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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Denúncia de fraude na prestação de contas da Tereprev

Presidente afirma que enrolou o Tribunal de Conta e confessa que iria forjar ata de reunião que não aconteceu

Wanderley Peres

Áudio vazado nesta quarta-feira, 7, nas redes sociais, de uma conversa da presidente da Tereprev, Doralice Veríssimo, em grupo de whatsapp, aponta para arranjos ilícitos que estariam acontecendo no fundo de pensão dos servidores públicos municipais. O material já havia sido encaminhado ao Ministério Público, que apura o caso, e foi entregue também à Câmara de Vereadores, onde corre o prazo de 90 dias para a investigação das responsabilidades do prefeito Vinícius Claussen nas supostas irregularidades do Tereprev.

“A página 9 é a única que tem exigências. As outras todas a gente já conseguiu enrolar o Tribunal. Eu vou passar as atas e o parecer do Tribunal de Contas para vocês entenderem o que é isso. E eu vou passar, então, uma que eu fiz como se tivesse havido uma reunião e que o Conselho Administrativo ratifica a aprovação da prestação de contas de 2017”.

Parte do áudio divulgado no programa Sérginho Mauro da Terê TV

No áudio completo, com 4 minutos e 16 segundos, de onde foi extraído o trecho da fala que viralizou nas redes sociais ontem, a presidente Doralice conversa com os membros do grupo, da Tereprev, anunciando que estava “com um pequeno problema aqui”, por causa da prestação de contas do ano 2017, conversa que teria ocorrido durante o período da pandemia, entre 2020 e 2021, provavelmente.

“O Tribunal aceitou todas as justificativas, mas como na prestação não ficou claro que era um parecer, eles estão implicando com isso. Me deram prazo e tenho que me virar para responder o mais rápido possível. Vou passar para vocês as atas e a exigência do TCE. O meu jurídico sugeriu, se vocês concordarem é óbvio, como quem dá o parecer é o Conselho Administrativo, a gente montasse uma ata como se tivesse ocorrido uma reunião ratificando aquelas duas reuniões em foi dividido o balancete… Se vocês tiverem com preguiça de ler tudo, a página 9 é a única que tem exigências. As outras todas a gente já conseguiu enrolar o Tribunal. Eu vou passar as atas e o parecer do Tribunal de Contas para vocês entenderem o que é isso. E eu vou passar, então, uma ata que eu fiz como se tivesse havido uma reunião e que o Conselho Administrativo ratifica a aprovação da prestação de contas de 2017”. Na fala completa, que O DIÁRIO teve acesso, e de onde foi extraído o áudio à solta na internet, a presidente Doralice anuncia, ainda, a necessidade de uma nova reunião, dando entender que a providência supostamente irregular seria recente. “Depois disso”, continua o áudio, “eu vou passar para vocês a prestação de contas de 2019, porque a gente vai ter que fazer uma reunião, vocês avaliam e a gente faz até uma reunião on line, se for o caso, todo mundo de máscara, aí vocês decidem”, é o resumo da conversa torta.

Entrevistada pelo programa Hélio Carracena, da tevê Diário, quando defendeu, semanas atrás, que nada havia de errado no fundo de pensão dos servidores municipais, contrariando as denúncias apresentadas aos vereadores e o próprio julgado do TCE, que por incongruências no Tereprev reprovou as contas do município de Teresópolis no exercício de 2020, a presidente Dora foi convidada para uma nova entrevista, diante do áudio vazado, não se interessando em falar à imprensa. “É algo fora de contexto, uma reunião de whatsapp com os conselhos, tanto que se refere a 2017, na pandemia”, disse, lembrando que o áudio já havia sido encaminhado ao prefeito, tempos atrás, e o assunto havia morrido. “Eu tenho as atas. O TCE não aceitava uma ata de reunião conjunta que havia sido feita em reunião dos conselhos administrativo e fiscal. O tribunal pediu a ata individual do conselho, só sobre esse assunto, por isso conversei com o grupo. Tenho os conselhos, que serão minhas testemunhas, e vou entrar com uma queixa crime em relação a isso aí, porque foi descontextualizado, e ainda puseram a minha foto como se fosse algo atual. Isso vai ter uma consequência jurídica, e quem compartilha também é culpado”, afirmou, confirmando que vai comparecer à reunião da Comissão Processante nesta quinta-feira, 8, embora tenha sido aconselhada a não comparecer.

Ex-secretários de Arlei, Jorge Mário e Petto vão depor na CP

Além da presidente Doralice, que é DAS-4 na administração municipal desde o tempo de Tricano, cargo de confiança agora por opção de Vinícius, outros dois cargos comissionados da prefeitura também vão depor nesta quinta-feira, na Câmara. Ambos remanescentes de governos passados, tidos por corruptos pelo atual prefeito, e mesmo assim os supostos responsáveis pelas desgraças de ex-prefeitos revezando nas secretarias de Planejamento e de Controle Interno: Yara Medeiros, que foi secretária de Jorge Mario e Arlei e Fabio Cunha, que foi secretário de Petto e Arlei.

Fabio Cunha há nove anos era secretário de Arlei e também foi convocado para dar explicações na Câmara para explicar contas reprovadas. Ex-secretários de Arlei e Jorge Mario são responsáveis pelo Planejamento e Controle interno do prefeito Vinícius Claussen – Arquivo

Nove anos atrás, na primeira semana de dezembro de 2013, o então secretário de Controle Interno, que agora terá que dar explicações como secretário de Planejamento, já havia sido convocado pela Câmara Municipal, para explicar as contas da Prefeitura em 2012, quando culpou a gestão anterior, de Jorge Mario. Na oportunidade, Fabinho anunciou suposta evolução financeira do município a partir do momento em que o prefeito Arlei assumira o cargo interinamente e, em defesa do prefeito que foi depois cassado justamente pelas inconsistências e irregularidades no Tereprev, em consequência da reprovação das contas que havia defendido como boas, ele foi exonerado do cargo em 2015, voltando à prefeitura em 2018 para servir ao atual governo.

A gestão anterior, a qual se referia o ex-secretário de Arlei e de Roberto Petto aos vereadores, era a de Jorge Mário, prefeito que o colocou à disposição enquanto durou o mandato, período em o servidor foi lotado na secretaria de Educação, onde teria deixado a secretária em maus lençóis por conta de irregularidades na contratação da empresa da merenda.

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Edição 24/02/2024
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