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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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O tombamento do Teresópolis Futebol Clube

PROPRIEDADE, GRAMADO, ARQUIBANCADAS, TÍTULO E CORES DO TFC DEVEM SER PRESERVADAS

Wanderley Peres

Feliz iniciativa teve o vereador Paulinho Nogueira essa semana, ao apresentar projeto de lei na Câmara Municipal para o tombamento do Teresópolis Futebol Clube, “por seu interesse histórico, social, esportivo e de lazer”, proibindo a descaracterização do espaço e o desvirtuamento de sua finalidade. De número 151, o PL seguiu para as comissões, onde deverá receber contribuições dos demais vereadores para o seu texto final. Colaborando com o debate, do tombamento do Teresópolis Futebol Clube, o Pró-Memória Teresópolis observa ao poder Legislativo Municipal, a importância deste sítio histórico do município, propriedade que precisa ser preservada como patrimônio público e histórico que é, especificamente quanto ao gramado, às arquibancadas, o título da associação esportiva e, ainda as suas emblemáticas cores.

O TÍTULO

O tombamento do título do Teresópolis Futebol Clube não se deve apenas por ser ele um clube centenário, figurando ao lado das grandes agremiações do futebol brasileiro, e por ter surgido próximo ao mesmo período, quase todos do início do século passado. Mas, especialmente, por ostentar o nome do nosso município, que se tornou a maior referência de futebol no país a partir da criação da concentração da Confederação Brasileira de Futebol na Granja Comary, daí o título teresopolitano de sede do futebol pentacampeão do mundo.

AS CORES DO TFC

Criado no bairro do Alto, com campo na rua Alfredo Rebello Filho, pomposamente denominado estádio Jorge Pereira da Silva, havia nos anos 1920 em Teresópolis um time de futebol chamado “União”, que usava camisa azul. Por causa de uma tragédia ocorrida na cidade, em 9 de março de 1930, quando o trem da Estrada de Ferro Therezopolis, conduzindo ao Rio de Janeiro o time do Fluminense, descarrilhou na serra morrendo no acidente oito passageiros, entre eles o jogador Py, esse União adotou as cores do tricolor carioca, atitude que levou os jogadores do bairro do Alto, dispersos em dois times – o outro era o Teresópolis – a repensar a rivalidade que havia entre eles, quando decidiram se juntar, dando um as cores da camisa e o outro o campo, desde 1915 na rua Ernesto Silveira, 10.

O GRAMADO

A grama do Teresópolis Futebol Clube, que se alastra e cresce no mesmo lugar há mais de 100 anos, brotando da terra batida pelos pés daqueles que fazem do gramado campo de batalha, é a mesma desde os áureos tempos de seu surgimento em agosto de 1915. E das raízes primitivas da gramínia no verde campo que deslumbra os olhos dos amantes do futebol, a ramagem macia que brotou no inverno de 1966 serviu para amortecer os pés de Garrinha e Pelé, e dos outros craques da Seleção Brasileira naquele mês de maio. Que outra cidade do mundo tem esse privilégio, que outro clube de futebol pode escrever em seus anais algo tão cândido e de relevância histórica tão grande?

A ARQUIBANCADA

O União fez a força do Teresópolis, dando ao Alto um time de futebol à altura do bairro, e da cidade. E a união levou a outro sítio histórico do Teresópolis Futebol Clube: a sua arquibancada. Erguida sobre a estrutura dos vestiários feitos pela empresa Enarc, contratada pela direção do TFC em 1961, assim que ocorreu a doação do terreno ao clube pela Prefeitura, a construção da arquibancada do TFC aconteceu por empenho de alguém que é um ícone do futebol brasileiro, Heleno de Barros Nunes, ilustre morador da nossa cidade, no bairro do Fischer, e que dá nome à concentração da Seleção Brasileira na Granja Comary, propriedade que adquiriu quando foi presidente da CBF, à época chamada CBD.

Deputado eleito com boa votação em Teresópolis, Heleno era secretário de Energia Elétrica do Estado e viu a possibilidade da Seleção Brasileira treinar em nssa cidade, daí promovendo uma reunião, no Bar Fluminense, na esquina ao lado da Prefeitura, onde foi decidido o providencial melhoramento no clube. “Presidente do Conselho Nacional dos Desportos, CND, outro apaixonado por Teresópolis, o brigadeiro Gerônimo Bastos conseguiu 10 milhões, em moeda da época. O prefeito Flávio Bortoluzzi deu a mão de obra, da Prefeitura; Valinhos, que era gerente da empresa que fazia a construção do trecho Teresópolis-Além Paraíba da BR-116, deu todo a pedra e a areia; o Heleno arranjou o cimento com a fábrica que conhecia o dono e, na mesma semana, foi iniciada a obra, ficando pronta para o jogo amistoso da Seleção Brasileira com o América, do Rio de Janeiro, jogando no gramado do Teresópolis os maiores ídolos do futebol da época, e de todos os tempos: Pelé e Garrincha”, conta o radialista Ayrton Rebello, que ajudou a organizar a reunião.

Naquele tempo não havia fartura de dinheiro no futebol e tudo era feito com muito sacrifício. Os jogos treinos da Seleção Brasileira, que ocorreram também em Nova Friburgo e Niterói, tiveram a renda de portaria revertida para o Teresópolis, recursos que serviram, também, para pagar a estada dos jogadores no hotel Pinheiros, custeando ainda o hotel Várzea, onde ficaram hospedados por conta dos organizadores do evento da concentração os órgãos de imprensa. “Com tanta gente ajudando ainda sobrou dinheiro e os 6 milhões que não foi gasto serviu para a construção da cobertura da arquibancada, feita depois”, completa o radialista, que foi dono da rádio Teresópolis, período em que a emissora que fez 76 anos no último dia 1 de junho se chamava “Jovem Tê”.

A PROPRIEDADE

No período 1959-1962, em que foi prefeito Omar Magalhães, o bairro do Alto tinha quatro vereadores. Além de Diogo Ponciano, Luiz Moura, Alfredo Rebello e Wilson Martins, surgiu na Câmara um quinto vereador do Alto, o empresário e desportista José Pimentel, segundo suplente que alcançou o mandato com a providencial licença dos vereadores Roberto Péricles e Juel Teixeira, aliados do prefeito.

A ascensão de empresário Zeca Pimentel à Câmara se deu, especificamente, para o projeto de doação ao Teresópolis Futebol Clube do terreno no bairro do Alto, que havia sido recebido em doação do latifundiário urbano Joaquim Rollas, somando forças para a realização os demais vereadores do bairro. A União, mais uma vez se fazia presente no time que tem a palavra na origem de seu nome.

Sítio histórico do município, um inegável patrimônio cultural, O Teresópolis Futebol Clube existe, então, a partir de diversas iniciativas cidadãs, de invejável arrojo político, de um incomum desprendimento do interesse próprio pelo bem comum. Templo do futebol teresopolitano, desde quando era terra de ninguém, doado por alguém ao município, e este, em nosso nome, doando para quem fazia o futebol a valiosa área, visando proteger os interesses do esporte e o patrimônio concedido, a escritura de doação do terreno previu que ele não poderia ser outra utilização que não fosse a prática do futebol, mesmo em caso de extinção do clube, quando a municipalidade deverá, então, assumir a responsabilidade de manter viva a prática do futebol.

É o que esperamos.

Edição 22/06/2024
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