Marcello Medeiros
Nem é preciso fazer algum tipo de cálculo difícil: é evidente que um sofá não cabe na compactadora de um caminhão da coleta de lixo doméstico. Porém, mesmo assim, muitas pessoas insistem em descartar esses e outros tipos de móveis onde só deveria haver sacolas com resíduos menores. O resultado são vias públicas ou calçadas tomadas de restos, servindo de ‘moradia’ para vetores de doenças e contribuindo para a degradação da paisagem urbana, arquitetura e harmonia visual, além de pontuar na queda da qualidade de vida dessas regiões. Um dos exemplos da falta de respeito com próximo tem ocorrido em Teresópolis é o Meudon, onde pelo menos duas ruas têm sido utilizadas como ‘depósitos’ de móveis velhos. E, nesse caso, além de causar prejuízo para quem vive nesse bairro, o empobrecimento estético pode prejudicar o turismo ecológico: a ‘lixarada’ fica em um dos acessos do Parque Estadual dos Três Picos.
O Diário registrou a cada vez mais grave situação no último sábado, com o acúmulo maior de móveis velhos e restos de obra ocorrendo na Rua Tupi, próximo a uma estação de bombeamento da concessionária Águas da Imperatriz. Três sofás e portas de armários estão há semanas no local, ficando entre eles outros detritos que não deveriam onde somente se a faz a coleta dos resíduos domésticos. Um pouco mais acima, já na Estrada do Jacarandá, mais um sofá no canto da pista. Seguindo pela mesma via, duas máquinas de lavar, forros de pvc velhos, restos de armários e pneus….

Mais que uma vida inteira para ‘sumir’
E, se os móveis velhos não são levados pela Inova Ambiental, podem ficar anos jogados nesses locais. O tempo de decomposição de um sofá depende muito dos materiais de que ele é feito e das condições do ambiente (aterro sanitário, lixão, exposição ao tempo etc.). Em geral, um sofá pode levar de 30 a mais de 100 anos para se decompor completamente. A estimativa de acordo com o material é a seguinte: Madeira – 10 a 50 anos (mais tempo se for tratada); espuma de poliuretano – mais de 100 anos; tecidos sintéticos (como poliéster) – 20 a 200 anos; couro sintético (PVC ou poliuretano) – 100 anos ou mais; estrutura metálica (aço) – 50 a 100 anos, dependendo da umidade; Plásticos e borrachas – centenas de anos em alguns casos. Como um sofá reúne vários desses materiais, sua decomposição é lenta e desigual: a madeira pode se degradar antes, enquanto espuma, plásticos e tecidos sintéticos permanecem por muitas décadas.

Vergonha na porta de um parque
Ainda na Estrada do Jacarandá, há muito lixo doméstico que deveria ter sido recolhido e acabou sendo espalhado pela passagem justamente de quem procura um excelente atrativo turístico da região visando admirar algo no sentido totalmente contrário, a Floresta do Jacarandá. Ela é protegida hoje pelo núcleo Jacarandá do Parque Estadual dos Três Picos, tem trilhas diversas e algumas opções para banho de rio e cachoeira. Mas, para chegar a um rico pedaço da Mata Atlântica, é preciso ignorar tamanha sujeira.

Prefeitura não coleta móveis
Em nota encaminhada ao Diário, a Secretaria de Obras e Serviços Públicos informa que a Prefeitura não tem serviço de coleta de móveis velhos e entulhos: “A remoção de bens inservíveis e de entulhos é de responsabilidade do proprietário, que deve contratar uma caçamba para o descarte desses materiais em bota-fora ambientalmente legalizado”. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente destacou que tem coibido descartes irregulares através das operações de fiscalização, com várias infrações aplicadas até o momento. “Atualmente, o município tem três bota-fora ambientalmente licenciados. Denúncias sobre descarte irregular de lixo podem ser feitas à Ouvidoria Geral do Município pelo telefone 162, pelo e-mail ouvidoria@teresopolis.rj.gov.br e também pelo aplicativo e-Ouve. Instalada no Centro Administrativo Municipal Manoel Machado de Freitas (antigo Fórum), a Ouvidoria funciona de segunda a sexta, com atendimento das 10h às 17h”, destaca ainda a PMT.








