Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Abrigo com mais de 400 cães resgatados encerra atividades após mobilização nacional

Animais vítimas de abandono e maus-tratos são transferidos para instituições estruturadas e adoções responsáveis após morte de Guilherme Motta

Luiz Bandeira

O abrigo de cães resgatados de abandono e maus-tratos, localizado no bairro Campo Grande, viveu meses de intensa repercussão até chegar ao encerramento definitivo de suas atividades, anunciado nesta terça-feira (31). O espaço, que chegou a abrigar mais de 400 animais, enfrentava graves problemas de superlotação, falta de estrutura, medicamentos e alimentação adequada. Administrado pelo protetor Guilherme Motta, o local passou a chamar a atenção de outros protetores diante das dificuldades para manter o grande número de animais. O jovem morreu no fim do ano passado e a história teve repercussão nacional.

Mais de 400 animais, alguns doentes e famintos que estavam sob a tutela do protetor Guilherme Motta foram encaminhados para adoção e abrigos mais estruturados. Foto: reprodução

Mas a situação já vinha tendo muitos desdobramentos antes do falecimento do protetor, ganhando contornos ainda mais delicados após episódios polêmicos, quando, alegando não ter mais condições de sustentar o projeto, Guilherme soltou cães em via pública, sendo posteriormente preso por maus-tratos. Com a saúde debilitada, o protetor foi internado em novembro do ano passado, após atendimento inicial no pronto atendimento Eithel Abdalah, no bairro São Pedro, e transferência para a UPA em estado grave. Ele não resistiu, deixando o futuro dos animais incerto.

Após sua morte, uma ampla mobilização tomou conta do caso, envolvendo protetores independentes, ONGs e até personalidades públicas ligadas à causa animal. A ação conjunta possibilitou o resgate e encaminhamento dos cães para instituições mais estruturadas, além de promover adoções responsáveis em diversas regiões do país.

Jovem protetor que dedicou grande parte de sua vida a cuidar de animais abandonados e vítimas de maus-tratos, não conseguiu ver o final feliz de todos os cães pelos quais tanto batalhou. Foto: reprodução

Destino dos últimos animais
Dos mais de 400 cães que passaram pelo abrigo, apenas 26 permaneciam no local até esta semana. Segundo anunciado, todos serão transferidos para a ONG Resgaute, em São Paulo, onde já estão outros 40 animais oriundos do mesmo abrigo.

Responsável por dar continuidade ao trabalho após a morte de Guilherme, Luciana Souza falou com emoção sobre o encerramento das atividades e o destino dos animais. “Os cães remanescentes vão ser remanejados para uma ONG que tem estrutura e todo o suporte que eles precisam e que, infelizmente, aqui não teve. Lá eles vão ficar em baias individuais, participar de feiras de adoção e, se Deus quiser, todos vão encontrar um lar”, afirmou.
Luciana destacou que o esforço coletivo já garantiu um novo começo para muitos dos animais. “Muitos já estão em casas, felizes. A gente acredita que todos os 468 cães que passaram por aqui vão ter um destino feliz.”

Ativista Luísa Mell organizou uma força-tarefa para salvar animais do abrigo Guilherme Motta. Foto: reprodução

Decisão e despedida
De acordo com a responsável, a transferência também atende a uma decisão do Ministério Público. Caso os animais não fossem remanejados, eles poderiam ser levados para o Parque de Exposições pelo poder público, cenário que foi evitado pelos envolvidos. “A gente tentou adoções diretas até onde pôde, conseguimos algumas, mas entendemos que o melhor agora é esse encaminhamento para uma ONG estruturada, que tem todo o aparato para recebê-los”, explicou.

Em meio ao sentimento de dever cumprido, Luciana ressaltou que o trabalho continua, mesmo com o fim do abrigo. “Nem tudo acaba quando termina. Os cães estão sendo adotados, estão ganhando famílias. O trabalho só foi passado, mas continua sendo feito.”

Emocionada, ela concluiu com uma reflexão sobre o legado deixado por Guilherme Motta. “Não é o final feliz que a gente queria, porque queríamos ele aqui. Mas o nosso final feliz é saber que os ‘filhos’ dele estão bem, saudáveis, e agora vão ficar ainda melhor.”

O encerramento do abrigo marca o fim de um capítulo marcado por desafios, comoção e solidariedade e reforça a importância de políticas públicas e estruturas adequadas para o cuidado com animais em situação de vulnerabilidade.

Teresópolis 01/04/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Trânsito: GCM anuncia mudanças no Rosário a partir de segunda-feira

Teresópolis sedia campeonato serrano de levantamento de peso

Feriado de Páscoa com comércio aberto e programação especial em Teresópolis

Abrigo com mais de 400 cães resgatados encerra atividades após mobilização nacional

Homem é detido por ato obsceno e importunação sexual no Meudon

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE