Luiz Bandeira
Através do “Diário Comunidade”, a população tem recorrido ao jornalismo de O Diário de Teresópolis para registrar reclamações, reivindicações e expor demandas que seguem sem resposta do poder público. Nesta quarta-feira (28), nossa reportagem esteve no bairro Granja Florestal, atendendo ao apelo dos moradores da Estrada José Manoel Delgado, também conhecida como Estrada da Tabatinga, via essencial para milhares de pessoas da região, mas que frequentemente se torna intransitável, sobretudo durante e após períodos de chuva.

No local, constatamos as inúmeras dificuldades enfrentadas diariamente pela comunidade. Sem calçamento, sem sarjetas e sem bueiros, a estrada apresenta forte declive e está tomada por buracos — alguns deles verdadeiras crateras. Em dias chuvosos, a lama toma conta da via, reduzindo a aderência dos veículos e aumentando significativamente o risco de acidentes.



O cozinheiro Jorge Eduardo relata que, quando chove, o acesso fica completamente comprometido. “Choveu, não desce carro, não sobe carro. Se alguém passar mal lá embaixo, não tem como o bombeiro descer, porque depois não consegue subir. É muita lama nessa rua, de verdade”, desabafa.

A técnica de enfermagem Patrícia Gama destaca que nem mesmo a locomoção a pé é possível em dias de chuva. “Pra vir a pé é horrível. Esses dias precisei vir andando e cheguei no ponto de ônibus toda enlameada. Tem que trazer outro sapato para trocar. Isso é muito constrangedor”, relata.
A situação é ainda mais grave para pessoas com deficiência. Silas Esteves, morador da região e cadeirante, enfrenta sérias dificuldades para sair de casa por conta das condições da estrada. Segundo ele, a falta de acessibilidade afeta toda a comunidade. “Não é só pra mim que sou cadeirante. É difícil pra quem tem carro subir aí. A gente só vê as pessoas falando, prometendo, mas fazer mesmo ninguém faz. Na época da política vieram aqui, prometeram, e até agora nada foi resolvido”, afirma. Silas conta que só consegue sair de casa com ajuda de terceiros e que muitos motoristas evitam entrar na rua por causa da lama.

A aposentada Mônica Ventura afirma que decidiu vender sua casa e deixar o bairro devido à precariedade do acesso. “Comprei essa casa pela Caixa, com a promessa de que iam calçar em seis meses, por ser do Minha Casa, Minha Vida. Mas ficou só na promessa. Fiquei dois anos praticamente presa dentro de casa, sem conseguir tratamento médico, porque não conseguia me deslocar”, conta. Segundo ela, a situação é ainda mais preocupante porque no local vivem idosos, pessoas com deficiência, autistas e cadeirantes. “Se acontecer alguma coisa, como vamos ser socorridos?”, questiona.

Os moradores cobram providências urgentes do poder público e esperam que as denúncias resultem em ações concretas. Enquanto isso, seguem convivendo com o medo, o isolamento e a sensação de abandono em uma via que deveria garantir dignidade e segurança a quem depende dela diariamente. Na semana passada, O Diário buscou um posicionamento da secretaria de Obras e Serviços Públicos, após circularem nas redes sociais alguns vídeos de veículos atolados no local, sendo informado que, assim que diminuíssem as chuvas, seriam realizadas intervenções no local.








