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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Relação de Tricano com vereadores oscila e termina com denúncia e prisão

Político chegou a ser chamado de ?Pai? por edil, mas depois de uma série de desaprovações no legislativo, virou inimigo dos legisladores

Anderson Duarte

A história de Mario Tricano com os vereadores da atual legislatura, que como vimos, culminou na prisão de metade da Câmara, nem sempre foi conflituosa e baseada em troca de denúncias como vemos hoje. Na verdade, inicia antes mesmo da posse dos atuais edis, com a formação de um grupo de apoio ao então candidato do PP, com episódios marcantes de proteção e subserviência como a aprovação, sem qualquer discussão ou apreciação de comissões, de um chamado pacote de privatizações e contratações proposto pelo então prefeito para “capitalizar” o município, enfiado, por ele mesmo, na maior crise econômica e administrativa de sua história. Depois de ser chamado de “pai” por um dos vereadores que hoje está preso no Rio de Janeiro por denúncias apresentadas por ele ao Ministério Público, Tricano passou a gravar e municiar-se de supostas provas de ilícitos em resposta a uma série de contestações dos edis, iniciada em meados do ano passado com a rejeição do conhecido “pacote de maldades” do prefeito.

Entre os maiores doadores de campanha de Tricano, um ano antes do início das gravações, estão dois vereadores e um suplente. Dra Claudia deu um "abacaxi" de R$ 20 mil para ajudar o "amigo" do mesmo partido na campanha. Ten. Jaime também doou R$ 20 mil e o suplente Angelo Gallo doou R$ 8 mil

Considerado o inicio de tudo, a resposta negativa dos edis se deu depois que projetos apresentados por Tricano, e que tinham o objetivo de alterar a Lei Orgânica do município para cortar benefícios de servidores municipais, de estudantes e não ter que reservar verba para construção de casas populares foram derrubados. O atrito com os edis se deu, após três votações separadas e o projeto que previa o fim do plano de saúde dos servidores públicos municipais ter sido rejeitado por 8 votos a 4, sendo que Leonardo Vasconcellos, Pedro Gil, Rock e Dedê da Barra ficaram do lado de Tricano. Destes, apenas Pedro Gil segue em liberdade. Logo depois, mais uma derrota, já que os edis rejeitaram outras proposições do político. Na época o prefeito queira acabar com a lei do assédio moral e também vetou projetos considerados benéficos para a população como a inclusão de autistas e a instituição do prontuário eletrônico no município. Muito criticados pelo alinhamento aos interesses do prefeito desde o início da legislatura, agora os vereadores adotaram outra postura.
No auge de sua raiva contra os outrora companheiros que ajudou a eleger, Mario Tricano, usou os microfones e câmeras de sua rede de veículos de comunicação para atacar a Câmara de Vereadores de Teresópolis durante programa comandado por um de seus secretários. “Não tem homem com moral para me cassar na Câmara”, disse o político ao se referir aos edis. Tricano também acusou os legisladores de promoverem uma perseguição pessoal contra ele e afirmou que essa atual composição legislativa quer a manutenção de antigos esquemas corruptos na cidade. “O que esses corruptos querem é cassar não a mim, ou meu governo, mas sim a vocês eleitores, mais de trinta e cinco mil que votaram em mim como seu representante nas urnas. Eles podem me cassar e me acusar do que quiserem, mas jamais poderão dizer que eu sou corrupto, como eles são. Jamais! Eu estou passando essa cidade a limpo e a corrupção vai acabar. Está acabando e quando acabar de vez a corrupção em Teresópolis vai sobrar mais dinheiro para que a gente possa melhorar a vida do povo de Teresópolis” disse a época.
Como vimos, as prisões dos seis edis vieram do processo iniciado nas denúncias apresentadas pelo político Mario Tricano contra eles. O que muita gente entendia na época era que o processo seria uma espécie de “cortina de fumaça” para tentar impedir, ou desmerecer o julgamento de uma Comissão Processante em seu desfavor no Legislativo. Diziam alguns parecer negociações entre correligionários e nada mais que apenas isso. As gravações foram feitas pelos suspeitos Raphael Teixeira e Carlos Dias. Sendo que como desdobramento da divulgação do material, Tricano chega a admitir em uma das entrevistas concedidas que fugiu do país para não ser preso por envolvimento com o Jogo do Bicho, atividade que também admitiu comandar aqui na cidade. Em 2016, ano de eleição para prefeito, Mario Tricano recebeu de Claudia Lauand, presa em virtude de suas denúncias, R$ 20 mil como doações pessoais para a campanha do seu companheiro de partido no PP.
Depois que o namoro acabou, Tricano, Raphael Teixeira e Carlos Dias passaram a gravar conversas com os vereadores, entre agosto e outubro de 2017. Segundo o grupo Tricano, essas propinas partiriam de um pacote de concessões anunciado pela prefeitura. Claudia Lauand, em conversa com Teixeira, chegaria a chamar a Câmara de "graneira", e que o salário de um dos cargos indicados por ela no governo seria para o marido, o ex-vereador Gerson Ribeiro. A vereadora também afirma que a prefeitura deveria liberar subsecretarias para que os vereadores indicassem aliados ou distribuir participações nos pacotes de concessões e usa o termo "abacaxi" para ilustrar uma possível oferta de propina de empresários que participem das licitações. Já Rock teria dito nas gravações de Raphael Teixeira que o ex-prefeito Arlei Rosa, cassado em 2016, conseguia manter boa relação com a Câmara através de pagamentos de 15 a 20 mil reais.
Mas, segundo os próximos de Tricano, todo o problema se agravou mesmo quando desde que assumiu o cargo em 2017, já como segundo mandato, Mario Tricano anunciava conversas, reuniões, e outras confabulações com vistas a resolver problemas que não teriam soluções. Teve empresário consertando ambulância, doando lixeiras entre outras ações, mas tudo sem nenhum tipo de previsão legal para tal. Assim, como sempre funcionou, com a máxima urgência, com direito a dispensa de comissões, votações expressas e reuniões na Sala Azul do plenário por pelo menos duas sessões seguidas, o político insistia em instituir o Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas, uma espécie de “formalização” desta relação com os empresários. Apesar da boa intenção das parcerias, sem uma Lei que regule os contratos, tudo passaria a ser efetivamente suspeito. Essas regras existiriam para solucionar de uma forma clara e socialmente eficaz a relação investimento privado e infraestrutura pública em áreas de altíssima relevância social, mas somente onde há essa relevância.

 

Até o vereador Dede, que defendia Tricano na Câmara e acompanhava o prefeito em obras foi denunciado

Transporte coletivo, saneamento, habitação, tecnologia, saúde e educação básica, entre outras áreas poderiam vir a ser objeto da participação do capital privado em sintonia com as necessidades da população e a Administração Pública Municipal. O Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas trazia em seu bojo, algumas diretrizes de implantação, entre elas, a eficiência no cumprimento de suas finalidades, ou seja, ela precisa estimular a sustentabilidade econômica de cada empreendimento, garantindo que o empresário vá romper com a parceira e deixar a população desguarnecida. Outro ponto crucial das PPP é a total transparência dos procedimentos e das decisões, algo que contrasta com as primeiras ações do Governo. A responsabilidade fiscal também precisa estar presenta na celebração e execução dos contratos, bem como a responsabilidade social e ambiental, que no nosso município é ainda mais emergente.

 

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Edição 18/05/2024
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