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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Polícia investiga violenta agressão a jovem com espectro autista em escola estadual de Teresópolis

Atingido com vários socos no rosto, adolescente vai passar por cirurgia. Família questiona tratamento dado ao caso pela direção da unidade

Está sendo investigado pela 110ª Delegacia de Polícia um caso de violenta agressão ocorrida no interior de uma tradicional unidade de ensino da rede estadual de educação em Teresópolis. A vítima, um adolescente de 17 anos, portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que necessita de acompanhamento por monitor durante o período escolar. Segundo informado por familiares, não havia tal monitoramento e o ataque ao rapaz ocorreu dentro de sala de aula, praticado por adolescente da mesma idade.

De acordo com o relato apresentado à 110ª DP, o episódio aconteceu na tarde da última quinta-feira (03), por volta das 16h40, com a família sendo comunicada pela escola de que o estudante havia sido agredido e desmaiado. “Quando chegou ao colégio, a mãe encontrou o filho com sangramentos na boca, no supercílio, na região da maçã do rosto e no queixo, além de hematomas e sinais de desorientação”, informa o depoimento da mãe. Ainda segundo o registro, o adolescente contou que havia sido empurrado por um colega e que teria revidado. Depois disso, afirmou não se lembrar do que aconteceu, recordando apenas ter despertado posteriormente na secretaria da escola, onde o outro aluno também estaria. Apuração feita por familiares indica que ele teria levado um forte soco e, mesmo caído e já desorientado, continuando sendo violentamente atacado pelo agressor.

Atendimento médico
O jovem foi levado inicialmente ao Posto de Saúde Eithel Abdalah, ao lado do Tiro de Guerra, em São Pedro. Posteriormente, o adolescente foi encaminhado ao Hospital das Clínicas Constantino Ottaviano, onde foram constatadas diversas fraturas na face. Ele segue internado no HCTCO e está prevista para esta quinta-feira (10) a cirurgia. Os familiares da vítima questionam o tratamento dado ao caso na unidade de ensino, que não teria, de imediato, acionado PMERJ e Conselho Tutelar para deter o autor e encaminha-lo para a tomada das medidas cabíveis.

PCERJ segue investigando
A Polícia Civil determinou a realização de diligências para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, incluindo a tomada de depoimentos, identificação e oitiva de testemunhas, juntada de documentos, fotografias, vídeos e registros eletrônicos, além de eventuais exames periciais. A mãe do adolescente formalizou representação criminal para que o caso seja apurado. Como envolve menores de idade, a identificação dos envolvidos é preservada, assim como da unidade de ensino.

Escola diz ter feito sua parte
Nesta quarta-feira (09), a reportagem do Diário entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), cobrando um posicionamento da pasta e da unidade de ensino de Teresópolis sobre o grave ocorrido – que dependendo da materialidade obtida pela Polícia Civil e o entendimento do judiciário, pode passar de fato análogo a lesão corporal grave para enquadramento como fato análogo a tentativa de homicídio.

“A Secretaria de Estado de Educação informa que a situação ocorrida na unidade escolar foi acompanhada pela equipe pedagógica. Os responsáveis pelos estudantes foram chamados à escola e todas as medidas necessárias estão sendo tomadas. O registro de ocorrência foi realizado e o Conselho Tutelar, acionado. Além disso, o caso foi incluído no Registro de Violência Escolar – RVE, uma ferramenta interna que mapeia tais casos para evitar que voltem a ocorrer”, informa a Seeduc, que diz ainda que “repudia toda forma de agressão, não compactua com qualquer tipo de violência e discriminação, e reforça que também desenvolve ações pedagógicas de conscientização, escuta ativa e diálogo com os alunos, trabalhando para que a cultura de paz esteja sempre presente dentro e fora dos muros das escolas”.

Conselho Tutelar também se posiciona
O Diário também ouviu o Conselho Tutelar de Teresópolis, que tem sede na sala 109 do Centro Administrativo Municipal Manoel Machado de Freitas, na Várzea. Em nota, o CT01 informa que, “diante da situação apresentada, o Conselho Tutelar realizou as orientações e os encaminhamentos cabíveis no âmbito de suas atribuições, visando à proteção integral do adolescente” e ainda que “considerando, que os fatos relatados poderiam configurar crime, foi também acionada a autoridade policial competente, para adoção das providências legais pertinentes e apuração dos fatos. Ressaltamos que o Conselho Tutelar atua na garantia dos direitos da criança e do adolescente, não sendo de sua competência realizar investigação criminal, cabendo às autoridades policiais a apuração de eventual prática criminosa”.

Teresópolis 10/09/2026
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