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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Parques reforçam monitoramento da fauna e ampliam pesquisas sobre biodiversidade em Teresópolis

Especialista detalha como câmeras, estudos científicos e integração entre unidades de conservação ajudam a proteger espécies da Mata Atlântica

Maria Eduarda Maia

A morte de uma onça-parda atropelada na RJ-130, na altura de Morro Grande, no Terceiro Distrito de Teresópolis, chamou a atenção para um trabalho que vai além do resgate e da destinação do animal. O caso evidenciou o esforço conjunto realizado pelas unidades de conservação que cercam o município para monitorar a população de grandes felinos e ampliar as pesquisas voltadas à preservação da fauna silvestre. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Leonardo Maia, há uma integração permanente entre o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis (PNMMT), o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso) e o Parque Estadual dos Três Picos. Como as onças-pardas, por exemplo, percorrem grandes áreas e não respeitam os limites entre as unidades de conservação, o intercâmbio de informações é considerado fundamental. “Temos uma troca de informações e monitoramento conjunto. Há uma harmonia entre os parques e quem ganha com isso é o meio ambiente”, destacou o secretário, em entrevista ao Diário nesta terça-feira (21).

“O centro de pesquisa da Inconha está sendo equipado e seguimos avançando em projetos científicos. Temos convênios com universidades e acreditamos que a pesquisa científica nunca esteve tão fortalecida em Teresópolis”, afirmou Leonardo Maia

Investimentos na Inconha
Maia também ressaltou os investimentos realizados na estrutura de pesquisa do Parque Montanhas. De acordo com ele, o município mantém uma equipe formada por veterinários e biólogos especializados, além de cerca de 20 câmeras-trap utilizadas para acompanhar a fauna silvestre. O centro de pesquisas da Inconha passa por processo de ampliação, com implantação de laboratórios e da Casa do Pesquisador. “O centro de pesquisa da Inconha está sendo equipado e seguimos avançando em projetos científicos. Temos convênios com universidades e acreditamos que a pesquisa científica nunca esteve tão fortalecida em Teresópolis”, afirmou.

O exemplar recolhido pelo Parque Montanhas será utilizado em diferentes pesquisas científicas antes de integrar ações de educação ambiental. Foto: Secretaria Municipal de Meio Ambiente

Expansão urbana aumenta riscos
Coordenador de Pesquisa e Biodiversidade do PNMMT e veterinário responsável pelo ambulatório do parque, Alfredo Pinheiro explica que, embora as onças-pardas evitem naturalmente o contato com seres humanos, a expansão urbana e a presença de rodovias aumentam as chances de acidentes. Segundo ele, o atropelamento de fauna silvestre é uma ocorrência frequente e, atualmente, existe até uma área específica de estudos, conhecida como ecologia de estradas, voltada ao desenvolvimento de soluções para reduzir esse tipo de impacto. “Com o resultado dessas pesquisas a gente sabe que existem passagens de fauna subterrâneas e passagens de fauna aéreas, dependendo da espécie, que podem reduzir esse tipo de problema”, explicou.
No caso da onça atropelada na RJ-130, Pinheiro explica que se tratava de um macho jovem, condição que pode ter contribuído para o acidente. “Os machos jovens costumam deixar a área ocupada pelo macho dominante, normalmente o pai, em busca de novos territórios para caça e reprodução. Nesse deslocamento, acabam percorrendo áreas maiores e ficam mais expostos a atropelamentos e outros riscos”, explicou.

Coordenador de Pesquisa e Biodiversidade do PNMMT e veterinário responsável pelo ambulatório do parque, Alfredo Pinheiro explica que, embora as onças-pardas evitem naturalmente o contato com seres humanos, a expansão urbana e a presença de rodovias aumentam as chances de acidentes. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário

Legado para a ciência
O exemplar recolhido pelo Parque Montanhas será utilizado em diferentes pesquisas científicas antes de integrar ações de educação ambiental. O corpo foi congelado para preservar suas características até a realização da taxidermia, técnica que interrompe o processo de decomposição e permite manter a aparência original do animal. Antes desse procedimento, os pesquisadores pretendem coletar diversos materiais biológicos. “Vamos aproveitar vísceras e outros tecidos para pesquisas em áreas como parasitologia, morfologia, nutrição e análise do conteúdo gastrointestinal. É importante preservar o máximo possível desse material para ampliar o conhecimento sobre a espécie”, explicou Alfredo Pinheiro, frisando que a técnica da taxidermia permitirá conservar a estrutura do animal para uso em atividades científicas e educativas.

Monitoramento permanente
Além de registrar a presença de onças-pardas, as câmeras-trap instaladas no Parque Montanhas auxiliam no acompanhamento de toda a fauna da Mata Atlântica. Com as imagens registradas, os pesquisadores conseguem obter informações sobre quantidade de indivíduos, comportamento e condições de saúde dos animais. “A gente precisa saber a densidade populacional, quantos indivíduos têm, se os indivíduos se apresentam saudáveis ou não. Através da câmera a gente pode ver até se o animal está parasitado, o estado nutricional dele. Muitos dados a gente consegue obter em função desse monitoramento”, finalizou Alfredo.

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