No início da tarde desta terça-feira (24), foi realizado em frente ao Palácio Teresa Cristina, sede do governo municipal, um protesto envolvendo motoristas de aplicativo que trabalham em Teresópolis. Os profissionais do volante questionam, principalmente, a proibição recente de estacionamento ao longo de trechos das avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré, na Várzea, onde foi implementada uma faixa exclusiva para o deslocamento de ônibus. Com a ideia de deixar o ‘caminho livre’ para os coletivos, quem trabalha com o transporte individual de passageiros tem que parar em locais específicos, como em ponto criado pela GCM na Rua José Gomes da Costa, em frente ao posto de Saúde da Várzea. “Aí fica parecendo táxi, que tem que ter ponto. O aplicativo é justamente para facilitar que a pessoa possa pegar o carro onde precisar e ser deixada o mais perto possível de onde precisa”, pontuou ao Diário o motorista Fernando Santos.

O movimento foi organizado através das redes sociais, nos últimos dias. Um dos que acompanhou os debates nas redes e marcou presença foi o motorista Ricardo Bruno. Ele questionou a aplicação de multas a quem para nos locais proibidos pelo atual regramento e também falou sobre outro problema que tem afetado a categoria: “É muito difícil trabalhar em Teresópolis por conta das péssimas condições das ruas; causa desgaste nos veículos, vamos somando prejuízos e podemos nos envolver em acidentes com os passageiros. Temos reclamado muito também dessa instalação de vários radares e câmeras de monitoramento multando motoristas que param rapidinho para embarcar e desembarcar passageiros. Isso está atrapalhando nosso trabalho e nossa fonte de renda”, pontuou”.
Uma das representantes do legislativo, a Vereadora Professora Amanda citou a necessidade de ouvir mais representantes da comunidade local, além dos motoristas. “O que eles querem é saber sobre essas mudanças, serem informados, terem acesso ao tal estudo técnico. Mas também é preciso ouvir o consumidor, quem usa o serviço. Teresópolis tem uma característica peculiar, que chove boa parte do ano, então o usuário precisa de comodidade para embarcar e desembarcar”, destacou a edil.

Abaixo-assinado na internet
Também está sendo anunciada uma ‘greve geral dos motoristas de aplicativo’ no dia 27, sexta-feira. “Sem a gente, a cidade para! Valorização já”, informa uma das publicações. Já um abaixo-assinado virtual, publicado no site www.change.org , pede “maior transparência e participação popular nas recentes decisões sobre o trânsito em nossa cidade”. O texto cita a insatisfação de criação de pontos fixos para embarque e desembarque de passageiros: “Embora compreendamos e apoiemos a necessidade constante de organizar o espaço urbano, a implementação dessa medida tem gerado enormes desafios práticos no dia a dia da população”.

Posicionamento do governo municipal
A Prefeitura informa que, ao final da tarde de hoje, após o informado em nota oficial, uma comissão composta por três representantes legítimos dos motoristas por aplicativo foi recebida em reunião conduzida pelo Secretário Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade, Sérgio Mauro. Na ocasião, foram apresentadas as principais demandas da categoria, sendo debatidos temas como faixa seletiva, obrigatoriedade de cadastro dos profissionais e regras para embarque e desembarque de passageiros, entre outros pontos relevantes. Ficou definida a realização de reunião ampliada com a categoria na próxima sexta-feira, às 10h, ocasião em que serão apresentados os estudos técnicos de mobilidade urbana do município, com o objetivo de construir soluções conjuntas e promover o necessário entendimento entre o poder público e os profissionais. A Prefeitura reafirma que jamais se negou ao diálogo, desde que este se dê de forma legítima, responsável e voltada exclusivamente aos interesses da categoria, sem qualquer viés político-partidário.
- Texto atualizado para incluir novo posicionamento da Prefeitura de Teresópolis






