Luiz Bandeira
“Big Brother Teresópolis”. A cada dia que passa, fica mais difícil circular pelas ruas do município sem ser registrado e identificado por uma câmera. O sistema de monitoramento tem sido ampliado, com ações que envolvem diferentes instituições, além de ter sido oficializada a possibilidade de particulares cederem imagens para as forças de segurança. Hoje há em funcionamento radares inteligentes com leitura de placas, câmeras de reconhecimento facial, totens de monitoramento em pontos estratégicos da cidade e a ampliação da rede de vigilância integrada.
Para detalhar o tema, ouvimos nesta segunda-feira (15), o secretário municipal de Segurança Pública, Sérgio Mauro Lousada. Ele falou sobre o sistema ‘Sentinela’, que já está em fase de testes e começou a operar em acessos ao município, como os bairros Soberbo e Prata. Os equipamentos realizam a leitura automática das placas dos veículos que entram e saem da cidade, permitindo o monitoramento em tempo real.
Segundo o secretário, a tecnologia será integrada aos radares de controle de velocidade instalados nas vias urbanas. Além de registrar infrações de trânsito, os equipamentos poderão identificar veículos roubados, clonados ou que estejam sendo monitorados por investigações conduzidas por órgãos de segurança e justiça. “Estamos evoluindo bastante. Ainda não na velocidade que gostaríamos, mas Teresópolis está avançando na área de monitoramento e segurança”, afirmou Lousada.
Os totens de monitoramento
Outra frente do projeto envolve a instalação de totens equipados com câmeras de reconhecimento facial. A parceria público-privada prevê a instalação de dez equipamentos desse tipo em diferentes regiões da cidade, já contando com dois na Praça da Matriz de Santa Teresa e quatro câmeras instaladas na Rodoviária José de Carvalho Janotti.
O sistema será integrado ao Centro Integrado de Comando e Controle do Estado do Rio de Janeiro, permitindo que pessoas com mandados de prisão ou pendências judiciais sejam identificadas automaticamente. Os alertas serão enviados às forças de segurança para adoção das medidas cabíveis.

Previsão de concurso e fiscalização de trânsito
Paralelamente aos investimentos em tecnologia, a Secretaria de Segurança Pública trabalha na realização de um concurso para a Guarda Civil Municipal. A estimativa é que sejam oferecidas pelo menos 80 vagas, embora a convocação dos aprovados deva ocorrer de forma gradual, em razão das limitações administrativas e financeiras do município.
Mas, enquanto o efetivo não é ampliado, a prefeitura aposta no uso de ferramentas tecnológicas para otimizar o atendimento das demandas da população. Atualmente, muitas ocorrências são registradas por meio do WhatsApp da Guarda Municipal, que direciona as equipes para os locais indicados pelos moradores.
Lousada destacou que grande parte das denúncias está relacionada ao estacionamento irregular de veículos sobre calçadas, situação que prejudica a circulação de pedestres, idosos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Segundo ele, a fiscalização será intensificada e poderá contar, inclusive, com o uso de reboques para remoção de veículos em situações mais graves.

Grandes câmeras ‘de olho’
A secretaria também adquiriu cinco novas câmeras do tipo Speed Drone, que serão utilizadas no monitoramento de áreas estratégicas da cidade, incluindo a Feirarte e a Avenida Oliveira Botelho. Os equipamentos terão capacidade de registrar infrações como avanço de sinal vermelho, desrespeito à faixa de pedestres e outras irregularidades de trânsito.
A meta da administração municipal é concluir o ano com cerca de 150 câmeras interligadas ao sistema de monitoramento, permitindo o compartilhamento de informações com a Polícia Militar, o Ministério Público e a 110ª Delegacia de Polícia.

Parcerias público-privadas
No início do mês, o prefeito Leonardo Vasconcellos sancionou a Lei Municipal nº 4.696/2026, que, entre outros, permite que moradores, condomínios e empresas acessem voluntariamente ao sistema municipal de monitoramento, permitindo que imagens de câmeras voltadas para ruas e áreas públicas sejam compartilhadas em tempo real com a prefeitura. O município afirma que o uso dessas ferramentas deverá seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com exigência de auditoria, controle de acesso, registro de operações e relatórios anuais de transparência.







