Na tarde da última quarta-feira (26), o governo municipal emitiu nota oficial tratando da proibição do trabalho de catadores de materiais recicláveis no lixão do Fischer, em Teresópolis. Segundo o documento, a ação segue determinação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ): “A medida cumpre uma decisão judicial emitida pelo juízo da 1ª Vara Cível de Teresópolis, em atendimento a uma Ação Civil Pública movida pelo MPRJ”. Porém, o frio e obrigatório cumprimento da decisão judicial não pontua nada sobre como ficariam as dezenas de pessoas que, por muitos anos, têm tirado seu sustento nesse local. A informação é que, inicialmente, eles poderiam ficar no antigo aterro até o fim de semana. Porém, já nesta sexta-feira (27), eles foram impedidos de entrar. Sem saber como proceder, eles realizaram uma pequena manifestação na portaria do espaço, às margens da BR-116.

“Na quarta-feira o secretário avisou simplesmente que segunda não poderíamos trabalhar, mas ontem chegou aqui dizendo que não poderíamos entrar mais hoje, pegando todo mundo desprevenido. Com a gente parando, perde a economia também, são de 80 a 100 famílias, mais de 500 pessoas que dependem dessa renda. Quando fechou da outra vez vieram cheios de propostas, mas nada se cumpriu. Poderiam usar parte desse recurso de milhões previsto para cá para nos ajudar, para fazer um local adequado para trabalhar, mas o catador é sempre esquecido”, relatou à Diário TV Luiz Paulo Rego.

Outro catador que há muitos anos tira o sustento do lixo que pode ser reciclado, Michael Paim de Oliveira citou ainda que o prejuízo será também grande para outras pessoas que não atuam diretamente no local. “Não são só as pessoas, são todas as famílias, gente que tem filho, que paga aluguel. E tem também a moça que vende quentinhas pra quem trabalha aqui, o que vende sacolé, a que vende salgado, são muitos impactados com essa decisão”, destacou.
Iago Oliveira reforçou que os catadores não querem receber nenhum tipo de auxílio, mas que o que buscam é conseguir seu sustento pelos próprios esforços: “A gente está aqui é para trabalhar, não queremos nada de mão beijada. Queremos é só trabalhar, mas não estão deixando fazer isso, buscar o nosso futuro e futuro dos nossos filhos. Trabalhamos com reciclagem buscando dar um futuro melhor para eles, que podem vir a ser médicos, policiais, profissionais que serão formados com nosso trabalho honesto”.

Eles frisaram ainda a importância ecológica desses profissionais, que separam do que seria tratado como lixo comum materiais que podem voltar ao ciclo de vida útil, evitando assim que mais recursos sejam retirados do meio ambiente. Cobramos um posicionamento do governo municipal sobre a situação, para saber se tais profissionais seriam contemplados com a criação de uma associação, para receber tudo que fosse reciclável, por exemplo, ou atendidos com algum tipo de suporte da secretaria de Desenvolvimento Social até que uma solução definitiva fosse alinhada. Porém, não recebemos nenhuma resposta até o fechamento desta edição.

‘Cumprindo o que está na lei’
Segundo a nota divulgada na quarta, a decisão judicial emitida pelo juízo da 1ª Vara Cível de Teresópolis diz que apenas servidores municipais que trabalham no local e os caminhões da empresa contratada para a coleta domiciliar de lixo têm permissão para circular pela área. No final do documento, o governo municipal diz que tem investido para transformar o atual lixão em aterro novamente: “Desde que assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2025, o Governo Municipal vem trabalhando para implementar melhorias e encontrar uma solução definitiva para o Fischer. Uma das ações foi buscar o apoio do Governo do Estado para acelerar esse processo. Compreendendo a situação, o Estado destinou R$ 5 milhões do Fecam (Fundo Estadual de Controle Ambiental), recurso que a Prefeitura utilizou na contratação de empresa que está elaborando projeto de futuras obras de remediação do local”.





