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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Lei Maria da Penha completa 20 anos como referência no combate à violência doméstica

Especialista de Teresópolis destaca avanços da legislação, ampliação das medidas protetivas e fortalecimento da rede de apoio às vítimas de violência de gênero no Brasil

Luiz Bandeira

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) transformou o enfrentamento à violência doméstica e familiar no Brasil ao estabelecer mecanismos mais rigorosos de proteção às vítimas e punição aos agressores. A legislação ampliou o entendimento sobre os diferentes tipos de violência, que passaram a incluir não apenas agressões físicas, mas também abusos psicológicos, morais, sexuais e patrimoniais, além de fortalecer medidas protetivas e instrumentos de acolhimento às vítimas.

Quase duas décadas após sua criação, a lei segue como uma das principais ferramentas de combate à violência de gênero no país, diante de uma realidade ainda alarmante que afeta milhares de mulheres brasileiras.
Para analisar a importância da legislação sob a ótica do direito, a reportagem do Diário conversou com o advogado Francisco Moraes, do escritório Monteverde e Miller Advogados Associados. Especialista em direito civil, penal e processo penal, ele destacou os avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha e a ampliação da rede de proteção às vítimas de violência doméstica. Veja a seguir a entrevista do Dr. Francisco Moraes, que sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha

O Diário: Em agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Qual a importância dessa legislação?
Francisco Moraes
: A Lei Maria da Penha é uma das legislações mais importantes do cenário criminal brasileiro. A violência contra a mulher sempre existiu, mas a grande importância da lei foi trazer para a sociedade a compreensão de que não existe relação de posse dentro do casamento ou da convivência familiar. O relacionamento precisa ser harmonioso e respeitoso. A lei trouxe luz para um problema muito sério, que é a violência dentro do lar.

Antes da lei, a mulher já possuía proteção jurídica, mas a sociedade ainda não tinha essa consciência tão clara sobre a gravidade da violência doméstica e sobre os direitos da mulher. E é interessante observar que, ao longo desses 20 anos, a Lei Maria da Penha já passou por diversas alterações, mostrando que ela vem sendo aperfeiçoada constantemente.

Maria da Penha Maia Fernades tinha 38 anos quando recebeu um tiro de seu então marido, no episódio ela perdeu o movimento das pernas. Pouco tempo depois, quase foi eletrocutada pelo mesmo agressor durante um banho. Inconformada Maria da Penha deu início a uma batalha jurídica que duraria quase 20 anos. Ela empenhou-se na luta para aumentar o rigor da lei brasileira em relação aos casos de violência doméstica. Sua vitória aconteceu em 2006, quando foi sancionada a lei com o seu nome e que hoje ajuda a proteger milhares de mulheres em todo o país. Foto: Agência Brasil

O Diário: E hoje ela vai muito além da relação entre marido e mulher, não é?
Francisco Moraes
: Exatamente. Hoje a Lei Maria da Penha possui uma abrangência muito maior. Ela não protege apenas a mulher em relações conjugais. A legislação passou a alcançar qualquer relação abusiva envolvendo violência de gênero no ambiente familiar ou afetivo.

Inclusive, há entendimentos que permitem sua aplicação em relações de namoro, noivado e outras formas de vínculo afetivo, mesmo sem convivência sob o mesmo teto. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou esse entendimento.

O Diário: O jornalismo policial acompanha diariamente casos de violência doméstica. A sensação é de que esse tipo de crime aumentou.
Francisco Moraes:
A legislação vem justamente sendo aperfeiçoada para combater essa realidade. E a grande vantagem da Lei Maria da Penha é que ela não é apenas punitiva. Ela criou uma verdadeira rede de proteção à vítima.

Quando uma mulher procura a delegacia para denunciar uma violência, ela não recebe apenas uma medida de afastamento do agressor. Existem casas de acolhimento, acompanhamento psicológico, assistência social e uma série de políticas públicas voltadas para a proteção da vítima.
Hoje, em Teresópolis, há um trabalho conjunto entre Judiciário, delegacia, OAB e poder público que garante um amparo muito importante às vítimas.

Durante entrevista ao Diário, o advogado ressaltou a ampliação das medidas protetivas e da rede de acolhimento às vítimas de violência. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

O Diário: As medidas protetivas também foram ampliadas nos últimos anos.
Francisco Moraes:
Sim. Hoje existem mecanismos mais modernos de fiscalização, como o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento do agressor em determinados casos. Além disso, a resposta do Judiciário precisa ser rápida. Em até 24 horas, medidas protetivas podem ser analisadas.

A lei evoluiu muito. Em cidades onde antes não havia estrutura, hoje já existem casas de acolhimento e políticas específicas para atender mulheres em situação de violência.

O Diário: Então a Lei Maria da Penha não garante o fim da violência, mas garante proteção à vítima.
Francisco Moraes:
Exatamente. Ela oferece instrumentos de proteção muito importantes. E outro ponto fundamental é que a sociedade passou a entender que a violência não é apenas física. Existem também violências moral, psicológica, sexual e patrimonial.

Hoje, o grande desafio é mostrar que a Lei Maria da Penha é muito maior do que uma legislação voltada apenas à relação entre marido e mulher. Ela protege vítimas de violência de gênero em diferentes contextos familiares e afetivos.

O Diário: Para encerrar, qual a orientação para mulheres que estejam sofrendo algum tipo de violência?
Francisco Moraes
: É fundamental procurar ajuda imediatamente. A delegacia possui atendimento especializado, feito por profissionais preparados, inclusive mulheres policiais. Existe acompanhamento psicológico e toda uma rede de apoio.

Nenhuma mulher deve permanecer em situação de violência por medo, dependência financeira ou falta de apoio familiar. Hoje existe uma rede de proteção social e institucional preparada para acolher e proteger essas vítimas.


Teresópolis 07/07/2026
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