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Golpes digitais: especialista explica o que fazer se você for vítima de uma fraude

Estelionatários se sofisticam e exploram urgência, medo e confiança das vítimas em todo o país

Isla Gomes

Os golpes digitais estão cada vez mais sofisticados e podem atingir pessoas de diferentes perfis. Com o uso cada vez mais frequente de smartphones para operações bancárias, compras e comunicação, criminosos encontram novas formas de criar situações aparentemente verdadeiras para convencer as vítimas a entregar informações ou realizar pagamentos. De acordo com a advogada Raquel Menezes, especialista na área cível e integrante da MVM Advogados, uma das principais características dos golpes atuais é a tentativa de induzir a vítima a tomar uma decisão rapidamente. Em muitos casos, não é necessário que o criminoso invada uma conta bancária. A própria vítima, convencida pela abordagem, acaba realizando uma transferência ou fornecendo informações. “Os criminosos tentam criar uma situação aparentemente verdadeira pra induzir a vítima tomar uma decisão rápida”, explica a especialista. A estratégia utilizada pelos golpistas é conhecida como engenharia social. A técnica explora reações e emoções humanas para fazer com que uma comunicação falsa pareça legítima. Entre os recursos mais comuns estão a criação de uma situação de urgência, o uso do medo e a tentativa de transmitir confiança ou autoridade.

Uma pessoa pode, por exemplo, receber uma ligação informando sobre uma suposta compra suspeita em sua conta e sendo orientada a agir imediatamente. Outra possibilidade é receber uma mensagem de alguém que se apresenta como familiar e afirma estar enfrentando uma emergência. Segundo Raquel, também são frequentes os golpes em que criminosos se passam por profissionais ou instituições. Um exemplo citado por ela envolve pessoas que se apresentam como advogados e informam à vítima sobre um suposto processo ou uma indenização que teria sido ganha.

Desconfie
A orientação é desconfiar principalmente quando a comunicação exige uma ação imediata. “Quando alguém exige que você faça uma transferência imediatamente, fornecendo códigos, senhas e dados, ou então clicar em algum tipo de link, é sempre importante verificar essa informação”, afirma. Outro ponto importante é que a realização voluntária de uma transferência não significa, automaticamente, que a vítima perdeu qualquer possibilidade de buscar a recuperação do prejuízo. A análise depende das circunstâncias específicas de cada caso. “Não existe uma resposta única, a gente não pode dizer que a culpa é sempre da vítima ou que a culpa é necessariamente do banco envolvido”, destaca a advogada. Entre os fatores que precisam ser analisados estão a forma como a fraude aconteceu, a existência ou não de falhas na prestação do serviço ou nos mecanismos de segurança, as instituições e empresas envolvidas e as providências tomadas pela vítima depois de identificar o golpe.

O que fazer depois de cair em um golpe
A rapidez pode ser determinante depois que a vítima percebe que foi enganada. A primeira recomendação é interromper o contato com o criminoso e comunicar imediatamente a instituição financeira, empresa ou plataforma relacionada à fraude. Em casos envolvendo Pix, a vítima deve procurar o banco o quanto antes e comunicar o ocorrido para verificar os mecanismos disponíveis para contestação e eventual devolução dos valores. A possibilidade de recuperação depende das circunstâncias do caso e não é automática ou garantida. “Tem mecanismos dentro do Banco Central que, dependendo de como aconteceu a situação, é possível reaver esse dinheiro”, explica Raquel.

Guarde provas
Além de comunicar a fraude, é fundamental preservar as provas. Prints de conversas, mensagens, números de telefone, links utilizados, e-mails, comprovantes de pagamento e outros registros podem ajudar na tentativa de solucionar o problema pelos canais administrativos e, se necessário, na adoção de medidas judiciais. A orientação jurídica pode ser necessária quando a vítima não consegue resolver a situação diretamente com a instituição envolvida, especialmente diante de prejuízos relevantes ou quando existem dúvidas sobre quem pode ser responsabilizado. Segundo a especialista, cada fraude apresenta uma dinâmica própria. Por isso, antes de definir quais medidas podem ser tomadas, é necessário reconstruir o que aconteceu, identificar como o pagamento foi realizado, verificar quais instituições ou empresas participaram da operação e reunir adequadamente os documentos e demais evidências. “É importante verificar como ocorreu a fraude, de que forma o pagamento foi realizado, quais as instituições e as empresas que participaram daquela operação”, orienta.

Prevenção
A prevenção continua sendo uma das principais ferramentas contra esse tipo de crime. Mensagens inesperadas, pedidos urgentes de transferência, solicitações de códigos ou senhas e links recebidos sem contexto devem ser tratados com cautela. Antes de tomar qualquer decisão, a recomendação é interromper a conversa e procurar diretamente a instituição ou pessoa envolvida por um canal oficial. Para Raquel, a orientação também deve ser buscada diante dos primeiros sinais de dúvida, sem esperar que o prejuízo aumente ou que as possibilidades de solução sejam reduzidas. “Não esperar que a situação se torne ainda mais difícil e desde o primeiro momento que surgiu alguma dúvida já procurar uma orientação jurídica”, conclui.

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Teresópolis 01/10/2026
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