Os cinco homens presos em flagrante acusados de participarem de ataque a uma mulher trans, de 32 anos, em Teresópolis, ficaram presos após passarem por audiência de custódia, nesta segunda-feira (31). O judiciário corroborou o que foi apresentado pela investigação da Polícia Civil, que apresentou dados sobre o esfaqueamento ocorrido após uma batalha de rimas em Santa Cecília e a informação de que o bando estaria, há meses, praticando crimes de ódio contra mulheres, homossexuais e negros, envolvendo situações de apologia ao nazismo no município. “Nós tínhamos a informação de que uma mulher trans tinha sido esfaqueada e cinco pessoas tinham sido detidas. Durante o depoimento, foi verificado que um desses um desses cinco teria praticado a ação de esfaquear a mulher trans. Mas, tendo em vista que tínhamos informações de que havia um grupo na cidade fazendo discurso de ódio contra mulheres, negros e homossexuais, nós decidimos prender os cinco. Entendemos que os outros quatro também estavam agindo em concurso de pessoas. Por isso, os cinco foram presos por tentativa de feminicídio, mesmo apenas um deles tendo praticado a ação de esfaquear. A Justiça já se manifestou na audiência de custódia e manteve a prisão dos cinco, convertendo o flagrante em prisão preventiva. Eles vão responder agora como maiores”, relatou ao Diário o Delegado Titular da 110ª DP, Marcio Dubugras.
As prisões dos acusados foram realizadas pelo 30º BPM nas proximidades da Feirarte, na Praça Higino da Silveira, no Alto, na madrugada de sábado (29). Segundo a investigação, a vítima foi atingida na região das costelas e teve o pulmão perfurado. Ela foi socorrida e permanece internada no Hospital das Clínicas Constantino Ottaviano (HCTCO) e o estado de saúde é considerado estável. Em nota divulgada nas redes sociais, os responsáveis pela organização da batalha de rimas onde teve início a confusão informaram que o bando surgiu no local e começou a assediar as participantes, iniciando uma discussão e atacando em seguida a vítima pelas costas.
Também nas redes sociais, o Coletivo LGBT Terê prestou solidariedade à vítima e reforçou o enfrentamento a esse tipo de conduta, citando ocorrências anteriores denunciadas à polícia: “Quantos alertas ainda seriam necessários? Não podemos normalizar o neonazismo, a transfobia e a violência. Não vamos aceitar que pessoas LGBTQIA+, militantes, mulheres trans, pessoas negras ou qualquer pessoa que se coloque contra o fascismo seja perseguida, ameaçada ou atacada nas ruas de Teresópolis. Não vamos abaixar a cabeça. Não vamos nos calar. Não vamos aceitar a intimidação como método político. E que fique absolutamente claro, NÃO HÁ DIÁLOGO COM NAZISTA”.

Já havia inquérito para casos de apologia ao nazismo
Ainda na entrevista à Diário TV, Márcio Dubugras confirmou a investigação sobre a grave situação de apologia ao nazismo e que a Polícia Civil, meses atrás, pediu a prisão do suposto líder e mandados de busca e apreensão nas residências dos denunciados, que estariam utilizando principalmente redes sociais para cometer os crimes. “Temos inquérito instaurado na delegacia para fazer o levantamento dessa informação, com solicitação às redes sociais para que informem quem são as pessoas utilizando essas contas. Fazer apologia ao nazismo configura o crime da Lei de Racismo, e eles vão responder por penas muito altas por esse tipo de conduta. Um dos presos, inclusive o que praticou a ação de esfaquear, já tinha sido investigado pela gente. Pedimos a busca e apreensão na casa dele e também a sua prisão. Naquela oportunidade, a Justiça concedeu a busca e apreensão, apreendemos o celular dele, mas houve o entendimento do judiciário de não conceder a prisão”, destacou o Delegado. “A participação da população é fundamental. Chegamos à conclusão de que havia um grupo atuando porque uma pessoa noticiou lá atrás que havia indivíduos fazendo esse tipo de apologia perto da rodoviária. No final de semana, os cinco foram detidos usando calças camufladas e botas, o que tem relação direta com o que já vinha sendo apurado. Isso serve para formar a nossa convicção.”, completou a autoridade policial do município. Com a decisão da Justiça de manter o grupo preso, os cinco jovens foram levados para unidade prisional da Polinter, no Rio de Janeiro.




