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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Crise no Estreito de Ormuz já muda estratégia de importadores, diz CEO da Port Trade

Eudes Silveira afirma que alta do petróleo, desvios de rota e problemas logísticos na Ásia podem elevar fretes e pressionar preços de produtos importados no Brasil

Isla Gomes

A alta dos fretes marítimos já está levando importadores a rever o momento de compra e embarque de mercadorias, segundo Eudes Silveira, CEO e diretor executivo da Port Trade. Em entrevista à Diário TV, o executivo afirma que a combinação entre a tensão no Estreito de Ormuz, problemas climáticos na Ásia e congestionamentos em portos pode elevar custos e ampliar o prazo de chegada de produtos ao Brasil. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás, tornou-se um dos pontos de maior atenção para o comércio internacional em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
Segundo dados citados pela Reuters, apenas 17 navios de commodities atravessaram o estreito no fim de semana de 19 e 20 de setembro, contra uma média de cerca de 125 embarcações por dia antes da guerra. Para o CEO, a redução do tráfego na região tem impacto direto sobre o mercado internacional de fretes. Além dos riscos e das restrições à navegação, o executivo destaca o efeito do petróleo sobre os custos operacionais das embarcações. “O Estreito de Ormuz acaba se tornando parte refém da guerra entre Estados Unidos e Irã. Isso afeta o mercado internacional de frete porque ali temos um grande tráfego de embarcações petrolíferas, de petróleo e óleo, e os navios são movidos a óleo. Então, isso afeta porque temos um custo maior do petróleo, e esse custo maior é repassado para o frete”, afirma.
Outro fator apontado pelo executivo é a necessidade de utilização de rotas alternativas. Com viagens mais longas, aumentam os custos relacionados ao combustível, ao tempo de navegação e à operação dos navios. “Com as restrições de tráfego no Estreito de Ormuz, temos que fazer uma escala maior. O tempo de viagem, que deveria ser menor, acaba se alongando, às vezes, em até 15 dias para determinadas regiões”, explica Eudes. O impacto pode chegar ao consumidor brasileiro de forma indireta. Fretes mais elevados aumentam o custo de importação e podem pressionar os preços de mercadorias que dependem do transporte marítimo para chegar ao país.

Produtos mais afetados
Entre os produtos que podem sentir os efeitos estão brinquedos, frutas secas, azeite e bacalhau, além de mercadorias destinadas às vendas de Black Friday e ao período de Natal. Segundo Silveira, o planejamento das empresas passou a ser ainda mais importante diante da combinação de fatores que afetam a logística internacional. Além das tensões no Oriente Médio, o executivo chama atenção para as condições climáticas e para os problemas registrados na infraestrutura portuária asiática. “Somado ao Estreito de Ormuz, tivemos o fenômeno La Niña. Com esse efeito, tivemos alguns tufões na China que afetaram portos e a cadeia logística como um todo. Isso também gerou um impacto maior na chegada dos produtos ao território nacional”, afirma.

Para as empresas importadoras, a estratégia adotada pode variar de acordo com o momento do mercado e a necessidade de cada operação. Foto: Isla Gomes/O Diário

Estratégias adotadas
Para as empresas importadoras, a estratégia adotada pode variar de acordo com o momento do mercado e a necessidade de cada operação. Silveira afirma que a Port Trade orientou parte dos clientes a antecipar compras quando identificou a possibilidade de forte alta dos fretes. “O que precisa ser feito, em primeiro ponto, é um pensamento estratégico dentro da cadeia logística. Nós percebemos que o mercado ia sofrer um crescimento exorbitante do frete e pedimos que os clientes que tivessem recursos antecipassem suas compras.”
De acordo com o CEO, a estratégia contribuiu para um aumento expressivo dos embarques da empresa nos meses de junho e julho, quando os valores dos fretes ainda estavam em patamares mais baixos. Para clientes que não tinham necessidade imediata de receber as mercadorias, a recomendação posteriormente passou a considerar a possibilidade de aguardar uma eventual redução dos preços. O cenário permanece sujeito à evolução do conflito e às condições do mercado internacional de petróleo e transporte marítimo. O Brent, referência para parte do mercado global, voltou a ficar abaixo de US$ 100 por barril diante de sinais relacionados à possível reabertura de rotas de exportação e à redução das tensões.

Análise fria
Na avaliação de Silveira, acompanhar apenas o valor do frete não é suficiente para tomar decisões no comércio exterior. É necessário considerar fatores como combustível, tempo de trânsito, condições climáticas, disponibilidade portuária e o momento adequado para realizar cada operação. “O comércio exterior não é apenas colocar a carga no contêiner em um ponto e recebê-la no outro. Ela precisa ser analisada friamente, entendendo o que se passa no mercado como um todo, desde as questões climáticas até as questões políticas, para podermos trazer para o nosso cliente um resultado melhor.”
Mesmo diante da elevação dos custos de transporte, a Port Trade afirma buscar alternativas para reduzir o impacto sobre os importadores. Entre as medidas estão soluções de armazenagem, transporte rodoviário, liberação de mercadorias e antecipação de processos. “Não é o melhor cenário, mas a Port Trade trabalha para tentar compensar o aumento do frete com soluções logísticas na cadeia de armazenagem, no transporte rodoviário, em condições especiais de armazenagem e na liberação do produto do porto. Trabalhamos ainda com antecipações, facilitando o processo para que ele se torne mais rápido e tentando, na nossa operação logística, diminuir o prejuízo que o cliente vem tendo com o frete.” Finaliza.


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