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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Greve dos rodoviários evidencia necessidade de investimentos no transporte coletivo

Categoria, empresa e prefeitura voltam a negociar após interrupção do serviço e fica acertada nova tarifa para custear reajuste salarial

Isla Gomes

O cidadão teresopolitano que depende de ônibus para se deslocar teve uma infeliz surpresa na manhã da terça-feira (12) com o início da greve dos rodoviários, com inicio 00h. A paralisação atingiu todas as linhas da cidade e do interior, anunciou o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Cargas e Passageiros de Teresópolis e Guapimirim, que representa a categoria. Segundo eles não houve pagamento dos reajustes salariais que estavam previstos para os últimos dois meses. Além disso, o valor da cesta básica também foi considerado defasado. Após 16 horas de muitos transtornos, no final da tarde da terça (12), às 16h30, as viações Dedo de Deus e 1º de Março informaram que chegaram a um acordo salarial com o sindicato, encerrando assim a paralisação da categoria.

Em entrevista ao Diário, no inicio da greve, o presidente do STRCP falou sobre a situação. “Nós estávamos tentando desde janeiro uma negociação, nisso já foram seis tentativas de negociação. Então a categoria ava extremamente estressada, já não estavam mais aguentando essa situação, então demos um basta. Nós fizemos uma assembleia que contou com quase 150 pessoas e essas pessoas afirmaram que o Sindicato tinha que tomar uma decisão e agir imediatamente”, conta José Maria Motta.
Motta ressaltou ainda que a intenção jamais foi de prejudicar a população e que em casos como esse seria de extrema importância o apoio do Governo Público. “Nós resolvemos parar até que se resolvesse a situação do rodoviário. O prefeito Vinicius Claussen me ligou de Brasília e disse que nós poderíamos tentar negociar mais, mas eu falei ‘negociar mais do que já tentamos? Estamos perdidos, a bomba só cai para o nosso lado’. O prefeito como poder concedente podia ajudar mediando para a gente, de maneira que ficasse justo para todos, sem prejudicar a classe e muito menos a população que necessita do transporte. Eu acho que a prefeitura tinha maneira de resolver essa situação sem prejudicar ninguém, desde já eu peço desculpas para os cidadãos, pois, nunca foi nosso objetivo causar transtornos, mas, o trabalhador precisa respeito e justiça”, esclareceu o presidente.

“Importante salientar que o direito de greve é constitucional e garantido a todos os empregados do Brasil. Ou seja, para reivindicar melhorias no trabalho é permitido estado de greve”, esclarece o advogado do Sindicato dos Rodoviários.

Greve é legal
Roberto Monteverde, advogado do Sindicato dos Rodoviários, explicou que a paralisação foi a única maneira de se conseguir as melhorias para a categoria e que todas as partes envolvidas foram avisadas do movimento, além de destacar que 30% do serviço deve ter sido mantido. “Importante salientar que o direito de greve é constitucional e garantido a todos os empregados do Brasil. Ou seja, para reivindicar melhorias no trabalho é permitido estado de greve. Um dos requisitos é fazer a notificação com 72 horas de antecedência dos entes públicos, prefeitura, corpo de bombeiros, delegacia, a população e especial a empresa, como todas as empresas do grupo Dedo de Deus foram devidamente notificadas. Fizemos a assembleia, que é o órgão soberano do sindicato, então tendo a aprovação do estado de greve, foi impetrada a greve em busca de melhoria das condições de trabalho”, destaca.

Já na garagem das empresas 1º de Março e Dedo de Deus, praticamente todos os coletivos estacionados nesta terça. Foto: Marcello Medeiros/Diário

Nota inicial
Na primeira nota, a Viação Dedo de Deus e Viação 1º de Março lamentaram a greve, esclarecendo que não era possível atender os pedidos feitos pelo sindicato dos rodoviários diante da falta de recursos financeiros. As empresas ressaltaram que estavam recorrendo a empréstimos para arcar com seus compromissos diante dos colaboradores, já que a tarifa de ônibus na cidade de Teresópolis encontrava-se defasada e insuficiente para cobrir todos os custos de operação do sistema devido ao alto número de viagens gratuitas sem repasses públicos. As empresas destacaram ainda que o percentual de gratuidades no município chegaria a 43% dos embarques.

“Essa greve atrapalhou toda a minha rotina, pois, eu não sabia que estava com essa paralisação. Eu estou aqui na rodoviária sem saber como que eu vou para casa. Eu moro na Vila do Pião, é quase uma hora para chegar até lá”, contou a doméstica Sely Carneiro. Foto: Isla Gomes/O Diário

Depoimentos
Diante dessa situação conturbada, muitos cidadãos não conseguiram sair para trabalhar ou saíram e não estavam conseguindo voltar. “Essa greve atrapalhou toda a minha rotina, pois, eu não sabia que estava com essa paralisação. Eu estou aqui na rodoviária sem saber como que eu vou para casa. Eu moro na Vila do Pião, é quase uma hora para chegar até lá, Não faço ideia de quando volta ao normal, então fiquei aqui esperando por várias horas e agora estou tentando conseguir uma carona com familiares”, conta dona Sely Carneiro, doméstica. A dona de casa Sildete de Jesus conta que saiu de casa por ter médico marcado, mas, foi surpreendida ao não ter como retornar. “Cheguei por aqui seis horas da manhã, pois, tinha médico marcado. Eu não sabia dessa greve, agora não sei nem que horas que eu vou conseguir chegar em casa. Eu moro em Santa Rita e a única coisa que posso fazer é ficar aqui aguardando alguma mudança, pois, eu não tenho dinheiro para pagar um Uber ou táxi”, relatou a teresopolitana.

“Cheguei por aqui seis horas da manhã, pois, tinha médico marcado. Eu não sabia dessa greve, agora não sei nem que horas que eu vou conseguir chegar em casa”, relatou a teresopolitana Sildete de Jesus. Foto: Isla Gomes/O Diário

O que disse a PMT
Mesmo com aviso de greve e matérias na imprensa local onde o Sindicato dos Rodoviários avisou a possibilidade de greve por diversas vezes, a Prefeitura divulgou que foi “surpreendida nesta manhã, dia 12, com a paralisação dos rodoviários, decidida no final da noite de ontem pela categoria e iniciada já nesta madrugada”. A nota também informava que “assim que o prefeito Vinicius Claussen tomou conhecimento da greve, determinou que a Procuradoria Geral do município buscasse alternativas junto à empresa para encerrar a greve. Ainda segundo a nota, “A atual gestão vem buscando alternativas e novas fontes de financiamento do transporte público, que enfrenta uma grave crise na maioria dos municípios.

Depois de um longo dia de incerteza e preocupação, no final da tarde desta terça (12) as viações Dedo de Deus e 1º de Março informaram que chegaram a um acordo salarial com o STRCP, encerrando assim a paralisação da categoria.

Paralisação encerrada

Depois de um longo dia de incerteza e preocupação, no final da tarde desta terça (12) as viações Dedo de Deus e 1º de Março informaram que chegaram a um acordo salarial com o Sindicato, encerrando assim a paralisação da categoria. Os ônibus retomaram a operação gradativamente ainda nesta terça (12) atendendo à população. A conciliação para o fim do movimento foi possível após um acordo estabelecido dentro de um processo judicial entre as viações e a Prefeitura Municipal para atualização da tarifa de ônibus na cidade, já que o sistema de transporte coletivo do município possui um elevado número de gratuidades, dificultando a manutenção do preço atual diante do aumento dos insumos que incidem sobre a prestação do serviço e a necessidade de manter o equilíbrio financeiro do sistema. Dessa forma, respeitando o acordo judicial firmado e o art. 135 da Lei Orgânica do Município de Teresópolis, a partir das 0h do próximo domingo, dia 17 de março, a tarifa de ônibus na cidade será reajustada para R$ 5,30.
Ainda neste âmbito, em mensagem encaminhada ao Diário após a resolução da greve, o presidente do STRCP, informou que essa foi uma vitória da categoria. “Uma grande vitória, com o aumento de 7% no salário, R$ 400,00 de cesta básica. Vale salientar que em julho pretendemos sentar para negociar a cesta básica novamente com a empresa”, conclui José Maria Motta. De acordo com a VDDL também serão pagos duas parcelas de abono de R$ 100 em abril e maio. “Em julho sentaremos para negociar a cesta básica novamente com a empresa”, explicou Motta.

  • Atualizado no dia 14/03/2024 para correção da informação do abono.
Na parte da manhã, quem procurou o terminal rodoviário encontrou o espaço vazio. Foto: Marcello Medeiros/Diário

Edição 12/04/2024
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