Marcello Medeiros
O período chuvoso parece estar longe, mas é justamente quando as tempestades não estão ocorrendo que é preciso se preparar para os problemas causados pelo grande volume de precipitação. Em Teresópolis, algumas situações são recorrentes na estação com mais chuva e, mesmo assim, entra ano e sai ano e não são buscadas soluções para alagamentos em vias públicas, por exemplo. Um desses locais onde basta chover um pouco mais forte para a água barrenta tomar conta é o bairro da Ermitage. Porém, há mais de 20 anos esse problema poderia ter sido pelo menos amenizado: em 2003 foi construída uma galeria cruzando toda a Rua Manoel José Lebrão, ao custo de quase R$ 1 milhão, mas, em mais um exemplo de desperdício de dinheiro público, esse sistema ‘liga nada a lugar nenhum’. Tal obra voltou a ser assunto na Câmara Municipal de Teresópolis, que debateu, entre outros os temas, justamente da necessidade do trabalho de prevenção para o período chuvoso.
Quem voltou a falar da galeria, iniciada no governo Tricano, foi o vereador Hygor Faraco (Agir), que lembrou que a obra não está conectada a rede pluvial. “Já existe uma indicação do Raimundo Amorim e nosso gabinete vem reforçar sobre a situação da Manoel Lebrão, onde há uma galeria pronta, interrompida, que tem início no cruzamento do Clube Várzea e segue até as proximidades da Renault. Mas é preciso fazer as conexões com os bueiros e com o rio que passa ao lado. Falta pouca coisa, mas nunca terminaram uma obra que seria importante para esse período de chuvas fortes e onde sempre ocorrem alagamento gigantescos que afetam até a Várzea”, pontuou Faraco.

Desperdício de dinheiro público
A obra custou à época R$ 900.429,69. Atualizando para os dias de hoje, esse valor representa R$ 3.524.364,57 (pelo IPCA) ou R$ 4.700.043,94 (pelo IGP-M). Na ocasião da construção dessa galeria, O Diário ouviu um ex-secretário municipal de Serviços Públicos, Luiz Carregal sobre a galeria que cortava a Manoel José Lebrão. Apesar da necessidade desse tipo de empreendimento, ele informou que talvez não fosse suficiente para o volume de água da região – isso naquela época: “É muito estreita para poder suportar o enorme volume de água proveniente dos rios da Ermitage e da Tijuca, pois esses rios se encontram ao lado do Várzea F.C., passando a um só rio em direção ao Paquequer, só que, em épocas de fortes chuvas, o volume cresce muito e, deste modo, ao chegar até a galeria em construção, como a mesma é estreita, o alagamento das redondezas certamente será inevitável”.

A reportagem também apurou na ocasião que nas proximidades da antiga Casa de Saúde a saída dessa água seria feita através de duas manilhas de 80: “Quer dizer, o rio ali foi também estreitado, e mais adiante, margeando a Rua Manoel Lebrão em direção à Barra, o riacho tem cerca de quatro metros de largura por quatro de altura, embora esteja necessitando de limpeza, mas em condições de suportar grande quantidade de água. Resumindo, dois rios que se transformam em um, entram em uma galeria estreita, e em manilhas também estreitas. Será que durante fortes temporais nada de anormal vai acontecer?”, frisou Carregal ao jornalista Evaldo de Oliveira, também já falecido.







