Marcello Medeiros
Aos 72 anos, o ‘mineiro teresopolitano’ Delino Tomé mais uma vez prova que, para algumas pessoas, a idade é só um número! Após quase dois meses de estrada, o morador da Barra do Imbuí, que nasceu em Varginha (MG) e escolheu Teresópolis para viver, acaba de concluir a ultramaratona entre nosso município e João Pessoa, na Paraíba. Foram aproximadamente 2100 quilômetros de muitos desafios, levando toda sua bagagem, encarando frio, sol, chuva… Dias de luta recompensados pela conclusão dessa jornada. Em vídeos encaminhados ao Diário nesta quinta-feira (30), Delino registrou a chegada ao destino almejado e, seguida, a tentativa de registrar o feito na prefeitura de João Pessoa – onde infelizmente não foi recebido como deveria. “Tentei fazer foto com alguém aqui, mostrar meu projeto, tudo que foi feito, mas infelizmente não consegui. Mas está bom, o importante é ter conseguido concluir esse caminho tão difícil”, pontuou.
Essa foi a segunda tentativa de Tomé sair de Teresópolis e correr até João Pessoa, sempre por acostamentos de grandes estradas – mais um grande desafio além da óbvia dificuldade física dessa jornada. Em 2025, o ultramaratonista teve alguns problemas e dificuldades e precisou encerrar o projeto antes de chegar à João Pessoa. Mas, ao voltar para casa, continuou seu treino, participou de corridas diversas, reorganizou a planilha, inclusive aumentando o tempo previsto para tamanha façanha, e agora em 2026 ele conseguiu eternizar essa ‘super maratona’ na sua história. Sozinho, carregando mochila, comida, água, roupa reserva…. E também um banner com os dados bancários de várias instituições sociais do município, para quem Tomé sempre busca tentar arrecadações para ajudar no funcionamento. Assim que retornar ao município, Delino será entrevistado pela Diário TV para dar mais detalhes dessa grande jornada.
Referência no esporte
De uma vida errônea até a casa dos 30 anos a inspiração para muita gente. Após passar um período no sistema prisional, enquanto o filho estava prestes a nascer, Delino decidiu que não queria mais viver esse tipo de situação e mudou totalmente. Descobriu que era bom nesse esporte e passou a se dedicar intensamente a ele, mas ainda tendo que encarar mais um desafio: conciliar os treinos com o duro trabalho na construção civil. E ele mostrou que realmente nasceu para correr. Mesmo sem uma ‘vida tradicional de atleta’, venceu diversas provas de ultramaratona e, a nível nacional é referência para muita gente. Em Teresópolis então, nem se fala. Basta acompanhar a tradicional ‘maratona da ciclofaixa’, onde, uma vez por ano, ele fica 24 horas correndo, com poucas paradas para descanso e alimentação, enquanto arrecada alimentos para doar para instituições sociais do município. Nesse evento, sempre recebe grande apoio de corredores de Teresópolis, que também têm o costume de acompanha-lo nos primeiros quilômetros de grandes desafios, como, por exemplo, quando decidiu correr até o Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte, São Paulo.







