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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Mulher atingida por motoqueiro está machucada e impossibilitada de trabalhar

“E se fosse com alguém da família dele?”, questiona Técnica em Enfermagem, pedindo que autor assuma suas responsabilidades

Marcello Medeiros

Na tarde quarta-feira (20), a reportagem do Diário conversou com a Técnica em Enfermagem Neiva Quinteiro, de 49 anos, vítima de atropelamento nas primeiras horas da manhã do último sábado (16), na Rua Flávio Bortoluzzi, no bairro do Alto. Ela havia acabado de sair de um plantão e seguia para casa quando foi violentamente atingida por um motoqueiro, em alta velocidade, que havia acabado de empinar o veículo nas proximidades do cruzamento com a Rua Mucuri e, provavelmente pelo fato de estar com a frente da moto no alto e em velocidade elevada, não percebeu que havia uma pessoa cruzando a via. Toda a situação foi registrada por câmeras do circuito de segurança de estabelecimento comercial, imagens que mostram também o irresponsável condutor fugindo do local logo em seguida. “Soube que ali tem uma subida íngreme muitos usam para empinar, saltar de carro, correr. Quando atravessei, quase terminando, que olho, escuto, a moto já estava em cima de mim, tinha descido a frente depois de ter empinado e não tinha muito o que fazer. Não tive muita reação pela velocidade que ele estava, foi muito rápido. Eu estou bem traumatizada, não tenho dormido bem, nunca havia sofrido um acidente. Só vi o vídeo uma vez e não consegui vir mais”, relatou Neiva.

Autônoma, ela depende do que ganha nos plantões para manter a casa onde vive com três filhos, incluindo entre as despesas o aluguel. Neiva teve várias escoriações pelo corpo e a perna esquerda imobilizada devido a uma luxação. “Na hora fiquei imóvel, com dor, ânsia de vômito, tremia tudo. A impressão que tinha é que minha perna esquerda estava toda quebrada, mas graças a Deus não. Tive uma lesão no tornozelo e em cima do pé, várias escoriações. Ele feio perto de mim, mas não perguntou nada, me olhou como um lixo, não mostrou que se arrependeu, que estava desesperado, nada. E se fosse alguém da família dele que tivesse acontecido isso? Ele estaria feliz? Estaria dormindo bem, como estaria?”, pontua a vítima.

Imagens de circuito de segurança mostram motoqueiro seguindo pela Rua Flávio Bortoluzzi de Souza e, nas proximidades da esquina com a Rua Mucuri, levantando a roda dianteira da motocicleta. Provavelmente porque estava empinando, quando voltou para a posição normal não percebeu que havia uma mulher atravessando a pista, a atingindo em cheio

Irresponsável
Neiva Quinteiro reforça ainda que espera que o motoqueiro, que se chamaria Lucas, se apresente na 110ª Delegacia de Polícia para assumir as responsabilidades previstas nesse tipo de situação. “Vi pessoas comentando que se assustou, que foi fatalidade. Não foi fatalidade. Ele escolheu empinar moto, pegar velocidade. E se fosse um idoso, uma criança com a mãe? Com a pancada que eu levei, eu não estaria viva não se fosse Deus. Peço que assuma seu erro, não quero que façam justiça com as próprias mãos. Se entregue, assuma que estava errado, seja humano e assuma a sua responsabilidade”, enfatiza.“

Civil está investigando
Com a utilização dessa gravação, e de outras de residências próximas, a Polícia civil está trabalhando na identificação do motoqueiro que pode ser autuado por quatro situações. De acordo com o artigo 303 do Código de Trânsito Brasileiro, pela lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com previsão de detenção de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter permissão ou habilitação. Percebe-se ainda o que está previsto no artigo 308 do CTB, exibir perícia em manobra em via pública, que pode render de seis meses a três anos de prisão, além de multa e suspensão ou proibição de obter a permissão ou habilitação para conduzir veículo automotor. Nesse caso, ainda cabe o artigo 132 do Código Penal brasileiro, que trata de colocar em risco a vida de terceiro, com pena de detenção de três meses a um ano; além do artigo 135 do CP, pela omissão de socorro à vítima de atropelamento causado por ele, que prevê de um a seis meses de detenção e multa. Denúncias que ajudem a na identificação podem ser feitas anonimamente pelo telefone da 110ª DP, no número (21) 98596-7436.

Jovem morreu
Essa não foi o primeiro acidente causado por motoqueiro empinando em via pública de Teresópolis. Em julho de 2022, uma adolescente de 15 anos foi atingida na rodovia BR-116, na Fonte Santa, por um adolescente que pilotava uma moto “fazendo grau” e não percebeu a jovem atravessando a pista. Meses depois, outro baderneiro flagrado em situação semelhante, fazendo graça em via pública, teve a moto apreendida em casa e foi autuado pelas infrações de trânsito.
Em caso que teve mais repercussão, um blogueiro que costumava utilizar redes sociais para gravar infrações de trânsito como conteúdo foi detido após quase causar um acidente gravíssimo na rodovia BR-116. Ele empinou a moto em cima do viaduto do Meudon e, por muito pouco, não foi atingido em cheio por um caminhão que seguia sentido Além-Paraíba e cujo motorista teve que fazer uma frenagem brusca para evitar a colisão. Ele teve duas motos apreendidas e foi autuado por cada infração ou crime que publicou em suas redes sociais, que foram desativadas pela Justiça.

Edição 20/02/2024
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