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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Era uma aventura viajar para Teresópolis. Era?

Houve um tempo onde viajar do Rio de Janeiro para Teresópolis era uma grande aventura

Wanderley Peres

Houve um tempo onde viajar do Rio de Janeiro ao Alto de Teresópolis era uma grande aventura. Partindo da Praça XV, de barco, depois pegando um trem em Piedade e outro tipo de trem em Guapimirim, levava-se mais de meio dia viajando, e todos ficavam sujeitos às intempéries marítimas e aos imprevistos, e até graves acidentes, principalmente na serra. Assim era a viagem para Teresópolis cerca de 100 anos atrás, e que mudou um pouco a partir de 1923, quando aboliu-se o trecho marítimo, indo o trem direto da estação da Várzea, aberta em 1926, até a estação da Leopoldina, no centro do Rio.

Essa viagem era ainda mais difícil antes do trem, que começou em trechos fracionados, a partir de 1896, e muito aos poucos foi subindo a serra, onde só chegou ao alto dela em 1908. Antes do trem, após descer dos barcos em Piedade, pegava-se carruagens para ultrapassar a alagada ou empoeirada região de Magé, e depois de pernoitar na Barreira, utilizavam-se de liteira e cavalos selados para concluir o trecho de subida. Era aventura de um dia inteiro, e até de dois dias, quase sempre, por conta da falta de condução disponíveis.

Com a “estrada direta”, a partir de agosto de 1959, tudo melhorou, reduzindo à metade as três horas e meia, tempo que durava a viagem a partir da reconstrução estrada de rodagem Teresópolis-Itaipava, no final dos anos 1930. Do Rio, de carro ou ônibus, podia-se, enfim, chegar a Teresópolis sem baldeação, e em estrada direta, percorrendo algo em torno de quase 100km até o Soberbo em pouco mais de uma hora.

Mas o que era bom, com o passar do tempo piorou e, apesar do progresso e das tecnologias tão comemoradas, parece que retrocedemos aos tempos de outrora, e sem o tempero do romantismo. A conclusão, de quem viaja regularmente para o Rio de Janeiro para trabalhar, tendo escolhido Teresópolis para viver à noite e nos finais de semana, é bem descrita em e-mail à coluna pelo leitor Moacyr Cruz.

“Uma viagem prevista para durar 1h40min, seja indo ao Castelo (Rio) ou voltando, demora hoje em dia de duas a três horas, normalmente, se não houver imprevistos. Mas imprevistos quase sempre acontecem – acidentes na serra, deslizamento de barrancos e pedras, atropelamentos na reta de Magé, acidentes na Rodovia Washington Luís, acidentes ou carros enguiçados na Avenida Brasil e acidentes principalmente envolvendo motos na Linha Vermelha -, não são acontecimentos fortuitos, mas eventos que se alternam em regularidade tal, que permitem aos viajantes diários preverem o tempo final da jornada, com base nessas condicionantes, como obstáculos a serem ultrapassados a cada viagem… Isso sem falar nos engarrafamentos fatais, na Linha Vermelha, na Avenida Brasil e na Perimetral. Para completar o stress, a cada obstáculo enfrentado, se viajamos de ônibus, temos de conviver com as pessoas ligando para casa e relatando os fatos. E interessante, cada qual na sua versão… Então concluímos que, apesar dos tempos, em uma viagem a Teresópolis, partindo em especial do Castelo, tudo é sempre igual e os imprevistos sempre acontecem”, informa o atento passageiro.

Conclui-se, então, que as transformações exigem mudanças. E até as idéias que parecem geniais são obrigadas a serem recicladas com o tempo a partir das mudanças que ele impõe. Então, qual a solução para melhorar a qualidade de vida de quem viaja diariamente para o Rio de Janeiro? Um fórum com a participação dos usuários do serviço bem que poderia achar a resposta.

Estamos sempre nos reinventando, e não podemos descartar a volta do trem. É o transporte do passado surgindo como solução para o futuro.

Ilustração: Trem na Serra, pintura de Renato Bordini feita para a capa do livro “A Estrada de Ferro Therezopolis”.

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Edição 17/05/2022
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