Luiz Bandeira
Prestes a completar um ano da queda do muro de contenção aos fundos do Edifício Granado, na Várzea, moradores do condomínio seguem convivendo com a insegurança e cobrando providências do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A estrutura cedeu no dia 24 de maio de 2025, durante um período de fortes chuvas, quando máquinas do órgão estadual realizavam serviços no leito do Rio Paquequer, nas proximidades da Praça Olímpica Luís de Camões. Desde então, segundo os moradores, nenhuma obra de reconstrução foi iniciada. O caso já motivou processos administrativos, cobranças à Prefeitura de Teresópolis e uma ação judicial movida pelo condomínio. Enquanto isso, o temor aumenta a cada chuva forte. “É um descaso absoluto do órgão público”, afirma a síndica do Edifício Granado, Adriana Bezerra de Oliveira. “Nós abrimos processo administrativo, o próprio INEA reconheceu a necessidade da obra, mas nada foi feito.”
A síndica relata que o condomínio chegou a ser informado de que haveria uma licitação em andamento para reconstrução da contenção, o que, segundo ela, não se confirmou. “Disseram que existia uma licitação em curso, mas isso não aconteceu. Na realidade, não existia essa licitação”, declarou.

Moradores deixaram o prédio
Além da preocupação estrutural, a situação já trouxe impactos diretos à vida dos moradores. Adriana relata que algumas famílias decidiram deixar o edifício diante do medo provocado pela proximidade do rio e pela ausência de uma solução definitiva. “Recentemente, um casal precisou deixar o prédio porque a esposa sofreu uma crise nervosa devido às chuvas recorrentes, ao aumento do rio e ao medo de um possível colapso”, contou.
Segundo ela, o sentimento entre os moradores é de fragilidade e abandono. “Neste momento da entrevista está chovendo muito, o rio está aumentando e nós continuamos expostos por causa dessa inércia do poder público”, disse.
Inea aponta problemas anteriores
Em fevereiro deste ano, em resposta a questionamentos feitos pela reportagem de O Diário, o Inea informou que concluiu os estudos técnicos e elaborou o projeto de engenharia para contratação da obra de contenção. No entanto, nenhum prazo para execução dos serviços foi divulgado.
Na nota enviada à imprensa, o órgão estadual alegou ainda que o muro já apresentava problemas antes da intervenção no Rio Paquequer. Segundo o instituto, a estrutura era anterior à construção do edifício, datada de 1963, e possuía fissuras, falhas de manutenção preventiva e infiltrações recorrentes.
O Inea também atribuiu parte da instabilidade a problemas no sistema de drenagem e no tratamento de esgoto do condomínio. A síndica rebate as alegações e afirma que todas as exigências feitas pelos órgãos públicos foram cumpridas. “Fizemos tudo o que foi solicitado. Realizamos obra na fossa, instalamos o filtro anaeróbico, entregamos projetos, fotos e documentação. Cumprimos todas as exigências, mas nada foi feito”, afirmou.

Caso está na Justiça
Sem avanço administrativo, o condomínio decidiu recorrer ao Judiciário. A ação segue em andamento e, segundo Adriana, essa passou a ser a única alternativa para tentar garantir a reconstrução da contenção. “Agora a questão está na esfera judicial. Tudo o que eu poderia fazer administrativamente eu fiz. Fui aos órgãos públicos, participei de entrevistas, fiz pedidos. Não tenho mais nada para fazer a não ser pedir que o Judiciário adote as medidas necessárias”, concluiu.






