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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Conversas entre amigos viram denúncias e seis vão para prisão

Operação do MP, Civil e Delegacia Fazendária leva a prisão preventiva vereadores de Teresópolis por irregularidades com dinheiro público

Anderson Duarte

No final do ano passado, uma série de denúncias apresentadas pelo político Mario Tricano contra alguns vereadores de Teresópolis, e que pareciam negociações entre correligionários, acabaram evoluindo para um extenso processo, hoje em segredo de Justiça, e que culminou nesta sexta-feira pela manhã na deflagração da Operação “Ananas”, em clara referência ao termo abacaxi, usado nas conversas como sinônimo de propinas. Agora, metade da Câmara de Vereadores está presa depois do término da ação do Ministério Público do Rio de Janeiro, do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça, da Delegacia Fazendária e da Polícia Civil. Os seis mandados de Prisão Preventiva expedidos em desfavor dos edis Claudia Lauand, Leonardo Vasconcellos, que ocupava a presidência com a ausência de Pedro Gil, Pastor Luciano, Rock e Ronny Carreiro, sendo que o vereador Dede da Barra foi encontrado pela policia internado na UPA, foram cumpridos ao longo do dia.
Após passagem pela Cidade da Polícia, na localidade do Jacaré, Zona Norte do Rio de Janeiro, os vereadores foram transferidos para unidade da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a SEAP, localizada em Benfica, também no Rio de Janeiro. Apenas Dedê da Barra continua internado na Unidade de Pronto Atendimento acompanhado de agentes do MP e Polícia Militar. Caso seja transferido para outra unidade, seguirá em custódia. Se receber alta, terá o mesmo destino dos colegas. Pastor Luciano teria sido preso por agentes da Polícia Reservada no final da tarde. Além das prisões, também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, um deles na própria Câmara, sem contar as residências e gabinetes dos mesmos. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do MP, comanda as ações de inteligência.

 


Segundo denúncias apresentadas pelo ex-prefeito Mario Tricano, os vereadores são acusados de associação criminosa para a prática dos crimes de concussão e peculato. Segundo o MP, ao longo das investigações foi comprovado que os vereadores teriam se unido para exigir do ex-prefeito Tricano a indicação de empresas a serem contratadas, sem as devidas licitações, para realização dos serviços de iluminação pública municipal, serviços de cemitério, estacionamento rotativo pago e saneamento básico no município. O conhecido pacote de terceirizações iniciado por Tricano e objeto das escutas divulgadas pelo político. Na época, apesar de sustentar que eram todos os edis envolvidos, o conteúdo divulgado para a imprensa envolveria apenas os parlamentares: Cláudia Lauand, Rock e Pastor Luciano, sendo que apenas dos dois primeiros foram expostas gravações feitas pelos suspeitos Raphael Teixeira e Carlos Dias. Entre os elementos expostos nas conversas estão alertas da aliada médica do PP, um pedido de nomeação para seu esposo e colocações quanto a pagamentos de propinas e nomeações em cargos comissionados. 
Em 2016, ano de eleição para prefeito, Mario Tricano recebeu de Claudia Lauand, R$ 20 mil como doações pessoais para a campanha do seu companheiro de partido no PP e o Pastor e vereador Luciano chegou a dizer em sua posse que Tricano seria uma espécie de “Pai Político” seu aqui em Teresópolis. Apesar de falar em negociações para benefícios em terceirizações futuras e implantação de empresas na cidade, Tricano não explicou porque deixou de pagar os hospitais, porque pagou dívidas de governos anteriores que ele mesmo julgava serem “suspeitas”, como deixou de lado o pagamento dos servidores públicos em detrimento a manutenção de inúmeros contratos questionáveis e onerosos na sua gestão este ano, entre outras questões emergenciais no município.
Mas, segundo o que foi ventilado por Tricano, Raphael Teixeira e Carlos Dias, ambos passaram a gravar conversas com os vereadores, entre agosto e outubro, e segundo o grupo Tricano, essas propinas partiriam de um pacote de concessões anunciado pela prefeitura. Claudia Lauand, em conversa com Teixeira, chegaria a chamar a Câmara de "graneira", e que o salário de um dos cargos indicados por ela no governo seria para o marido, o ex-vereador Gerson Ribeiro. “Eu já falei para Tricano, esta câmara é graneira. Se me ajudar com alguma coisa, eu vou aceitar, porque está ficando pesado para mim. O que eu ia falar com Tricano… Eu tenho que molhar a mão de Gerson, e o Gerson não sai barato, é meu marido e tudo, mas não foi de graça. Entendeu? O cargo maior que eu tenho eu estou dando para Gerson. Se eu falar que eu estou tirando R$ 5 mil aqui, eu to brincando contigo. Eu estou tirando meu salário, e só”, diz Claudia em gravação apesentada a imprensa da capital. A vereadora também afirma que a prefeitura deveria liberar subsecretarias para que os vereadores indicassem aliados ou distribuir participações nos pacotes de concessões e usa o termo "abacaxi" para ilustrar uma possível oferta de propina de empresários que participem das licitações.
Já Rock, diz ao secretário Raphael Teixeira que o ex-prefeito Arlei Rosa, cassado em 2016, conseguia manter boa relação com a Câmara através de pagamentos de 15 a 20 mil reais. Quando confrontado com a atual situação respondeu: “E como é que você vai defender um cara sem nada, Raphael? Isso não existe! Rapaz, qualquer vereador que ganhou esta eleição, eles esgoelaram, investiram, então ninguém tá aqui de graça, não, meu filho, e ninguém defende ninguém de graça”, diz o edil. Ainda segundo divulgado sobre o caso, a briga entre Tricano e os vereadores teria começado no primeiro semestre, após a Câmara aprovar a lei autorizando a prefeitura a fazer concessões para aumentar a arrecadação da cidade. A partir daí, segundo Tricano e seus companheiros, tudo teria mudado, sobretudo com os aliados, que teriam passado a cobrar mais apoio do governo.

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Edição 18/05/2024
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