Maria Eduarda Maia
Teresópolis passou a contar recentemente com um corredor exclusivo para ônibus na Avenida Lúcio Meira, trecho da popular Reta, uma medida pensada para melhorar a fluidez do transporte coletivo e reduzir o tempo de viagem dos passageiros que circulam diariamente por um dos trechos mais movimentados da cidade. No entanto, fora desse eixo, nos bairros o cenário é bem diferente: carros mal estacionados acabam dificultando a passagem dos ônibus, provocando atrasos e transtornos tanto para motoristas quanto para passageiros, que sentem os impactos ao longo do trajeto. Pensando em chamar a atenção para esse problema cotidiano, as empresas de ônibus do município, a Dedo de Deus e a Primeiro de Março, lançaram uma campanha de conscientização. A ação foi produzida por meio de um vídeo humorado publicado nas redes sociais para alertar motoristas sobre como o estacionamento irregular interfere diretamente no transporte público e na rotina de quem depende dos coletivos.

De forma leve, o vídeo retrata situações comuns enfrentadas pelos condutores de ônibus e pelos passageiros, muitos atrasados para o trabalho e outros compromissos, reforçando a importância de atitudes simples no trânsito para garantir mais fluidez dos coletivos, como a de estacionar no local adequado. “Infelizmente não vai dar para a gente passar. Vamos precisar aguardar porque tem um carro mal parado, estacionado em um lugar errado. Assim, o ônibus não consegue passar. Infelizmente, vamos ter que esperar a boa vontade do moço para tirar o carro dali”, informa o motorista. “Pessoal também não tem senso nenhum”, completa um passageiro. Ainda durante o vídeo, é ressaltado que a secretaria de Segurança Pública está reforçando a fiscalização dessas irregularidades para evitar esse tipo de situação.


As empresas de ônibus do município, a Dedo de Deus e a Primeiro de Março, lançaram uma campanha de conscientização sobre o estacionamento irregular por meio de um vídeo humorado publicado nas redes sociais, retratando situações comuns enfrentadas pelos condutores de ônibus e pelos passageiros. Foto: Reprodução / VDDL/1º de Março
Impactos das irregularidades
Em entrevista recente ao Diário, o gerente de operações das duas empresas, Alvanir Junior, detalhou os impactos dessa prática irregular no funcionamento do sistema de transporte público. “O que a gente tem é que, com veículos mal estacionados e os ônibus ficando retidos em certos pontos, acabam ocorrendo atrasos que interferem diretamente no passageiro. Ao final do dia, esses cinco ou dez minutos acumulados podem significar a perda de duas a três viagens no total da operação”, explicou. Segundo Junior, os problemas se concentram em regiões mais altas do município, como Loteamento Féo, Vila Muqui, Paineiras e Bairro dos Funcionários, áreas onde os carros estacionados dos dois lados da via impedem a manobra e a passagem dos ônibus.

Problema desencadeia outros
Ainda segundo Alvanir Junior, outro reflexo do problema é o chamado “efeito comboio”, quando vários ônibus acabam trafegando juntos, desorganizando ainda mais os horários e impactando o trânsito da cidade como um todo. “Quando o ônibus não consegue passar, além de gerar atrasos, há também risco de acidente ou atropelamento. Em situações assim, interrompemos o itinerário, avisamos no site da empresa e comunicamos a Guarda Civil Municipal, através da Secretaria de Segurança, para que sejam tomadas as devidas providências”, pontuou.

Motoristas são treinados
Apesar do treinamento constante dado aos motoristas para lidarem com manobras difíceis, a empresa afirma que muitas vezes é impossível contornar os obstáculos, reforçando que os maiores prejudicados são os próprios usuários. “Temos uma programação de viagens e de carregamento de passageiros. Quando uma viagem é cancelada, o prejuízo não é só na nossa imagem. É, principalmente, de quem está esperando por um serviço que não chega”, lamentou.







