atividades de jiu-jitsu na região da Grande Jaqueira, em Teresópolis. Segundo Dudu, o projeto também enfrenta dificuldades para manter o trabalho e precisa de apoio de empresas e da sociedade. “O projeto existe há 24 anos e precisamos muito de ajuda, principalmente das empresas. O poder público é difícil e não temos o suporte necessário”, relata. O professor lembra que o incentivo beneficia diversas crianças e jovens que encontram no esporte uma oportunidade de desenvolvimento, mas enfrentam dificuldades financeiras até mesmo para participar de campeonatos no estado.

A pequena atleta de Teresópolis soma medalhas em competições de diferentes níveis e tem como grandes sonhos conquistar títulos mundiais e representar sua cidade em eventos internacionais. Foto: Reprodução
Entre os resultados estão 14 medalhas de ouro pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ), ouro pela FJJRio, segundo lugar no Sul-Americano, terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e colocações de vice-campeã na Copa SAF, em competição da CBJJ e na Copa FOX. Foto: Reprodução
A atleta também compete nas modalidades com e sem quimono, conquistando vitórias por pontos e finalizações. Sua técnica favorita é o armlock. Foto: Reprodução
Teresópolis 03/11/2026
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