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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Detritos retirados do Paquequer são “esquecidos” em via pública

INEA diz que depende de autorização da prefeitura e montanha de resíduos fica cada vez maior

Desde meados de outubro, maquinário do Instituto Estadual do Ambiente (INEA-RJ) tem sido utilizado para limpar trechos do principal curso d´água do município, o Paquequer. Aguardada há anos, ação é fundamental para tentar diminuir os problemas causados pelas cheias no período chuvoso. Porém, apesar de essencial, tal ação do órgão estadual tem sido motivo de reclamações em Teresópolis. Isso porque desde que começaram a ser retiradas do trecho entre os bairros de Fátima e Beira-Linha, montanhas de resíduos de todo o tipo, misturados a muita terra e pedras, têm sido deixados às margens da Rua Josepha Jorge Copello, outrora chamada Beira Rio justamente por ser margeada pelo Paquequer.
Em contato com a redação do Diário, moradores da vizinhança questionaram a política de deixar às margens do rio material que pode ser arrastando novamente para dentro dele em caso de chuva forte – como tem ocorrido nos últimos dias, além da prática incentivar o descarte de outros resíduos por parte da população em uma área onde por muitos anos essa prática foi um grande problema. “Tiram do rio e deixam ao lado do rio, não dá para entender. Aos poucos, vai caindo novamente e eles terão que limpar de novo. Fora a vergonha que fica essa montanha de detritos ao lado de uma rua como a nossa”, pontuou uma senhora que mora próximo ao local. Outro leitor do Diário, Antenor Santana relata já ter cobrado a retirada das montanhas de detritos da antiga Beira Rio. “Só prometem, mas não tiram nada. E desde que passaram a jogar os entulhos do rio aqui, as pessoas começaram a colocar lixo de novo, já tem sofá velho, colchão, material de obra, e a culpa é de quem?”, questionou.
Na semana passada, cobramos um posicionamento do Instituto Estadual do Ambiente sobre a situação. Em nota encaminhada para o Diário, o Inea alegou aguardava a autorização da prefeitura para destinação final dos resíduos e que começaria o processo ainda naquele dia. Porém, uma semana depois nada foi retirado.

O erro do INEA tem incentivado o descarte de outros resíduos por parte da população em uma área onde por muitos anos essa situação foi um grande problema. Foto: Marcello Medeiros/Diário

Mais sobre o Limpa Rio
O programa Limpa Rio tem atuado no Rio Paquequer desde outubro deste ano. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente, somente no primeiro mês a iniciativa retirou 4.560m3 de sedimentos. O foco principal é evitar que transtornos como do dia 31 de outubro voltem a acontecer na cidade, por isso, o objetivo é mitigar as inundações decorrentes do transbordamento de rios e canais. Além de atuar na Barra do Imbuí, nas proximidades do Corte da Barra e no Alto, o programa também está com uma frente de trabalho no Lago Iacy, na Granja Guarani, espaço que foi projetado para ser um dos grandes atrativos turísticos e hoje reflete total abandono.
No lançamento dessa etapa do programa, em setembro, o secretário de Ambiente e Sustentabilidade e vice-governador, Thiago Pampolha, disse que o Governo do Estado está cada vez mais perto dos que necessitam desse projeto. “O Limpa Rio é fundamental para levar segurança ambiental e qualidade de vida à população, identificando, planejando e executando a limpeza e desassoreamento dos rios com histórico de transbordamentos. Assim, vamos atuar em todo o estado para minimizar o impacto das fortes chuvas”, declarou. Só no primeiro semestre deste ano, o Programa Limpa Rio beneficiou 401 rios e canais de 50 cidades fluminenses, com a limpeza e o desassoreamento de trecho de 183 quilômetros desses corpos hídricos. As intervenções retiraram 491.775 metros cúbicos de sedimentos para destinação ambiental adequada.

Em contato com a redação do Diário, moradores da vizinhança questionaram a política de deixar às margens do rio material que pode ser arrastando novamente para dentro dele em caso de chuva forte. Foto: Marcello Medeiros/Diário

Divisão de responsabilidades
Logicamente, retirar terra, pedra e lixo de dentro do rio e abandonar às margens de uma via pública não é o procedimento correto. Sequencialmente, tal material já deveria ser levado para o antigo aterro sanitário, atualmente lixão do Fischer, ou para algum depósito desse tipo de material autorizado pelo município. Mas, analisando o que tem sido retirado do Paquequer e o que foi jogado na mesma rua pela população, se percebe que ainda é grande o número de pessoas que agem como fosse apenas do poder público a responsabilidade de manter rios e ruas limpos. Ainda há muita gente que acha “normal” jogar uma sacola de lixo dentro do Paquequer ou deixar em uma calçada ou lateral de uma rua bem longe dos seus olhos o que não lhe interessa mais. Respeitar a natureza é respeitar as nossas futuras gerações, mas infelizmente boa parcela da população teresopolitana parece não acreditar em um futuro melhor para seus filhos e netos.


Edição 24/02/2024
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