O café está presente na rotina de milhões de brasileiros, seja para começar o dia, manter a disposição ao longo do trabalho ou acompanhar momentos de pausa. Mas, afinal, a bebida tão popular é uma aliada da saúde ou pode trazer prejuízos ao organismo? Neste Dia Mundial do Café (14/4), a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) traz as contribuições de profissionais de saúde que explicam como o consumo pode trazer benefícios e, em alguns casos, não ser indicado.
Para quem não abre mão de uma xícara ao longo do dia, a ciência traz boas notícias, mas com ressalvas. “O café faz bem para a saúde, sim, desde que consumido dentro da quantidade máxima de 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de três a cinco xícaras”, explica a nutricionista Alessandra Torres.
Segundo ela, os benefícios estão diretamente ligados à ação da cafeína no cérebro. “O café bloqueia a ação da adenosina, substância que dá sono. Por isso, aumenta a atenção e o foco”, considera. A nutricionista acrescenta que a bebida também pode contribuir para o desempenho em tarefas cognitivas e até físicas: “estimula o sistema nervoso central e pode melhorar a resistência e a força”.
Mas o efeito estimulante que ajuda durante o dia pode atrapalhar à noite, conforme explica a médica Monique Fazzi. “O impacto da cafeína no sono vai além da dificuldade para pegar no sono. Mesmo quando a pessoa consegue dormir, a qualidade do sono fica prejudicada”, diz. Isso acontece, segundo a médica, porque a substância continua agindo no organismo por horas. “Quando isso acontece, o corpo não entende que é hora de dormir. O ideal é respeitar um intervalo seguro. Em geral, recomenda-se consumir café em até 10 horas antes de dormir”, orienta. Na prática, isso significa evitar a bebida após o início da tarde, especialmente para quem tem mais sensibilidade. É claro que essa sensibilidade varia. “Existem pessoas que metabolizam a cafeína mais rápido, por questões genéticas. Outras não, e acabam indo dormir ainda sob efeito da substância”, completa.
Nem sempre faz mal ao coração
Quando o assunto é coração, o café já foi visto como vilão, mas essa visão vem mudando. A cardiologista Wanessa Abner destaca que o consumo moderado não é necessariamente prejudicial, mesmo para quem tem hipertensão. “O consumo de café pode aumentar a pressão arterial somente em casos de exagero. Não há comprovação científica de que o café piore a pressão arterial quando consumido de forma moderada, diz a médica.
Segundo Wanessa Abner, pacientes com doenças cardiovasculares podem consumir a bebida com segurança, desde que sigam as orientações médicas. “O preconizado é de três a quatro xícaras por dia, especialmente se o paciente estiver com a pressão controlada e mantendo mudanças no estilo de vida.”
Ainda assim, há exceções importantes a serem consideradas. “O café pode ser vilão em pacientes que têm arritmia, por exemplo. Se a pessoa sente palpitações, aquela sensação de ‘batedeira’ no peito, o ideal é evitar, porque o café pode piorar esses quadros”, sustenta. A cardiologista também faz um alerta para quem tem histórico familiar. “Pacientes com casos de morte súbita na família, desmaios ou suspeita de arritmia devem evitar o consumo até fazer uma investigação cardiológica”, alerta.
O excesso dá sinais
Se por um lado o café pode trazer benefícios, por outro o corpo costuma avisar quando a dose passou do limite. “Irritabilidade, tremores, taquicardia e sintomas gástricos como acidez e queimação podem indicar consumo excessivo”, afirma a médica Monique Fazzi. Já as pessoas com ansiedade ou insônia devem ter atenção redobrada. “Elas já têm um sistema nervoso mais ativado, então a cafeína pode intensificar esses sintomas”, explica Fazzi.
A nutricionista Alessandra Torres reforça que não é só a quantidade que importa, mas também a forma de consumo. “É sempre melhor ingerir o café puro, sem açúcar e sem adoçantes. O açúcar pode contribuir para obesidade e diabetes”, explica. Apesar da fama, o café não é milagroso, segundo a nutricionista. Ela faz um alerta direto: “Nenhum alimento isolado auxilia no emagrecimento.” Para quem não abre mão da xícara diária, a recomendação da cardiologista é simples. “Moderação, atenção ao horário e, sempre que possível, ouvir o próprio corpo”, finaliza Wanessa Abner.






