Registrados nas 110ª DP, em Teresópolis, mais dois casos de estelionato envolvendo falsas comunicações sobre processos judiciais. Em um deles, um morador perdeu R$ 18.948,50 após receber mensagens e participar de uma ligação pelo WhatsApp com pessoas que se passaram por representantes do Poder Judiciário. Em outra ocorrência, um homem relatou ter recebido uma solicitação de R$ 1.800 de um indivíduo que se apresentou como seu advogado.
Na primeira ocorrência, o comunicante, que possui deficiência visual monocular, contou que havia entrado com uma ação judicial contra uma plataforma de comércio eletrônico após não receber um produto comprado. Por volta das 16h25, recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um desconhecido que demonstrava conhecer informações sobre o processo e afirmou que a ação havia tido resultado favorável. O suspeito alegou que seria necessário participar de uma audiência com um juiz e a advogada responsável pelo caso. Em seguida, orientou a vítima a realizar procedimentos que seriam destinados à proteção de saldo bancário e à declaração de valores, supostamente para evitar descontos de impostos e taxas.
Por volta das 17h, o morador participou de uma ligação pelo aplicativo, durante a qual outro indivíduo se apresentou como juiz responsável pelo procedimento. Convencido de que se tratava de uma situação legítima, ele realizou três transferências via Pix, utilizando sua conta do Banco Inter. Os valores foram destinados a contas vinculadas à Stone IP S.A. e a uma empresa de assessoria financeira, totalizando R$ 18.948,50.
Após as operações, o comunicante desconfiou da abordagem e procurou o banco para solicitar o cancelamento das transferências e a abertura de um procedimento pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), na tentativa de recuperar o dinheiro. Até o registro da ocorrência, não havia confirmação de restituição dos valores.
Mais um suspeito se passou por advogado
No segundo caso, um morador relatou ter recebido uma ligação pelo WhatsApp de um homem que se apresentou como seu advogado. O interlocutor afirmou que o processo judicial no qual a vítima aguardava o recebimento de valores havia tido resultado favorável e que seria necessário pagar R$ 1.800 via Pix para liberar a quantia. Acreditando estar em contato com seu representante legal, o comunicante seguiu as orientações inicialmente. Ele começou a desconfiar da situação quando o suposto advogado deixou de responder às mensagens. O registro policial não esclarece se a transferência chegou a ser realizada.
OAB faz alerta e dá dicas
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) alerta para o aumento dos golpes praticados por criminosos que se passam por advogados, juízes e representantes de escritórios para cobrar pagamentos indevidos de pessoas que aguardam valores de processos judiciais. Somente até julho passado, a entidade havia recebido mais de duas mil denúncias desse tipo de fraude no estado. Em outubro, foi sancionada a Lei Estadual nº 11.334/2026, que institui uma política de prevenção e combate a fraudes processuais eletrônicas e ao golpe do falso advogado.
Em Teresópolis, a 13ª Subseção da OAB também vem alertando para a sofisticação das abordagens. O presidente da entidade no município, Édio de Paula, destacou anteriormente que os criminosos utilizam informações reais de processos, nomes e imagens de advogados e até recursos de inteligência artificial para convencer as vítimas. A orientação é confirmar pessoalmente ou por canais de contato já conhecidos qualquer solicitação de pagamento.
Como se proteger
Não faça transferências via Pix para supostamente liberar indenizações ou valores judiciais sem confirmar a solicitação diretamente com seu advogado. Em caso de suspeita, registre boletim de ocorrência e denuncie à OAB-RJ pelo e-mail corregedoria.denuncia@oabrj.org.br ou pelo telefone (21) 2730-6525. Também é possível verificar a identidade profissional por meio da plataforma.




