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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Abrigo temporário: Pedrão acolhe famílias vítimas das chuvas

Acolhidos estão apreensivos e pedem apoio das autoridades quanto aos próximos passos

Isla Gomes

Com 84 pessoas desabrigadas e 47 desalojadas sendo acompanhadas pela secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, o município de Teresópolis teve a situação de emergência decretada no último sábado (23). Tudo isso por consequência da tempestade que teve inicio na sexta-feira (22) e que atingiu a cidade de forma agressiva. O Ginásio Poliesportivo Pedro Rage Jahara, mais conhecido como Pedrão, na Rua Tenente Luiz Meirelles, está sendo ponto de apoio tanto para doações quanto para abrigo para as famílias vítimas das chuvas. A equipe da Diário TV esteve no espaço para conhecer algumas dessas histórias. Silvana Nascimento, de 54 anos, é moradora do Perpétuo e teve que deixar sua casa após o local ser interditado pela Defesa Civil. Perto da casa de Silvana há uma rachadura no solo, que está com risco iminente de causar desmoronamento e deslizamento de terra.

“Veio essa chuva e abriu uma enorme rachadura no solo perto da minha casa, a Defesa Civil esteve lá para interditar e nos trouxeram para o abrigo. Sou grata por isso, mas, peço tenho medo do que vai ser de nós daqui para frente”, relata Silvana Nascimento, de 54 anos. Foto: Isla Gomes/O Diário

“Eu tenho um problema sério de saúde há 22 anos, por isso não tenho condição de trabalhar. O Aluguel Social não é suficiente para me manter e ainda pagar o aluguel de um lugar, por isso tive que voltar para minha casa que estava interditada desde 2012. Agora veio essa chuva e por cima da minha casa abriu uma enorme rachadura e a Defesa Civil esteve lá para interditar e nos trouxeram para o abrigo. Sou muito grata que aqui no Pedrão estamos tendo alimentação e um socorro, mas, é muito triste não ter um lar. Nós estamos pedindo para que o prefeito ou aumente o Aluguel Social ou nos dê um projeto de habitação”, desabafa.

“Um dos efeitos colaterais dos medicamentos fortes que eu tomo é atrofiamento das pernas, aqui tem muita escada, tenho muita dificuldade de subir”, conta Silvana. Foto: Isla Gomes/O Diário


Alexandro Pereira também é morador do Perpétuo e teve que deixar sua casa. Mesmo diante de tanta incerteza e angústia ele faz um apelo para que todos que se recusaram a sair das áreas de risco repensem e priorizem suas vidas. “Nós estamos precisando de ajuda, desde a tragédia que teve no Perpétuo em 2002 que a gente espera um projeto de habitação para a gente. Agora nessas chuvas, abriu uma rachadura enorme em cima das nossas casas, deve ter pelo menos uns 30 centímetros de largura a rachadura. Estamos com muito medo, tivemos que largar tudo lá e vir para o abrigo, pois, o risco lá é altíssimo. Graças a Deus aqui no abrigo estamos sendo bem tratados, mas, o medo do que virá tira o nosso sono. Sabemos que não podemos ficar aqui para sempre, tem famílias com crianças abrigadas aqui, precisamos de ajuda para os próximos dias. Com o Aluguel Social de R$ 500 não tem como se manter, os únicos lugares que dá para morar com esse valor são justamente em locais de risco, nas comunidades. Sobretudo, mesmo diante dessa situação horrível eu quero pedir que meus colegas e o povo em geral que se recusou a sair das áreas de risco, que, por favor priorizem suas vidas, venham ficar com a gente aqui no abrigo. A vida vale muito mais que tudo isso, eu vi que muita gente lá no Perpétuo não quis sair, venham para cá que aqui a gente se ajuda”, ressalta.

“Estamos com muito medo, tivemos que largar tudo lá e vir para o abrigo, pois, o risco é altíssimo. Graças a Deus aqui no abrigo estamos sendo bem tratados, mas, o medo do que virá tira o nosso sono”, destaca Alexandro Pereira. Foto: Isla Gomes/O Diário

Detalhes do abrigo
Silvana conta que na sala que está abrigada no Pedrão dormem sete pessoas, sendo três crianças. A doença crônica que Silvana enfrenta há 22 anos a impossibilita de subir escadas, mas, no local há pelo menos três lances de subida. “É aqui que estamos ficando e aguardando uma ajuda de Deus. Esperamos que as autoridades façam algo por nós, está mais que na hora deles olharem para a gente, pois, há anos que a população do Perpétuo sofre com as chuvas. Eu tenho 54 anos e um dos efeitos colaterais dos medicamentos fortes que eu tomo é atrofiamento das pernas, aqui tem muita escada, tenho muita dificuldade de subir. Apesar de ser grata pelo espaço que nos forneceram aqui, queremos uma provisão das autoridades, estamos pedindo socorro”, afirma.

A esperança de uma criança
Em meio há um cenário complexo. Conversamos com um menino de apenas sete anos, que deseja dias melhores e enquanto aguarda esperançosamente, ele brinca na quadra do Pedrão. “Em cima da casa da minha vó tem uma rachadura, por isso tivemos que vir para cá. Aqui é um espaço legal, mas eu quero que a chuva passe para todos voltarem para casa. Mesmo estando triste eu gosto de brincar, estou brincando de bola aqui na quadra do abrigo enquanto minha mãe está tentando tirar uma nova identidade para ela”, conta o pequeno.

“Agora nessas chuvas, abriu uma rachadura enorme em cima das nossas casas, deve ter pelo menos uns 30cm de largura a rachadura. O risco é muito alto e teve gente que preferiu se arriscar do que sair e vir para cá”, detalha Alexandro.


Edição 23/04/2024
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