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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Educação fortalece a rede de proteção contra violência doméstica e abuso infantil em Teresópolis

Evento reuniu gestores escolares, especialistas e órgãos da rede de atendimento para orientar educadores sobre acolhimento e encaminhamento de vítimas

Luiz Bandeira

A Secretaria Municipal dos Direitos da Mulher promoveu nesta terça-feira (16), no auditório do CEAC, na Praça Baltazar da Silveira, na Várzea, uma capacitação voltada a coordenadores pedagógicos, diretores e profissionais da educação com foco no enfrentamento à violência doméstica, ao abuso sexual e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa reuniu representantes da rede de proteção do município, especialistas e gestores públicos para orientar os educadores sobre como identificar sinais de violência, acolher vítimas e realizar os encaminhamentos adequados.

Segundo a secretária municipal dos Direitos da Mulher, Kátia Borges, a capacitação foi motivada por uma legislação recente que reconhece as escolas como pontos de acolhimento para vítimas de violência. Ela destacou que a formação dos profissionais da educação é fundamental, já que a maior parte das crianças e adolescentes vulneráveis está em idade escolar. “A escola é um lugar onde temos condições de reconhecer, acolher e agora saber como encaminhar e dar continuidade a esse atendimento. Ali a gente salva vidas”, afirmou a secretária. Ela ressaltou ainda que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos na tentativa de proteger os filhos, enquanto crianças expostas à violência doméstica podem reproduzir esses comportamentos no futuro.
Kátia também destacou os avanços obtidos pelo município no enfrentamento à violência contra a mulher. De acordo com ela, Teresópolis já foi apontada como uma das cidades com os piores índices de violência familiar no estado, mas atualmente vive uma realidade diferente. A secretária informou que o último registro de feminicídio ocorreu em dezembro de 2024 e que o município segue sem casos da natureza desde então.

Profissionais da educação e gestores públicos participaram de palestras e debates sobre identificação de sinais de violência, acolhimento de vítimas e encaminhamento aos órgãos competentes. Foto: O Diário

Grupos reflexivos para homens agressores
Apesar dos avanços, ela ressaltou que ainda há desafios importantes. Entre as novas ações previstas está a implantação do Serviço de Educação e Responsabilização para Homens Agressores, com grupos reflexivos destinados a autores de violência doméstica. O projeto já conta com legislação sancionada e deverá entrar em funcionamento em breve.

Educação como ferramenta de prevenção
A secretária municipal de Educação, Carla Rabello, enfatizou o papel estratégico das escolas na prevenção e no combate à violência. Segundo ela, além de identificar situações de risco, os profissionais precisam conhecer os canais de denúncia e os procedimentos adequados para cada caso. “A escola tem uma oportunidade importante de orientar e conscientizar. Quando trabalhamos esses conceitos com crianças e jovens, ampliamos as possibilidades de construir uma sociedade mais respeitosa e menos violenta”, destacou.

Coordenadores pedagógicos e diretores escolares acompanharam orientações sobre o papel das escolas na prevenção e combate à violência contra mulheres, crianças e adolescentes. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Projeto Bem Me Quer fortalece atendimento às vítimas
Durante o encontro, também foram apresentados os serviços oferecidos pelo Projeto Bem Me Quer, centro integrado de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A coordenadora Sandra Erli explicou que o serviço atua há 12 anos em Teresópolis, oferecendo acompanhamento terapêutico, clínico e apoio às investigações em parceria com a Polícia Civil e o Ministério Público.

Ela destacou que o município possui uma rede estruturada para receber denúncias e acolher vítimas encaminhadas por escolas, unidades de saúde, Conselho Tutelar, assistência social, Judiciário e demais órgãos de proteção. Segundo Sandra, o trabalho contínuo de conscientização realizado ao longo dos anos contribuiu para o aumento das notificações, o que permite que mais casos sejam identificados e atendidos.
A capacitação reforçou a integração entre as secretarias municipais e os órgãos da rede de proteção, fortalecendo a atuação conjunta na defesa dos direitos de mulheres, crianças e adolescentes e ampliando a capacidade de resposta diante de situações de violência no município.

”A escola é um lugar onde temos condições de reconhecer, acolher e saber como encaminhar. Ali a gente salva vidas”, ressaltou Kátia Borges.
Há 12 anos atuando no município, o Projeto Bem Me Quer oferece atendimento especializado e integrado às vítimas de abuso sexual e suas famílias.

Teresópolis 17/06/2026
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