Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

A central de emendas

Você sabia que cada deputado federal tem à disposição dele 40 milhões de reais para usar como quiser e fazer onda com os prefeitos e eleitores? E sabe que cada senador tem 70 milhões? Você sabe de onde vem esse dinheiro?

Dos impostos que você paga. Paga como imposto de renda; como imposto indireto quando compra comida, roupa, paga a luz, a água, a passagem de ônibus, a gasolina e todo e qualquer tipo de compra ou contrato. E sabem de uma coisa? Cada vez que um deputado federal ou senador aparece do lado de um prefeito com a conversa de: “minha emenda…e outras coisas mais…Essa ambulância, esse carro de polícia, essa obra…

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. O slogan foi criado pelo poeta Fernando Pessoa, para uma campanha da Coca-Cola. A empresa não utilizou a ideia. A informação está no livro “País Mal Educado”, de Daniel de Barros. O autor comenta as aulas da professora Maria de Lourdes Cunha, a Lu. O livro dá um norte para a educação brasileira. Contém histórias interessantes.

Busquei o slogan criado por Fernando Pessoa para falar de outro assunto, que tem o sabor de uma bebida destilada adulterada e não o sabor da Coca-Cola que, para a tranquilidade declarada do governador de São Paulo, ainda não foi alcançada pelos falsificadores.

Socorro-me em Fernando Pessoa para comentar as emendas parlamentares feitas ao Orçamento da União, prática que se estende com rapidez para os orçamentos dos estados e das cidades. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

O Congresso Nacional, tanto fez, tanto fez, até conseguir anarquizar a execução do Orçamento da União. É o caso da rotina para a elaboração e destinação das emendas parlamentares, surgidas para dar um jeitinho – coisa bem brasileira – na anomalia que, desde o golpe de 1964, transferiu para o Poder Executivo a competência do Congresso Nacional para dizer como e onde pode ser gasto o imposto pago pela sociedade.

É uma história longa e tenebrosa.

Após o golpe, a ação do Congresso Nacional sobre o Orçamento da União ficou limitada ao poder de aprová-lo sem reclamar e sem emendas. A lei autorizava a rejeição de toda a peça, mas ninguém se atrevia.

Evidentemente, os parlamentares resmungaram.

Deu-se, então, a eles um cala-boca. Cada parlamentar destinaria parte do orçamento para entidades filantrópicas para fazer política. Não demorou para que alguns espertos criassem entidades para receber o dinheiro. Houve o escândalo dos anões. Mandatos foram cassados, houve um preso e uma mulher assassinada.

Com a Constituição de 1988 – a sétima – vieram as emendas parlamentares.

Inseridas no Orçamento da União, para serem reconhecidas, as emendas dependiam de conversas ao pé-do-ouvido entre parlamentares e ministros. Por isso, os ministérios passaram a ter um valor incomensurável nas negociações entre os presidentes, partidos e parlamentares.

Entramos no mensalão.

O Congresso Nacional, então, exigiu mais respeito e criou as emendas impositivas. As conversas no pé-do-ouvido ficaram nos corredores das comissões de orçamento. O procedimento caminhou, caminhou, avançou e criou novas rotinas para acabar com as conversas nos corredores, surgiram as emendas “pix”.

Querem saber como isso anda?

O Instituto Atlântico, representado pela Adriana Di-Salvio, deu-me a oportunidade de conhecer o Bruno Bondarovsky, autor da Central de Emendas, uma radiografia de corpo inteiro do destino do dinheiro público entregue aos parlamentares por eles mesmos.

“A Central de Emendas é um esforço de tecnologia e articulação que pode mudar o modo como a sociedade brasileira se relaciona com os desafios públicos espinhosos, como é a distribuição e execução do orçamento federal. A plataforma não apenas complementa as iniciativas de transparência e controle existentes, mas amplia a capacidade de fiscalização e mobilização da sociedade civil”, diz Bruno.

Quem destina, para quem destina, que valores destina e com que propósitos destina o dinheiro público, são informações compiladas e organizadas pela Central de Emendas. Vale conhecer. Não será por falta de informação que a sociedade brasileira terá dificuldade para escolher quem merece permanecer com a autorização para administrar o dinheiro do povo.

Tags

Compartilhe:

Outros Artigos
Teresópolis 14/03/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Projeto que propõe ponto de apoio para entregadores em Teresópolis ainda não saiu do papel

Floração em março deixa Teresópolis com “jeitinho de Primavera”

Polícia Civil recupera celular furtado e devolve aparelho à proprietária em Teresópolis

Entidades pedem proteção a jornalistas que cobrem doença de Bolsonaro

Violência contra a mulher: redes de apoio mantêm suporte às vítimas em Teresópolis

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE