Maria Eduarda Maia
As tempestades e descargas atmosféricas podem provocar danos à rede elétrica e interrupções no fornecimento de energia. Em Teresópolis, os impactos desse tipo de ocorrência aumentaram nos primeiros nove meses de 2026: 14.701 clientes da Enel Rio foram afetados entre janeiro e setembro, um crescimento de 85,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 7.927 clientes afetados. No intervalo, o município registrou 14.804 raios atingindo a redes da concessionária.
O cenário local acompanha o aumento dos impactos causados por descargas atmosféricas na rede elétrica em todo o estado. De acordo com dados do Sistema de Alerta e Monitoramento da concessionária, mais de 820 mil clientes foram afetados por ocorrências desse tipo nos municípios atendidos pela empresa entre janeiro e setembro deste ano. O total representa um crescimento de 283% em relação ao mesmo período de 2025.

Mais de 2.600 ocorrências na rede elétrica
Nos 66 municípios da área de concessão da Enel Rio, foram registradas mais de 2.640 ocorrências na rede elétrica provocadas por descargas atmosféricas entre janeiro e setembro de 2026. O número é 12% superior ao registrado nos mesmos meses do ano passado. No período, aproximadamente 686 mil raios atingiram os municípios atendidos pela distribuidora, um aumento de 24% em relação a 2025. Macaé, Magé, Cantagalo, Itaperuna e Araruama concentram, juntas, 56% das descargas atmosféricas contabilizadas na área de concessão.

Já em relação ao número de clientes impactados por ocorrências com raios, Cabo Frio aparece na primeira posição, seguida de Araruama e Santo Antônio de Pádua e região. Macaé e Campos dos Goytacazes contemplam a lista dos cinco municípios com mais unidades consumidoras afetadas.
Estado está entre os que mais registram raios
O Rio de Janeiro está entre os estados brasileiros com maior densidade de descargas atmosféricas, ao lado do Rio Grande do Sul e do Amazonas, com média de 24 raios por quilômetro quadrado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pela concessionária. O Brasil, por sua vez, lidera o ranking mundial de incidência de raios em números absolutos. Dados recentes do instituto apontam que o país registra cerca de 100 milhões a 150 milhões de descargas elétricas por ano.
Riscos das descargas atmosféricas
Além dos impactos na rede elétrica, os raios oferecem riscos à população e ao patrimônio. As descargas atmosféricas podem causar ferimentos graves, mortes, incêndios e danos às estruturas das edificações. O engenheiro elétrico e de segurança Henrique Rodrigues, credenciado pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, alerta para a dificuldade de prever o local exato em que um raio vai atingir. “Você não tem como identificar o local e o horário em que vai acontecer. Há o risco de ferir uma pessoa ou até mesmo levar à morte, além dos danos ao patrimônio e à estrutura da edificação”, explica, em entrevista ao Diário.

Como se proteger durante tempestades
A prevenção também envolve a instalação de sistemas de proteção adequados às características de cada imóvel. Segundo Henrique Rodrigues, edificações como condomínios e galpões precisam contar com medidas de segurança compatíveis com as normas técnicas e as exigências do Corpo de Bombeiros. “Primeiro passo: faça contato com o engenheiro eletricista e solicite um estudo da sua edificação. O profissional vai avaliar a estrutura, elaborar um projeto e emitir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), indicando qual tipo de proteção é necessário”, orienta. Entre os sistemas utilizados estão os para-raios e os aterramentos adequados. O especialista destaca que a proteção deve seguir as normas técnicas aplicáveis, como a NBR 5419, que trata da proteção contra descargas atmosféricas, e a NBR 5410, referente às instalações elétricas de baixa tensão.
Dentro de casa, a orientação é evitar o uso de equipamentos elétricos durante tempestades e manter distância de materiais metálicos. Também é importante não permanecer em locais abertos, como quintais, onde uma pessoa pode ficar exposta como o ponto mais alto do terreno. “Evite estar em contato com materiais metálicos e usar equipamentos elétricos nesses momentos. Também não fique em um quintal amplo como o ponto mais alto do local, porque existe o risco de uma descarga atingir essa área”, alerta o engenheiro.
Desligue tudo
A Enel Rio também recomenda desconectar aparelhos elétricos e eletrônicos das tomadas, quando isso puder ser feito com segurança antes da tempestade, e evitar reparos nas instalações elétricas durante o temporal. Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), instalados corretamente, podem ajudar a reduzir danos provocados por picos de tensão.
Monitoramento e investimentos na rede
Para reduzir os impactos das tempestades no fornecimento de energia, a Enel Rio utiliza um sistema de monitoramento que acompanha chuvas, descargas atmosféricas, ventos fortes e queimadas. O trabalho é realizado em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Climatempo, com o objetivo de antecipar situações de risco e minimizar danos à rede elétrica. A concessionária também informa que realiza investimentos na modernização da infraestrutura, incluindo a instalação de equipamentos automatizados, o reforço da rede e a adoção de tecnologias para identificar e solucionar falhas com mais rapidez.




