Maria Eduarda Maia
Elas deixam a casa mais bonita, dão vida aos ambientes e são presença comum em jardins e vasos. Mas algumas plantas e flores, apesar de bonitas e aparentemente inofensivas, podem representar um perigo para cães e gatos. Muitas vezes, os responsáveis pelos animais não fazem ideia de que aquela espécie escolhida para decorar a casa pode fazer mal aos animais. Segundo a veterinária Tatiana Campos, da clínica Au&Mia, são muitas as plantas que podem oferecer risco. Entre as mais conhecidas estão o lírio, a espada-de-São-Jorge, o antúrio, a tulipa, a comigo-ninguém-pode, a hortênsia, a azaleia e a jiboia. “São muitos tipos de plantas. Então, a gente tem que, primeiramente, saber qual tipo de planta que a gente vai ter dentro de casa”, explica, em entrevista ao Diário.
Os sintomas de uma possível intoxicação variam de acordo com a planta ingerida, a quantidade e até mesmo a parte da planta que foi consumida. A espécie do animal também influencia na reação. “Os sintomas mais comuns que você pode ver são diarreia, vômito. O animal vai ficar enjoadinho, nauseado, pode ter salivação excessiva, pode ficar com dor na barriguinha”, afirma Tatiana. Em casos mais graves, o quadro pode evoluir para tremores, convulsões, sangramentos e inchaço na boca. Por isso, qualquer alteração após o contato com uma planta deve ser observada com atenção.
A veterinária ressalta que não existe uma reação única para todos os casos. “Esses sintomas variam de caso para caso, né? Variam não só em função da planta que foi ingerida, mas até mesmo da parte da planta e da espécie que está envolvida”, explica.

O que fazer se o pet ingerir uma planta?
Ao perceber que o animal pode ter ingerido uma planta, o primeiro passo é tentar identificar o que foi consumido. “É preciso procurar se essa planta está destruída, se essa planta está ali pelo local onde o animal estava. Recolher essa planta e, a partir daí, tirar uma foto, mandar para o veterinário de confiança para que ele possa dizer quais são os primeiros socorros imediatos e, em seguida, levar o animal para a clínica veterinária para que possa ser feita a avaliação”, orienta Tatiana.
Um ponto importante é não tentar resolver a situação com receitas caseiras. Leite, óleo, comida ou qualquer outra substância não devem ser oferecidos ao animal sem orientação profissional. “É para fazer de acordo com a orientação do veterinário, porque isso pode, de repente, piorar a situação”, alerta a veterinária.
Além disso, o atendimento rápido pode fazer diferença na evolução do quadro. “O tempo é crucial. Se você for rápido, você ganha tempo para que esses sintomas não se manifestem e o seu animal possa sair ileso disso”, completa. Na clínica veterinária, o atendimento começa com uma avaliação do estado geral do animal. A partir dos sintomas e das informações sobre a possível planta ingerida, o profissional define a conduta mais adequada. Por isso, conseguir identificar a planta pode ser importante para ajudar o veterinário a definir o tratamento.

Como evitar acidentes
Para evitar acidentes, a principal recomendação é pesquisar antes de levar uma nova espécie para casa. “É muito importante que antes de adquirir uma planta, se você já tem um bichinho, um cão, um gato, você pesquise na internet mesmo para saber qual é a situação daquela planta em relação ao animal que você tem. Então, vê se é uma planta tóxica”, orienta.
Segundo a veterinária, o cuidado também precisa estar presente nos jardins. “Se, por exemplo, você tem um jardim e o animal tem acesso a esse jardim, é muito importante que ele esteja sempre bem organizado, bem podado, que seja feita uma manutenção. Porque, muitas vezes, você não plantou aquela planta ali. Às vezes, o próprio passarinho, o ar, trouxeram aquela planta e você nem sabe que ela está ali”, explica.
Dentro de casa, a recomendação é manter os vasos fora do alcance dos animais. Isso vale inclusive para plantas que o responsável não considera tóxicas, já que o pet pode ingerir folhas ou flores e passar mal. “Até mesmo a água de vasos de certas plantinhas podem fazer mal para o animal. Então, o ideal é que se você tem planta, você coloque fora do raio de acesso dele mesmo”, finaliza a veterinária.
PLANTAS QUE PODEM OFERECER RISCO A CÃES E GATOS
- Lírio (Liliu)
- Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia seguinte)
- Jiboia (Epipremnum pinnatum);
- Antúrio (Anthurium);
- Azaleia (Rhododendron simsii);
- Tulipa (Tulipa);
- Hortênsia (Hydrangea macrophylla);
- Costela de Adão (Monstera deliciosa);
- Espada-de-são-jorge (Dracaena trifasciata).









