Maria Eduarda Maia
O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e chama a atenção para a importância de falar sobre saúde mental e prevenção. A data também abre espaço para uma discussão que ganha força durante todo o mês, com o Setembro Amarelo, campanha que busca conscientizar a população, combater tabus e incentivar a busca por ajuda diante de situações de sofrimento emocional. A data é uma oportunidade para trazer o tema para o debate público e mostrar que falar sobre saúde mental também faz parte da prevenção. Para entender melhor a importância da prevenção, os sinais de alerta e o papel da rede de apoio, a reportagem do Diário conversou com a psicóloga Carol Duarte.
Segundo a psicóloga, apesar de a saúde mental precisa ser discutida durante todo o ano, o Setembro Amarelo funciona como um momento para ampliar o debate e levar informação para mais pessoas. “A gente fala que a saúde mental é o ano todo, né? Mas o Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização. Nesse momento, a gente pode falar mais sobre o tema, promover rodas de conversa, palestras”, destacou.
Questão multifatorial
A psicóloga explica que o suicídio não está relacionado a um único fator e pode atingir pessoas de diferentes idades e contextos. Por isso, não existe um perfil específico que determine quem pode estar em situação de risco. “Existe uma causa multifatorial e diversas pessoas de diversas idades. Desde os mais jovens até os idosos também podem fazer parte desse grupo de risco”, contou. Entre os fatores que podem estar relacionados estão transtornos, dificuldades emocionais, doenças psíquicas e momentos de intenso sofrimento. “Também pode ser por algum momento que a pessoa esteja vivendo, de muita desesperança”, completou.

Falar sobre o tema também é prevenção
Um dos objetivos do Setembro Amarelo é justamente ajudar a quebrar o tabu que ainda existe em torno do suicídio. Para a psicóloga, evitar falar sobre o assunto não faz com que o problema desapareça e ainda pode dificultar que uma pessoa em sofrimento seja identificada e receba ajuda. “As pessoas pensam que não falar sobre o suicídio, não tocar nesse assunto, não tratar isso como uma questão que está presente na nossa sociedade, pode ajudar. E, na verdade, é muito pelo contrário.”
A informação, segundo Carol, pode ajudar familiares, amigos e pessoas próximas a reconhecer situações de risco e saber como agir. “Nós precisamos falar, saber como ajudar, saber como trazer um apoio para quem precisa, saber reconhecer os riscos”, pontuou.
Sinais de alerta
Nem sempre uma pessoa em sofrimento demonstra de forma evidente o que está enfrentando. “Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento e falas relacionadas à desesperança, ao vazio e à sensação de não conseguir suportar o sofrimento”, elencou Carol Duarte. A psicóloga também chama atenção para quem, mesmo aparentando estar bem, manifesta sentimentos mais profundos. “Às vezes é aquela pessoa que está descontraída, rindo, mas traz falas de muita desesperança mesmo”, alertou.
Diante desses sinais, a orientação é se aproximar e abrir espaço para uma conversa. “Entrar em contato e falar: olha, você está pensando em alguma coisa que possa te colocar em risco? Eu tenho como ajudar?”

Escuta sem julgamento
Para quem está próximo, ouvir uma pessoa falar sobre se machucar ou tirar a própria vida pode ser assustador. Mesmo assim, a psicóloga ressalta que o assunto precisa ser acolhido e não ignorado. “Eu sei que assusta, mas é uma coisa que precisa ser falada”, ressaltou. A orientação é ouvir sem julgamentos e demonstrar disposição para ajudar. Familiares, amigos e a comunidade podem formar uma rede de apoio importante para quem está passando por um momento de sofrimento. “Precisamos que a rede esteja disposta a falar disso sem julgamento, a acolher”, destacou.
Quando procurar ajuda?
A busca por ajuda profissional pode acontecer em diferentes momentos e não é necessário esperar que o sofrimento chegue ao limite. Muitas vezes, o primeiro pedido de ajuda acontece com alguém próximo. “Normalmente a família funciona como rede. Amigos, família, comunidade. Funciona como rede.”
A psicóloga explica que a pessoa também pode compartilhar o que está vivendo com um amigo, alguém de uma comunidade religiosa ou até mesmo outro profissional de saúde, que pode ajudar no encaminhamento para atendimento especializado. “Muitas vezes as pessoas não vão direto ao profissional. Vão relatar isso para alguém próximo e aí vem um caminhamento para a terapia”, pontuou.
Para a profissional, o momento de procurar ajuda é quando a pessoa percebe que já não possui recursos para lidar sozinha com o sofrimento.
Esse sentimento pode começar de maneira aparentemente controlável e se intensificar com o tempo. Por isso, sinais como isolamento, tristeza extrema e a sensação de não conseguir mais lidar com a situação devem ser levados a sério. “Então, quando eu vejo que eu não tenho mais recursos para lidar, aquele sofrimento me isola, me causa uma tristeza extrema, nesse momento eu preciso de ajuda”, frisou.




