Eu li a matéria recente do Jornal O Diário de Teresópolis sobre a decisão da Secretaria de Segurança Pública de fechar dois retornos na Avenida Feliciano Sodré e, para ser honesto, eu concordo plenamente. O jornal apontou que essas são solicitações antigas e eu sou testemunha disso. Já há alguns anos eu ouço nos meus círculos de convivência sobre esta ser uma decisão muito razoável.
Algo que é nítido para qualquer observador mediano: o aumento absurdo do número de carros, motos e demais meios de deslocamento elétricos pela cidade. Além disso, o mercado de entregas trouxe para as cidades os jovens que utilizam a bicicleta para realizar seus trabalhos, associados a realidade dos motoboys e mototáxi.
Assim como muitos, eu não creio que a medida seja perfeita e que vai resolver tudo em um passe de mágica, uma crítica que deve ser feita (e já foi, inclusive nas postagens do mesmo jornal, nas redes sociais), tem a ver com o entorno dos retornos fechados, ou melhor, as vias que serão utilizadas para estas manobras. Nos primeiros meses ficaremos com a sensação de que o problema pode ter mudado somente de endereço.
Eu gostaria de trazer aqui o meu olhar sobre algo positivo e que eu prezo, particularmente: a nossa ciclofaixa. Fechar esses retornos significa dar mais fluidez e segurança para quem usa aquele espaço. Tanto os entregadores que utilizam bicicleta, mas aqui falo de forma especial obre os praticantes de caminhada e corrida. Um fluxo seguro nos retornos da avenida dá qualidade à mobilidade urbana e segurança.
A verdade é que a ciclofaixa é a nossa única opção real no centro da cidade para a prática de exercícios ao ar livre com algum movimento. Sim, nós temos a região do Alto-Soberbo, mas sabemos que a acessibilidade não é a mesma para quem não mora naquela área. Para a grande maioria das pessoas, a ciclofaixa da reta é a única solução. E a cidade precisa ser de todos, por mais que seja evidente o aumento do número de veículos.
Toda mudança traz discussões no primeiro momento, um exemplo foi a criação da via exclusiva para ônibus, que já faz parte de nosso cotidiano, sendo respeitada mesmo após o horário delimitado. O motorista já se acostumou com a delimitação. O mesmo ocorrerá com estes fechamentos.
Eu sou motorista, sou ciclista, sou corredor. A ciclofaixa faz parte da minha rotina, não somente como um observador de calçada. E por consciência cidadã entendo que pequenos sacrifícios precisam ser feitos por todos, para o bem do maior número de pessoas. Sou a favor do fechamento. Essa é a nova realidade da cidade. Com tanto carro, moto e veículo elétrico na rua, a gente vive uma época que exige não só mais paciência, mas um reforço sério na educação no trânsito. Este, inclusive, é tema de um outro artigo. Essa mudança favorece a segurança, e a nossa ciclofaixa, que é um patrimônio de Teresópolis, que precisa ser mantida e protegida para a nossa saúde e atividade física. A cidade precisa ser de todos.
