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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Idosa de 81 anos realiza o sonho de cursar uma universidade em Nova Friburgo

Aluna do 5º período do curso de Licenciatura em Pedagogia da UERJ, ela é a universitária mais velha da unidade do Cederj l

Dona Marlene Vicente, uma senhora negra de 81 anos, é uma inspiração para os moradores mais jovens da cidade de Nova Friburgo. Aluna do 5º período do curso de Licenciatura em Pedagogia da UERJ, ela é a universitária mais velha da unidade do Cederj localizada no município da região serrana do estado do Rio de Janeiro.
Ela nasceu e foi criada em Nova Friburgo, tem duas filhas, sete netos e dois bisnetos. É membro de uma família negra pobre, cuja realidade contrastava, em termos de oportunidades socioeducacionais, com a de outros moradores da cidade que foi a primeira colônia de imigrantes suíços do Brasil, fundada por D. João VI, em 1818, onde viviam os povos originários Puri e Guaiacás, que também foram perdendo espaço para outras levas de estrangeiros, a partir da chegada de alemães, italianos, portugueses e sírios.

Dona Marlene recorda que quando era pequena a principal orientação que recebia dos pais era em relação ao trabalho, sinônimo de garantia da sobrevivência. Estudar, para alguém com a sua origem, se constituía uma possibilidade muito distante da realidade, por isso, foi forçada a abandonar os estudos, pela primeira vez, quando concluiu as séries do ensino fundamental.

“Eu fui criada com muito sacrifício, a minha mãe me criou com muita dificuldade. Aí os anos se passaram e eu comecei a estudar na escola primária, depois fui para o antigo ginásio. Depois, o tempo foi passando, e a gente sempre lutando com muita dificuldade. Então, eu parei de estudar”, explicou.

Dificuldades

Ela lembrou que na sua época as crianças e os jovens não tinham as mesmas oportunidades como as que existem hoje. “No meu tempo, eu não tinha acesso ao material escolar como as crianças têm hoje em dia. Se eu precisasse de um caderno, uma borracha, minha mãe e meu pai não tinham condições de comprar pra mim. Às vezes, eu chegava na escola e tinha que pegar uma folha com um colega emprestado para poder escrever. Até lápis eu usava emprestado”, recordou.

Durante a infância e adolescência, Dona Marlene sempre escutou que estudar era coisa para quem pertencia ao círculo de pessoas abastadas. “Diziam que a universidade era para rico, para quem tinha dinheiro. Eu me lembro disso. Não tinha a oportunidade que tem hoje para uma pessoa da minha cor (Dona Marlene se autodeclara como negra) entrar para a universidade. Naquele tempo não tinha cota para negros, era muita dificuldade”, afirmou.
Depois de um longo ciclo sem ir à escola, Dona Marlene voltou à sala de aula exatamente quando chegou aos 60 anos. “Fui fazer o ensino médio e terminei aos 65 anos. Depois disso, eu comecei a me interessar em fazer a graduação”, contou.

A volta por cima aconteceu quando ela conheceu o curso preparatório Pré-Vestibular Cecierj, que à época se chamava Pré-Vestibular Social. Aí as coisas começaram a mudar. “Foram dois anos estudando, durante os quais eu fiquei sabendo do Cederj, por meio dos professores que me incentivaram a estudar e a continuar tentando ingressar no curso superior”, disse a estudante.

Em 2024, aos 79 anos, ela foi aprovada no Vestibular Cederj, no curso EaD de Licenciatura em Pedagogia da UERJ.  “Quando os professores falavam eu ficava toda animada, eu já gostava do Cederj. Deus me ajudou e eu passei”, afirmou. “Eu me senti muito feliz, porque quando eu era mais nova não tinha tido essa chance. A oportunidade que o Cederj oferece para alguém cursar uma faculdade é muito boa, porque encaminha a pessoa para algo muito importante, para uma situação melhor”, declarou.

Desafios

Durante todo o percurso que fez até ser aprovada no Vestibular Cederj, Dona Marlene teve muitos gargalos a superar, desde a sua condição sociorracial até o fator geracional devido à idade. Mas se sente confortada, porque alcançou o objetivo de se tornar universitária.

“Dona Marlene é uma aluna muito dedicada, que desde o momento que ela entrou aqui na faculdade ela tinha muita sede de conhecimento. Ela superou o desafio tecnológico, porque não utilizava computador, tablet e muito pouco o celular. Teve que aprender a usar tudo isso, a plataforma do Cederj, enviar e receber e-mails, tudo com muita dificuldade. Com muita dedicação, ela tem tido um resultado muito positivo”, disse a tutora Viviane Tavares que a acompanha.  
Quando foi indagada em relação ao seu ingresso em um curso do Cederj ela diz: “Para mim significou muito, porque uma pessoa como eu que veio de uma família carente, com a idade e as dificuldades todas que eu passei, chegar até aqui é uma grande vitória”.

Dona Marlene disse que pensa em continuar estudando quando chegar ao final da graduação. No momento, ela está pensando em fazer um curso de inglês. “Eu gosto muito de línguas e até sei um pouquinho de inglês. Comecei a estudar, mas não pude continuar porque o curso era pago. Mas também pretendo continuar estudando e fazer outro curso mais à frente, uma pós-graduação. Eu peço a Deus todo dia para me dar força, mais vida e saúde para eu poder chegar até lá”.

Teresópolis 26/03/2026
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