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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Secretário corrige erro de assessoria e fala sobre casos da doença

Números da Meningite na cidade "não preocupam" oficialmente, mas é preciso trabalhar a prevenção

Anderson Duarte

No último dia 24 de setembro, uma “nota oficial” da Prefeitura de Teresópolis, assinada pelo departamento de Comunicação da gestão Claussen e publicada apenas pela FanPage oficial da prefeitura no Facebook, acabou gerando muito mais desinformação e instabilidade na população do que a tranquilidade e segurança como teoricamente se propunha. A informação era de que um paciente com Meningite estava internado na Unidade de Pronto Atendimento, fato confirmado por entrevistas com familiares do homem a frente da UPA e laudo médico também exposto durante a fala, mas rebatido e combatido de forma arbitrária por aquele departamento. A situação complicou-se ainda mais quando o quadro complicou-se e a família precisou pedir ajuda publicamente para conseguir a transferência do paciente. Na última semana, depois de diversas reportagens de O DIÁRIO sobre o assunto, o Secretário Mauro Botner, que efetivamente poderia assinar uma nota tranquilizando ou não a população, pois é médico e tem essa prerrogativa, corrigiu o erro da comunicação oficial e posicionou-se sobre os casos na cidade.
Em um comunicado breve, Botner expôs os mesmos números trazidos por nossa reportagem com indicação da Divisão de Vigilância Epidemiológica, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, e também reforçou a necessidade de não haver alarde sobre a incidência da doença no município. Até o presente momento, no ano de 2018, Teresópolis apresentou 20 casos notificados de suspeita de meningite, dentre estes, oito foram positivos. Por ser uma doença de notificação compulsória, todo caso suspeito de meningite é comunicado à DVE, que faz o processo de triagem e envio do material coletado nos hospitais de referência para o laboratório do Estado. Conforme orientação do Ministério da Saúde, e sob supervisão do Programa de Meningites da Secretaria Estadual de Saúde, a DVE realiza o acolhimento, fornece orientações aos familiares próximos que tiveram contato com o indivíduo suspeito e efetua a quimioprofilaxia nos casos necessários. A Secretaria de Saúde ressalta que aplica a vacina Meningocócica C para crianças de 03 meses a 14 anos, conforme calendário nacional de imunização.
Muito mais preciso e autoral que a temerária nota da comunicação da prefeitura, que dizia: “Exames realizados em paciente internado na UPA confirmaram caso de meningite. O paciente está devidamente medicado e NÃO OFERECE RISCO aos demais usuários da unidade de pronto atendimento. Ele deu entrada na sexta-feira (21) e após avaliação, foi feita punção lombar para pesquisa da doença e medicação com antibiótico. A Vigilância Epidemiológica acompanha o caso. Já esteve na casa do paciente e examinou pessoas próximas, que não apresentam sintomas. A Secretaria Estadual de Saúde foi informada e orientou a manutenção do tratamento. Reforçando: não há risco a terceiros e o tratamento está dentro do recomendado para o caso. A Secretaria Municipal de Saúde alerta as pessoas que postagens sem mínima verificação, apenas por ouvir dizer, servem tão somente para disseminar a desinformação e alarmar a população. É preciso lembrar que na UPA trabalham profissionais dedicados a salvar vidas, gente que mora em Teresópolis, dá o melhor de si para as pessoas dessa cidade e jamais colocaria em risco a saúde de quem quer que seja”, diz o texto, que evidentemente não diz que está tranquilizando a população, muito menos dá dicas para evitar ao contágio.
Também na última semana, através da parceria com o Hospital São José, o médico infectologista Marco Antonio Liserre, esteve nos estúdios da Diário TV para tirar dúvidas sobre a doença e também dar dicas sobre prevenção e tratamentos, também com relação a sequência de casos da doença registrados no município. Considerado um dos maiores especialistas da nossa região no assunto, Dr. Liserre lembrou que é preciso estar atento aos sintomas e principalmente à prevenção, que as vezes as pessoas deixam de lado. “A meningite é uma doença grave e é caracterizada em uma inflamação das meninges, que são membranas de tecido conjuntivo que envolvem e protegem o sistema nervoso central, as mais frequentes são as virais e as bacterianas. A meningite viral é a mais comum e costuma ocorrer mais no verão e principalmente em jovens com mais de 15 anos. Já as bacterianas são mais graves e a prevalência do agente varia muito com a idade do paciente. Por exemplo, a meningite meningocócica, causada pela bactéria neisseria meningitidis, se não diagnosticada e tratada a tempo pode levar a morte ou causar sequelas importantes. Essa ocorre mais no inverno e primavera e é mais comum em crianças”, explica.
Com relação a prevenção, o médico explica: “A prevenção começa com os cuidados habituais, ou seja, a boa e velha limpeza das mãos, uma boa alimentação, um habitat saudável com o domicílio bem ventilado, limpo e ensolarado, horas de sono adequadas, evitar ambientes fechados com muitas pessoas, vida ao ar livre e assim por diante. No mais, temos as vacinas que não devem ser tomadas somente pelas crianças. Adultos devem consultar seu médico assistente. Além disso, as vacinas contra algumas doenças virais como o sarampo, a caxumba, a poliomielite, também protegem contra as meningites causadas por esses vírus. A mortalidade por meningite nas crianças depende de uma série de fatores como idade e estado geral da mesma além da bactéria causadora e da sensibilidade aos antibióticos utilizados. Os cuidados sempre devem existir, mas sem pânico. Até o presente momento não existe risco de surto, de acordo com a secretaria de Saúde do Estado. Para finalizar, a prevenção é a chave do sucesso”, explica o médico.

 

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Edição 20/04/2024
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