Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Mosquetão de Ouro: Mozart Catão recebe homenagem máxima do montanhismo brasileiro

Com uma trajetória marcada por pioneirismo e grandes desafios, alpinista teresopolitano é reconhecido postumamente pela CBME

Luiz Bandeira

O montanhista teresopolitano Mozart Catão, um dos maiores nomes da história do alpinismo brasileiro, foi homenageado postumamente com o Mosquetão de Ouro, principal premiação concedida pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME). O reconhecimento celebra não apenas suas conquistas esportivas, mas também o legado deixado para o montanhismo nacional e mundial. Catão faleceu em 1998, em uma avalanche na Face Sul do Monte Aconcágua.

A honraria, criada em 2015 e inspirada no prestigiado prêmio internacional Piolets d’Or, destaca atletas e personalidades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento da modalidade. Em 2026, Mozart foi agraciado na categoria de homenagem póstuma, escolhida por votação popular aberta ao público e às federações. Em entrevista ao Diário, o irmão do alpinista, Marco Catão, falou sobre a importância da premiação. “É uma homenagem muito forte, muito representativa. A gente fica muito feliz. Foi uma votação aberta, e saber que tantas pessoas participaram e votaram no Mozart deixa a gente ainda mais orgulhoso”, destacou.
Segundo Marco, o Mosquetão de Ouro contempla diversas categorias, como escalada esportiva, alta montanha e ações sociais, reforçando o caráter abrangente da premiação dentro do esporte. “É algo que envolve toda a comunidade do montanhismo, não só atletas, mas todos que acompanham e admiram”, completou.

Premiação criada pela CBME reconhece os maiores nomes do montanhismo nacional. Foto: Reprodução / Instagram CBME

Da Serra dos Órgãos para o mundo
Natural de Teresópolis, conhecida como a capital nacional do montanhismo, Mozart Catão iniciou sua relação com a montanha ainda na adolescência. Sem referências familiares no esporte, ele desenvolveu desde cedo o interesse por trilhas e escaladas, frequentando o Parque Nacional da Serra dos Órgãos a partir dos 13 anos. “Ele já tinha essa tendência desde novo. Gostava de explorar, de estar na natureza. Depois começou a frequentar o parque e não parou mais”, relembra Marco, que também passou a acompanhar o irmão nas aventuras. “Foi ele quem me levou pela primeira vez à Pedra do Sino. Tive a felicidade de viver tudo isso ao lado dele.”
A partir daí, Mozart buscou desafios cada vez maiores, iniciando sua trajetória internacional na década de 1980, com expedições à Patagônia. Apaixonado pela alta montanha, seguiu rumo às maiores altitudes do planeta, acumulando feitos históricos. Entre suas conquistas, destacam-se três registros no Guinness Book, incluindo a primeira ascensão brasileira ao Monte Everest, recorde de velocidade no Kilimanjaro e uma inédita subida de bicicleta ao Aconcágua. Ele também planejou completar o desafio dos “Sete Cumes”, objetivo interrompido por conflitos geopolíticos que impediram uma das escaladas.

Planejamento, estudo e determinação
Para alcançar resultados tão expressivos, Mozart Catão investia intensamente em preparação física e intelectual. Formado em Educação Física, com estudos em medicina desportiva e marketing, ele planejava minuciosamente cada expedição. “Ele era extremamente dedicado. Estudava tudo antes de sair de casa, planejava cada detalhe. Eram sempre projetos grandes, como Everest, Annapurna e outros picos importantes”, contou Marco. Essa combinação de disciplina, conhecimento e ousadia fez de Mozart uma referência no esporte, inspirando gerações de montanhistas.

Orgulho para a família e para Teresópolis
Para a família, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória exemplar. “É um orgulho enorme. Pelo que ele fez, pela pessoa que foi, pelo irmão que foi para todos nós”, afirmou Marco, emocionado. O sentimento também se estende à cidade natal do alpinista. “É mais uma conquista que leva o nome de Teresópolis para o mundo. Ele nasceu aqui, se formou aqui e sempre representou muito bem a nossa cidade”, destacou.
Na disputa pelo Mosquetão de Ouro, Mozart Catão concorreu com nomes importantes do montanhismo brasileiro, como Edson Vandeira e Werner Edvino Wiermes, o “Tarzan do Marumbi”. A escolha popular reforça a relevância e o impacto de sua trajetória. Mesmo após sua partida, Mozart Catão segue como símbolo de superação, coragem e paixão pelas montanhas, um legado que agora ganha mais um capítulo de reconhecimento nacional.

Para a família, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória exemplar. “É um orgulho enorme. Pelo que ele fez, pela pessoa que foi, pelo irmão que foi para todos nós”, afirmou Marco, emocionado

Teresópolis 16/07/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Adestrador Marcos Rangel e cão Big Boss representarão Teresópolis no Mundial de Adestramento, na Polônia

Mais uma vítima do golpe do ‘chupa cabra’ em caixa eletrônico de Teresópolis

Prefeitura convoca novos professores do cadastro de reserva para contratação temporária

Ladrão tenta furtar veículo e o abandona atravessado em rua de Teresópolis

Rotativo: Digipare atualiza aplicativo para notificar sobre risco de multa

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE