Marcello Medeiros
Há 10 dias, quem tem que sair de Teresópolis para ir a Petrópolis, ou fazer o sentido inverso, precisa de muito mais tempo e/ou dinheiro: com o fechamento da rodovia BR-495, por conta do afundamento de parte da pista, a viagem por Caxias ou São José do Vale do Rio Preto demora cerca de 1h mais. Nesta quarta-feira (04), a reportagem do Diário esteve no quilômetro 22 da estrada federal para registrar a complicada situação. Boa parte do solo abaixo da camada de concreto cedeu e, segundo quem passa por lá diariamente, fica mais baixo a cada dia. A terra parece estar ‘sumindo’. Não há passagem de água visível, mas aparentemente alguma infiltração bem abaixo do ponto onde ocorreu o problema pode estar causando o afundamento do terreno. O DNIT informou à reportagem que não há sequer previsão para a reabertura, mas que estudos estão sendo realizados na estrada que liga Teresópolis a Itaipava.

“Técnicos da autarquia estão finalizando a análise que irá identificar as causas do afundamento da pista para definir a solução de engenharia mais adequada para a recuperação da rodovia. Paralelamente, as equipes trabalham na instrução do processo para decretação de situação de emergência, a fim de viabilizar o início, no menor prazo possível, dos serviços necessários à recomposição do segmento. O local permanece totalmente interditado, sem previsão de liberação do trecho”, informou o órgão federal, em posicionamento encaminhado ao Diário.
No local, populares informaram outra versão: o DNIT estaria estudando a realização de uma passagem lateral, cortando um pequeno fragmento florestal, para temporariamente permitir o fluxo de veículos. Hoje, somente motos e bicicletas conseguem passar pelo trecho. Enquanto isso não ocorre, produtores rurais da região, que comercializam seus produtos em Teresópolis e Petrópolis, precisam fazer baldeação entre caminhões – deixando um em cada lado da interdição.

“O DNIT já tinha combinado de fazer um desvio, mas hoje é quarta e não tem ninguém aqui. Dizem que irão trazer a máquina que conseguirá realizar esse corte, mas até agora nada. Além disso, colocaram esse guard-rail para evitar a passagem de veículos, mas ele atrapalha passarmos com os carrinhos para levar os legumes e verduras de um caminhão para o outro. Agora temos que passar pelo cantinho da estrada, com as caixas na costas”, relatou a produtora Fabiana Carvalho, que mora no Vale do Jacó, vizinho à BR-495.
Também conversamos com o petropolitano Davi Araújo Junior, que, de moto, esteve no local para pensar em uma alternativa para buscar e levar a filha, que estuda em universidade em Teresópolis. “Fui passar por São José do Vale do Rio Preto e não dá, é buraco pra todo lado, não tem iluminação… Estourei uma roda do carro passando por lá e agora vou ver se dá pra fazer de moto, pois não vou deixar minha filha sozinha lá na estrada de São José”, destacou.

Outros caminhos para chegar a Petrópolis
A rota mais procurada é que segue em direção ao Rio de Janeiro, via BR-116, pegando a BR-040 na altura de Duque de Caxias, subindo a serra de Petrópolis. Nesse caso, são dois pedágios e aproximadamente 100 quilômetros de distância. Há praças de cobrança na Rio-Teresópolis, onde o pedágio custa R$ 18,60, e na Rio-Petrópolis, ao custo de R$ 21.
Ainda seguindo sentido Rio de Janeiro, outra dica é entrar ao lado do viaduto de Piabetá, em Magé, e pegar a chamada ‘Serra Velha’, que liga o distrito mageense a Petrópolis, saindo nas proximidades da Rua Teresa. Nessa situação, ainda é preciso pagar um pedágio, na BR-116. Importante frisar que a chamada ‘Serra Velha da Estrela’ tem calçamento em paralelepípedos e muitas curvas bastante fechadas, um desafio para os motoristas menos experientes.

Saindo de Teresópolis, outro caminho é através do município de São José do Vale do Rio Preto, que faz limite com Petrópolis através do bairro da Posse. Nesse caso, trata-se de uma estrada mais estreita, a BR-492, e, geralmente, com muitos buracos e quebra-molas. São 100 quilômetros de distância, sem cobrança de pedágio. Nesse caso, a viagem acaba ficando mais demorada porque é preciso seguir pela BR-116 até a entrada de São José, cruzar todo o município vizinho e depois pegar a estrada que conduzirá o motorista até a Posse, onde poderá seguir via Pedro do Rio ou pegar em direção a Areal e subir pela BR-040.
Para os mais ‘aventureiros’, existe ainda uma estrada de terra batida que conecta a localidade de Santa Rita, em Teresópolis, ao Vale do Cuiabá, em Petrópolis. Nesse período chuvoso, porém, alguns trechos podem estar escorregadios e bastante arriscados, sendo recomendado apenas para quem possui veículos tracionados e tenha conhecimento das estradas da região, visto que não há sinalização indicando o caminho e o sinal de telefonia celular é precário.






