Marcello Medeiros
Os turistas e teresopolitanos que visitaram a principal nascente de Teresópolis neste feriado de Tiradentes encontraram o local ‘interditado’. Não fisicamente, mas sendo indicado que a água não deve ser consumida – pelo menos até nova análise da Secretaria Municipal de Saúde. A Fonte Judith, no bairro Alto, está com a placa de alerta indicando ‘água imprópria’ para consumo e, portanto, a recomendação é não a utilizar. Porém, se percebe que a grande maioria das pessoas, visitantes ou locais, ignora o aviso e continua abastecendo garrafas e galões ou apenas se refrescando ou se hidratando coma água da nascente.
O monitoramento microbiológico da água das fontes da cidade é feito por equipe do Programa Vigiágua, setor ligado à Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde. Atendendo determinação do Ministério da Saúde, o acompanhamento é periódico, a fim de garantir que a água consumida pela população atenda ao padrão e normas estabelecidas na legislação vigente.
Atenção sempre
Liberadas ou não, como a água pode sofrer variações de potabilidade, devido a alterações climáticas e do ambiente do entorno onde as fontes se localizam, os usuários são orientados a sempre ferver ou filtrar e clorar a água antes de ser consumida. Sendo assim, após filtração, devem ser adicionadas duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) para cada litro de água. Depois, espera-se 30 minutos antes de utilizar. O procedimento atende a Portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre o controle e a vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.
A história da Fonte Judith
A Fonte Judith, um dos pontos turísticos mais tradicionais de Teresópolis (RJ), tem sua origem ligada a um episódio ocorrido em 1919. Segundo registros históricos e relatos de memorialistas, o local recebeu esse nome após a suposta cura de Judith, filha do comerciante Luís de Oliveira, que se recuperou de uma grave doença ao consumir a água da nascente situada no bairro do Alto.
Impressionado com a recuperação da filha, Luís de Oliveira adquiriu a área e batizou a fonte em sua homenagem. No entanto, dificuldades financeiras levaram à venda da propriedade em 1921, sendo posteriormente incorporada por nomes como o empresário Arnaldo Guinle e, mais tarde, Joaquim Rolla. O último proprietário, João de Oliveira Filho, doou o espaço à municipalidade.
Ao longo das décadas, a Fonte Judith passou por diferentes intervenções arquitetônicas. Inicialmente rústica, a estrutura ganhou elementos artísticos, como revestimento em azulejos e um painel decorativo, instalado em 1967 durante a gestão municipal. O local também foi reformado em 1954, acompanhando o processo de valorização turística da cidade. Apesar das diversas lendas que cercam sua origem, a versão mais difundida permanece associada à história da jovem Judith.






