Outro dia me perguntaram qual é a minha relação com a política. Eu respondi sem hesitar: é uma boa relação — e motivo de vaidade.
Minha trajetória começou de forma institucional, em 1979, quando organizei, em Brasília, a primeira assessoria parlamentar do Banco do Brasil. Era o período da abertura política, e a relação entre Estado, Congresso e sociedade começava a se reorganizar. Pouco depois, fui cedido ao Ministério da Fazenda, onde estruturei a assessoria parlamentar da Secretaria-Geral. Ali aprendi que política não é apenas palanque: é articulação, método e estratégia.
Mas foi nas campanhas eleitorais que a minha relação com a política ganhou intensidade.
Em 1982, na primeira eleição direta para governadores após o regime militar, participei da campanha do PDS. Iniciamos com a candidatura do Rubem Medina para o governo, uma estratégia de alavancagem para o partido. Uma vez competitivo no Rio, o partido, orientado por Rubem Medina, o substituiu por Moreira Franco.
Três anos depois, em 1985, na volta das eleições diretas para prefeitos das capitais, estive na campanha de Rubem Medina à prefeitura do Rio. A primeira providência seria unir os candidatos de oposição ao Brizola, mas nenhum deles quis recuar e a legislação não autorizava segundo turno. Se já houvesse segundo turno é provável que o resultado tivesse sido outro com a vitória de Rubem Medina, segundo colocado. Saturnino venceu e declarou a falência da cidade.
Em 1989, na primeira eleição direta para presidente da República, integrei a coordenação da campanha de Fernando Collor no Rio de Janeiro. Voltei à campanha de Moreira Franco em 1986. Ele venceu, com base numa estratégia que construiu um arco de alianças de partidos para derrotar o candidato do Brizola. História boa para contar.
Em 1994, ajudei a estruturar a aliança do PFL com o PSDB, no Rio, que deu a vitória ao Marcello Alencar. Em 2002, participei da eleição de Denise Frossard para a Câmara dos Deputados — um caso clássico de estratégia bem-sucedida. Em 2006, nova disputa marcante, também ao lado da Denise Frossard, que sem estrutura, com pouquíssimo dinheiro, num partido insignificante, o PPS, venceu Eduardo Paes, braço de Sérgio Cabral com o objetivo de enfraquecer a Denise; venceu Marcelo Crivella, Lupi e o candidato do PT. Fomos ao segundo turno contra Sérgio Cabral.
Em 2008, tive a vitória de Sérgio Sessim em Nilópolis. Em 2010 e 2013, organizei e coordenei a aplicação da estratégia que elegeu e reelegeu Peter Siemsen para a Presidência do Fluminense. Depois, veio a campanha do Leven no Vasco. Vencemos, mas o Leven não levou.
Em 2016 e 2018, atuei nas campanhas de Índio da Costa à prefeitura do Rio e ao governo do Estado. Em 2020, no contexto da pandemia, trabalhei nas campanhas de Fred Luz, no Rio, e de Felipe Peixoto, em Niterói — eleições marcadas pela reinvenção digital e pela limitação do contato físico.
Mais recentemente, em 2024, participei de campanhas municipais em Taubaté e Nilópolis, além de estratégias para candidatos a vereador no Rio de Janeiro e na Baixada.
Ao longo dessa jornada, houve vitórias e derrotas. Errei. Acertei. Aprendi mais com os erros do que com os acertos — e os acertos passaram a ser mais frequentes justamente por causa disso.
Escrevi livros, dei consultorias, formei candidatos e equipes. Depois de mais de quatro décadas acompanhando a política por dentro — nos bastidores, nos comitês, nas articulações e nas crises — acumulei não apenas histórias, mas métodos. Sou um estrategista. A melhor estratégia tem sido não servir aos picaretas e fugir à légua dos ladrões e evitar a presença nos templos para não fazer da fé o papel das pombas no templo de Jerusalém.
E é esse método, forjado entre campanhas históricas, transições institucionais e disputas improváveis, que agora compartilhar. Hoje estou dedicado a mentorias, cursos e orientações para compartilhar as minhas experiências e o meu conhecimento de um tema que me apaixonou desde garoto.

