O Conselho Municipal de Saúde de Teresópolis aprovou os planos operacionais anuais (POAs) das unidades hospitalares do município que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), consolidando as diretrizes de atendimento e metas assistenciais para o início de 2026. As deliberações foram tomadas em reunião ordinária realizada no dia 24 de fevereiro e publicadas no Diário Oficial Eletrônico do dia 27.
Entre os documentos aprovados estão os planos do Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO), do Hospital Beneficência Portuguesa de Teresópolis e Hospital Nossa Senhora da Saúde (Beneficência Portuguesa de Teresópolis). Os POAs estabelecem parâmetros de funcionamento, metas quantitativas e qualitativas, além da organização dos serviços ofertados à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No caso do HCTCO, o Conselho também aprovou o serviço hospitalar de referência à gestação e ao puerpério de alto risco, reforçando o papel da unidade no atendimento especializado a gestantes e recém-nascidos que demandam cuidados intensivos. Os planos abrangem períodos distintos, entre o fim de dezembro de 2025 e março de 2026, e são instrumentos fundamentais para o acompanhamento, fiscalização e avaliação dos serviços contratualizados pelo município. A aprovação pelo Conselho é etapa obrigatória para homologação e publicação oficial, garantindo controle social e transparência na gestão da saúde pública. As resoluções foram assinadas pelo presidente do Conselho, Valdir Paulino Pinheiro da Costa, e pelo secretário municipal de Saúde, Fábio Gallote.
Prefeito participou
Os POAs foram apresentados na última reunião do Conselho Municipal de Saúde, no auditório da secretaria municipal de Saúde, na Tijuca, na semana passada. Além dos representantes do Conselho e da pasta, esteve presente o prefeito Leonardo Vasconcellos. Ele falou, entre outros temas, sobre a dívida herdada pelo município com a Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO) para a manutenção do atendimento no Hospital das Clínicas Constantino Ottaviano (HCTCO). Leonardo acabou focando mais na questão do atendimento na unidade hospitalar que é base da universidade local. Ele citou a dívida milionária herdada de prefeitos anteriores e que entende a direção do HCTCO e FESO também chegaram ao limite. “O valor que a prefeitura paga, mesmo sendo pago em dia, ainda seria aquém do custo hospitalar. A instituição hoje não tem mais como, embora tenha sua função social, colocar dinheiro próprio para cumprir uma despesa que é do município. Esse é o ponto geral. Outra coisa: os prefeitos têm que ter conduta e não dever às instituições e aos seus contratados. Foi isso que ele disse”, pontuou.

Vasconcellos continuou citando o reajuste pedido recentemente pela instituição e os motivos de chegar ao que pretendia a FESO. “Na época, o reajuste pedido era de 18,7%. Eu falei que não pagaria 18%, primeiro porque não havia condição, e segundo porque a inflação naquele ano foi perto de 5%. Fizemos então uma combinação e realizamos um reajuste próximo da inflação, mas não os 18%. Ficou condicionado que, se tivesse que ser 18%, isso seria decidido na Justiça. A lei me determina pagar a inflação; se o hospital tem custo maior, resolveríamos judicialmente. Houve uma primeira audiência em setembro e uma segunda em novembro, que encaminhou essa discussão para a data de hoje. Ali se falou do reajuste para que a instituição não tivesse perdas nem precisasse cortar recursos próprios para manter um contrato com a prefeitura. Seria necessário um acréscimo de quase 16%. Assim, além da inflação, haveria quase 16% de reajuste. Como a doutora Rosane disse, naquele momento se estabeleceu uma relação equilibrada: pode não dar lucro, mas não traria prejuízo à instituição”, explicou.
Situação da UPA foi citada
Antes de deixar a mesa principal da reunião, Vasconcellos lembrou o quadro que encontrou na Unidade de Pronto Atendimento e se posicionou em relação ao que tem sido feito. “Quando cheguei à UPA havia 47 pessoas internadas há mais de um mês. Hoje são cerca de 14, ainda é muito, mas reduzimos bastante. A UPA, inaugurada em 2008, não tinha manutenção adequada; havia condições precárias que levamos um ano para corrigir. Em três ou quatro meses será entregue reformada. O serviço público é uma obra eternamente inacabada. Convoco todos que quiserem ajudar a trabalhar junto conosco. Esse problema não é meu, é de Teresópolis. Não me furto ao debate. Poderia estar no gabinete, mas venho onde me chamarem. Quero ser o primeiro prefeito a sair sem dever à instituição. Tenho caráter, respeito as pessoas e não quero ver ninguém sofrer por desassistência. A desassistência existe por falta de recursos, não por maldade. Quem quiser debate político, debatemos. Na saúde, estou aqui para aprender e melhorar. Há trabalho para quem quiser ajudar”.





