Maria Eduarda Maia
Por pouco, um morador de Teresópolis não ficou gravemente ferido após ser atingido por uma linha de pipa com substância cortante. Ele trafegava pela região da Praça dos Operários, mais conhecida como Praça da Arruela, no bairro São Pedro, na manhã desta quinta-feira (05), quando teve o pescoço atingido e cortado pelo material. O rapaz precisou ser socorrido e encaminhado ao hospital, onde levou quatro pontos no ferimento e recebeu atendimento preventivo contra o tétano.

Em um vídeo enviado à reportagem de O Diário, Natan Novais, mais conhecido como ‘Big Lanches’ contou que a linha estava esticada em uma árvore e acabou sendo lançada em direção ao seu pescoço após uma rajada de vento. “Do nada passou um vento e ela veio na direção do meu pescoço. Eu só tive a reação de conseguir frear a moto”, relatou.
Apesar de conseguir evitar a queda, ele sofreu um corte na região do pescoço e precisou de atendimento médico. “Ainda bem que não foi tão profundo”, afirmou. O motociclista também informou que está com a região um pouco inchada, mas passa bem e está se recuperando.
Ainda durante o vídeo, Natan ainda agradeceu aqueles que prestaram os primeiros socorros. “Tenho que agradecer aos comerciantes os moradores também que rapidamente me ajudaram, me socorreram, além de um amigo me levou para o Eitel Abdallah”, contou. “Foram momentos que eu não desejo para ninguém”, completou.
Perigo para quem trabalha sobre duas rodas
Além daqueles que utilizam a motocicleta como meio de ir e vir, o risco também atinge quem depende do veículo para trabalhar. Mototaxistas, entregadores, trabalhadores de aplicativos e prestadores de serviços passam boa parte do dia circulando pelas ruas da cidade. Em muitos casos, esses profissionais também transportam passageiros, que acabam expostos ao mesmo perigo durante os deslocamentos.
Um exemplo dessa preocupação foi relatado por uma moradora de Teresópolis nas redes sociais, que comentou a situação no bairro mais populoso da cidade e contou que já passou por uma situação semelhante enquanto utilizava o serviço de mototáxi: “Aqui no São Pedro a molecada corre solta com linha com cerol. Eu já estive em um mototáxi e quase fomos atingidos”.
A presença de linhas com cerol ou outros materiais cortantes nas vias representa riscos tanto para os condutores quanto para passageiros e demais usuários do trânsito. O contato com a linha pode provocar ferimentos, enquanto uma reação inesperada pode resultar na perda de controle da motocicleta e em acidentes.
Outro fator de preocupação é a dificuldade de visualizar esse tipo de material, especialmente quando a linha está estendida de um lado a outro da via. Dependendo das condições de iluminação e da posição em que se encontra, o motociclista pode não perceber o obstáculo com antecedência suficiente para evitar o contato.

Alerta sobre antenas ‘corta-pipa’
Ao final do vídeo enviado à redação do Diário, a vítima também fez um apelo aos responsáveis pelas crianças que soltam pipas, pedindo mais atenção para evitar que as linhas fiquem presas em árvores ou em locais de circulação de veículos. Ele aproveitou para alertar outros profissionais que utilizam motocicletas, especialmente motoboys, sobre a importância da instalação de antenas corta-pipa, equipamento de proteção que ajuda a interceptar linhas antes que atinjam o pescoço do condutor. “Todas as épocas são importantes, mas agora é ainda mais importante usar aquela antena que coloca na moto para poder evitar esse tipo de acidente”, destacou Natan.

Uso de linhas cortantes é proibido
O uso de cerol e de linhas cortantes, como a linha chilena e a linha indonésia, é proibido no Estado do Rio de Janeiro. A legislação estadual proíbe a fabricação, comercialização, compra, porte, posse, transporte e utilização desses materiais. O descumprimento da lei pode resultar em penalidades, incluindo detenção e aplicação de multas, conforme a legislação e as circunstâncias de cada caso.
O cerol é uma mistura geralmente feita com cola e vidro moído, aplicada à linha comum para aumentar seu poder de corte. Já a linha chilena é produzida industrialmente com materiais abrasivos, como óxido de alumínio e quartzo, enquanto a linha indonésia também utiliza compostos abrasivos para aumentar sua capacidade de corte.
Apesar de serem utilizadas em brincadeiras com pipas, essas linhas representam um perigo para toda a população e podem provocar ferimentos profundos e até acidentes fatais. Motociclistas, ciclistas e pedestres estão entre os mais vulneráveis, principalmente quando o material fica esticado ou atravessado em vias públicas, muitas vezes sem que seja possível identificá-lo a tempo. Além disso, essas linhas podem provocar acidentes envolvendo a rede elétrica, causar rompimento de fios, curtos-circuitos e interrupções no fornecimento de energia.
Como denunciar
A população também pode ajudar no combate ao uso de linhas cortantes denunciando a prática às autoridades. As denúncias podem ser feitas ao Disque Denúncia, por meio do Linha Verde, pelos telefones (21) 2253-1177 ou 0300 253 1177. Os dois números também recebem mensagens pelo WhatsApp, com garantia de anonimato. Outra opção é utilizar o aplicativo Disque Denúncia RJ, acessar o site www.disquedenuncia.org.br ou a página do Linha Verde no Facebook. Em situações que exigem atendimento policial imediato, a população também pode acionar a Polícia Militar pelo 190.







