Maria Eduarda Maia
Nesta quinta-feira (10), os funcionários da Caixa Econômica Federal entraram em greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada após a categoria rejeitar uma proposta econômica apresentada durante as negociações da campanha salarial. Segundo o Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Teresópolis, as agências da Caixa, localizadas nas Avenidas Delfim Moreira e Feliciano Sodré, tiveram seus serviços paralisados.
Segundo o presidente do sindicato, Claudio Mello, o principal ponto de divergência nas negociações está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica oferecido aos empregados da instituição. De acordo com o sindicalista, a proposta apresentada pela empresa aumentaria os custos para os trabalhadores. “A proposta econômica que foi apresentada e aceita pelos demais bancos, o Banco do Brasil e os bancos privados, no caso da Caixa Econômica, seria toda consumida com aumento do plano de saúde”, explicou, em entrevista ao Diário, nesta quinta-feira (10).

Apesar do início da greve, as negociações entre trabalhadores e Caixa continuam. Uma nova rodada foi realizada ainda na manhã desta quinta-feira (10), em São Paulo, e a instituição apresentou uma nova proposta. Segundo Claudio Mello, houve alguma melhora em relação à proposta anterior, mas caberá aos trabalhadores decidir se os novos termos são suficientes para encerrar a paralisação. A assembleia está marcada para a noite desta sexta-feira (11). “Nós tivemos hoje 100% de paralisação das agências em Teresópolis. Amanhã, a greve continua até que os funcionários avaliem essa nova proposta nessa assembleia”, informou o presidente do sindicato.
Decisão será dos trabalhadores
Caso a nova proposta seja novamente rejeitada, a greve poderá continuar. Claudio, no entanto, destacou que a definição sobre os próximos passos cabe à assembleia. “Vamos estar conversando com os trabalhadores e eles que dirão quais serão as próximas etapas no caso de uma rejeição dessa última proposta apresentada pela Caixa Econômica”, afirmou. A situação coloca a categoria diante de uma decisão considerada delicada pelo sindicato. De acordo com Mello, a Caixa informou durante a negociação desta quinta-feira que a proposta apresentada seria a última antes de um eventual encaminhamento do caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Sindicato alerta para risco de perda de direitos
Além da questão econômica e do Saúde Caixa, a campanha salarial envolve a manutenção de direitos previstos nos acordos coletivos da categoria. Claudio Mello chamou atenção para uma mudança ocorrida após a reforma trabalhista, que, segundo ele, alterou a situação dos trabalhadores quando um acordo coletivo chega ao fim. A gente fica numa situação difícil desde a reforma trabalhista, que acabou com a ultratividade”, afirmou. A chamada ultratividade permitia, segundo o sindicalista, que as regras previstas em um acordo coletivo continuassem valendo até que um novo acordo fosse firmado. “Nosso acordo acabou dia 31 de agosto. Se nós não fizermos um acordo, os bancos podem retirar conquistas históricas de mais de 30 anos da categoria bancária”, disse.

Segundo Mello, a categoria possui direitos negociados ao longo de décadas que vão além do que está estabelecido na legislação trabalhista. “A nossa Convenção Coletiva de Trabalho tem 123 cláusulas. 85% dessas cláusulas são superiores à CLT. Nós temos direitos, inclusive, que nem constam na legislação”, destacou.
Negociação pode continuar mesmo após a campanha salarial
Apesar do impasse atual, o sindicato ressalta que as negociações entre trabalhadores e Caixa não necessariamente terminariam com a definição da campanha salarial. Segundo Claudio Mello, existem mesas permanentes de negociação por empresa e por banco. Essas negociações continuam durante a vigência do acordo coletivo e podem tratar de questões que não sejam resolvidas neste momento. “Essas negociações e as pendências que ficarem nessa campanha salarial poderão ser tratadas nas mesas permanentes que continuarão ocorrendo pelos próximos dois anos, que é o tempo de validade do acordo”, explicou.
Possível desacordo preocupa sindicato
O presidente do sindicato também demonstrou preocupação com a possibilidade de a negociação terminar em um dissídio coletivo no TST. Segundo ele, historicamente, decisões em dissídios coletivos tendem a considerar os direitos estabelecidos na legislação trabalhista, o que poderia colocar em risco algumas das conquistas obtidas pela categoria por meio de negociações coletivas. “Como o nosso acordo tem cláusulas superiores à CLT, a gente corre o risco de perder essas cláusulas”, afirmou. Claudio disse ainda que a Caixa informou que, caso as assembleias mantenham a rejeição da proposta, o próximo passo seria o ajuizamento do dissídio. “Então, nós temos que ter muita prudência”, ressaltou.
Como ficam os serviços para os clientes?
Com as agências da Caixa paralisadas, a principal dúvida dos clientes é quais serviços continuam disponíveis durante a greve. De acordo com o presidente do sindicato, os serviços que dependem exclusivamente do atendimento presencial dentro das agências são os mais afetados pela paralisação. Já os canais digitais da Caixa permanecem funcionando normalmente. Mello também afirmou que as unidades lotéricas continuam prestando atendimento e que a Rede de Atendimento Unificado da Caixa mencionada pelo sindicato também segue funcionando normalmente.
Aplicativos e serviços de atendimento digital da Caixa continuam disponíveis para as operações que podem ser realizadas por esses canais. A orientação, portanto, é que os clientes priorizem os meios eletrônicos e digitais sempre que o serviço desejado estiver disponível.





