Marcello Medeiros
“Dá com uma mão e esconde a outra”. O ditado é antigo, mas continua muito atual e pode inclusive ser utilizado em situações que têm ocorrido virtualmente: mesmo com muitos alertas, ainda há quem acredite em brindes e facilidades oferecidas em redes sociais e acaba tendo prejuízo financeiro. Foi o que ocorreu com uma moradora de Teresópolis, que esteve na 110ª Delegacia de Polícia para relatar ter sido vítima de um golpe ao acreditar que havia sido premiada com um bônus para jogar em uma espécie de ‘tigrinho’, girado a roleta virtual e obtido um prêmio de alto valor. Porém, para sacar o dinheiro, ela precisaria fazer um depósito na plataforma. E, apesar de não fazer sentido, visto que tecnicamente ela estaria com um ‘grande crédito’, assim o fez. Primeiro, R$ 20. Depois, mais R$ 30. Porém, entre as tentativas de sacar o suposto prêmio, a informação que deveria ter depositado pelo menos R$ 50. Somente nesse momento, percebeu que havia sido vítima de um golpe e, consultando o nome da plataforma na internet, descobriu milhares de reclamações e denúncias.
Os dados da ‘negociação’ e prints das conversas foram apresentados na confecção do registro policial. Esse modelo de fraude, amplamente associado a plataformas falsas do “Jogo do Tigrinho”, funciona criando um saldo fictício na tela do usuário. A promessa de liberação do saque após um novo depósito é apenas uma armadilha para roubar ainda mais dinheiro, movida pela falsa ideia de sucesso no jogo e uma rápida obtenção de uma grande quantia em dinheiro.
Como funciona a fraude do saldo bloqueado
Lucro fictício: O site exibe valores altos de ganhos para gerar euforia.
Exigência de taxas: Ao tentar sacar, a plataforma alega que você precisa pagar uma taxa de liberação, imposto ou fazer um Pix para “subir de nível”.
Falso atraso: O sistema inventa desculpas, como problemas no processamento governamental, para justificar a demora.
Prejuízo em cascata: Se você realizar o depósito exigido, o saldo continuará bloqueado e o sistema pedirá novas transferências sucessivas.
O que fazer se você já realizou o depósito
Acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED): Entre em contato imediato com o seu banco para contestar a transação do Pix enviada ao golpista.
Registre um Boletim de Ocorrência: Acesse o site da Polícia Civil do seu estado e faça o registro online detalhando a fraude.
Guarde as evidências: Tire capturas de tela das conversas, do saldo da plataforma e guarde todos os comprovantes de transferência.







