Trabalhar é uma realidade que não conseguimos evitar. Desde logo cedo, crescemos ouvindo aquela clássica pergunta: “O que você vai ser quando crescer?”. Ela envolve a beleza da imaginação infantil com a pressão por ter que decidir o futuro logo cedo. Até na Bíblia, por exemplo, vemos o apóstolo Paulo dizer que o trabalho está ligado ao direito de comer.
Ao longo da nossa vida, a gente vai construindo uma “máscara” para conviver em sociedade. Ela serve para nos ajudar a respeitar as regras dos grupos, seja do condomínio ou da igreja. E é justamente aqui que entra o foco deste texto: as máscaras que usamos no trabalho, no mundo corporativo.
Não é à toa que o trabalho é a realidade social causadora da maioria dos pedidos de afastamento por problemas de saúde mental. Com a chegada de novas regras, como a NR1, o assunto ganhou destaque. Canais de tevê, internet e podcasts debatem o tema, cobrando das empresas programas educativos e condições de trabalho mais saudáveis, ou ainda, menos tóxicos.
Para falar das máscaras, vamos beber da psicanálise, especialmente para Donald Winnicott. Mas vale lembrar: para muitos, essa “máscara” nada mais é do que educação e bom senso. É aquela simpatia básica, como dar “bom dia” e “obrigado” para aquele colega de trabalho de quem a gente não gosta muito.
Winnicott chama isso de “falso self”, ou uma defesa inconsciente que criamos desde pequenos, conforme alguns níveis, desde o saudável, que é esta nossa capacidade de viver bem em sociedade, até o patológico, que é anular-se para caber nos moldes alheios, apagando quem realmente somos.
E no mundo corporativo atual, da “Revolução 4.0”, das pessoas transformadas em simples engrenagens onde o afeto e a transparência somem, quem é mais sensível sofre ainda mais com esse peso.
Para alguns analistas, a culpa é dividida. As empresas precisam criar ambientes menos tóxicos e líderes mais humanos para que os funcionários não “quebrem” no meio do caminho. Por outro lado, cabe a cada funcionário fazer uma autoavaliação, cuidar da própria saúde e buscar atividades que ajudem no processo de restauração. Afinal, não adianta uma empresa estruturada se a própria pessoa vive em ambientes tóxicos ou tem hábitos destrutivos.
No fim das contas, a responsabilidade é de todo mundo.


