Maria Eduarda Maia
Na última semana, o Diário repercutiu o caso de um estudante de 17 anos, portador de deficiência intelectual, que foi violentamente agredido por outro aluno dentro de uma escola estadual em Teresópolis. O jovem sofreu múltiplas fraturas no rosto e precisou passar por cirurgia. Nesta segunda-feira (14), a reportagem ouviu a mãe do adolescente, que falou sobre o estado de saúde do filho, os questionamentos da família em relação à atuação da escola e os próximos passos do caso.
Segundo a mãe, o filho ainda enfrenta dificuldades decorrentes dos ferimentos e da cirurgia. “Após a cirurgia, ele ainda está com dores, sente bastante dor, está com dificuldade para se alimentar e psicologicamente extremamente abalado. Está assim, indescritível”, relatou.
Família questiona atendimento prestado pela escola
Um dos principais questionamentos apresentados pela família é relacionado ao atendimento prestado ao adolescente imediatamente após a agressão. A mãe afirma que foi comunicada pela direção e se deslocou até a unidade de ensino, mas que, ao chegar, encontrou o filho ferido e sem que uma ambulância tivesse sido acionada. Segundo ela, o estudante foi levado posteriormente ao Posto de Saúde Eithel Abdalah, no bairro São Pedro, onde recebeu atendimento e, depois, foi encaminhado ao Hospital das Clínicas Constantino Ottaviano (HCTCO). “Quando eu cheguei na escola, que eu vi o estado do meu filho, eu fiquei um tanto quanto aborrecida e assustada com a negligência da escola”, afirmou.
A mãe também questiona o fato de o registro policial não ter sido realizado pela unidade de ensino no mesmo dia. Ela conta que foi à 110ª Delegacia de Polícia no dia seguinte para registrar a ocorrência. “Eu fui à delegacia fazer o registro de ocorrência, o que também me causou bastante estranheza a escola não ter registrado no dia o ocorrido”, disse.

Família busca registros da agressão
Após registrar a ocorrência, a mãe também procurou a escola para solicitar a preservação das imagens das câmeras que poderiam auxiliar na investigação. Segundo a mãe, o Conselho Tutelar entrou em contato diretamente com ela nesta segunda-feira. Ainda de acordo com o relato, uma primeira reunião com o órgão foi marcada para o dia 22 deste mês.
De acordo com a mãe, após o registro de ocorrência e sua ida à unidade, a diretora voltou a fazer contato com ela. Ela afirma, porém, que esse contato ocorreu pelo telefone pessoal da diretora e que não teria recebido posteriormente acompanhamento mais amplo da equipe pedagógica.
“Não havia histórico de conflito”, diz a mãe
A mãe afirma ainda que o filho não possuí histórico de conflitos com o adolescente apontado como autor da agressão. “Meu filho nunca trocou nenhuma palavra com esse menino”, afirmou. A família recebeu posteriormente informações de outros estudantes que, segundo a mãe, não quiseram ser identificados por medo.
Conforme o relato repassado à família, os dois adolescentes estariam participando de um grupo que apresentava um trabalho durante uma feira de ciências. A mãe conta que foi informada de que a confusão teria começado depois que o filho pegou um pirulito que estava sendo consumido pelos demais estudantes. “Meu filho pegou um pirulito e o menino não gostou”, contou.
Ainda segundo as informações recebidas pela família, o adolescente teria desferido um soco contra o jovem, que caiu no chão, e continuado as agressões. ‘Meu filho caiu e ele continuou batendo. Foi quando os outros alunos começaram a gritar e chamaram a professora”, relatou a mãe.
Segundo ela, a professora não estava na sala no momento inicial da agressão e teria chegado após os pedidos de ajuda dos estudantes, conseguindo separar os dois adolescentes. As circunstâncias exatas da agressão, entretanto, ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil.
Família não pretende que jovem retorne à escola
Questionada sobre os próximos passos e sobre a possibilidade de retorno do filho à rotina escolar, a mãe afirmou que ele não deverá voltar à unidade onde ocorreu a agressão. A alternativa estudada neste momento seria a continuidade dos estudos por outra modalidade. “Ele não vai voltar à escola nem na mesma unidade porque eu pretendo entrar em face do Estado, então eu tenho medo de retaliação”, afirmou. A mãe disse que a família ainda avalia como o adolescente dará continuidade aos estudos, mas ressaltou que, neste momento, a prioridade é a recuperação da saúde. “Eu não estou nem pensando nisso, visto o quadro que ele está em casa”, completou.
Seeduc explica contratação de profissionais
O caso também levantou questionamentos sobre a disponibilidade de profissionais de apoio para estudantes que necessitam desse acompanhamento durante o período escolar. Sobre a situação, a Secretaria de Estado de Educação informou, em posicionamento encaminhado ao Diário, que a não renovação do contrato com a empresa responsável ocorreu após a identificação de questões trabalhistas e descumprimentos de obrigações por parte da prestadora de serviço, no âmbito de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público.
Segundo a Seeduc, atualmente está em andamento um processo para uma nova contratação emergencial. A Secretaria afirma que o procedimento segue as regras legais e as novas diretrizes para a atuação dos profissionais de apoio escolar. Ainda de acordo com a pasta, a previsão é ampliar o número de profissionais contratados, com o objetivo de atender integralmente os estudantes elegíveis ao serviço e garantir o atendimento no menor prazo possível.
Estado e Conselho Tutelar informam providências
Diante dos questionamentos apresentados pela família, o Diário procurou ainda na última semana a Secretaria de Estado de Educação e o Conselho Tutelar de Teresópolis para saber quais providências foram adotadas após a agressão e como está sendo acompanhado o caso. Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que a situação foi acompanhada pela equipe pedagógica, com acionamento dos responsáveis e do Conselho Tutelar. Segundo a pasta, o caso foi registrado no sistema de Violência Escolar e todas as medidas necessárias foram adotadas. O Conselho Tutelar informou que realizou os encaminhamentos necessários para garantir a proteção do adolescente e acionou a autoridade policial para a apuração dos fatos. O órgão ressaltou que a investigação criminal é de responsabilidade da Polícia Civil.




