O Setor de Estatísticas do Detran.RJ acaba de atualizar o levantamento sobre multas de trânsito aplicadas em todo o estado do Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2026, indicando que Teresópolis continua sendo o município da Região Serrana com o maior número de infrações de trânsito identificadas. Entre janeiro e junho deste ano, a Guarda Civil Municipal emitiu 23.083 notificações. Em Nova Friburgo foram 17.960, em Petrópolis 16.883 e na cidade de Guapimirim, apenas 885. Recentemente, O Diário ouviu a GCM sobre a questão, sendo alertado que o aumento no efetivo, a utilização de meios eletrônicos e a persistência de motoristas em desrespeitarem o que o prevê o CTB tem contribuído para esse número. A grande maioria envolve estacionamento irregular. Porém, vale frisar outro número que impressiona: dessas 23.083 multas, aproximadamente seis mil são referentes ao não pagamento do estacionamento rotativo em vias públicas, atualmente administrado pela empresa DigiPare – que chegou ao município no governo Vinicius Claussen, quatro anos atrás, e desde então vem sendo mantida na cobrança aos motoristas.

A multa por não pagar o estacionamento rotativo regulamentado é de R$ 195,23. Trata-se de uma infração de trânsito grave, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, que também adiciona cinco pontos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Nas últimas semanas, O Diário tem recebido demandas de usuários do serviço em Teresópolis questionando a dificuldade para pagar o que é cobrado, R$ 1,50 a cada 30 minutos. Nem sempre o ‘papelzinho’ informando que o motorista foi notificado está no para-brisas do veículo, faltam pessoas para ajudar na regularização e já há totens com defeito.

Em nota encaminhada à reportagem nesta sexta-feira (10), a secretaria municipal de Segurança, Mobilidade Urbana e Ordem Pública, responsável pela gerência da GCM, informou que “em relação às multas aplicadas pelo estacionamento rotativo, aproximadamente, um quarto das autuações registradas em 2026 refere-se à falta de pagamento da tarifa” e que “esse percentual está dentro do padrão observado em diversos municípios que adotam sistemas semelhantes de estacionamento rotativo”. A Prefeitura também ressalta que melhorias foram determinadas à empresa responsável pelo DigiPare, especialmente, a implantação da consulta de débitos diretamente no aplicativo, “justamente com o objetivo de facilitar a regularização pelos usuários e reduzir esse tipo de ocorrência”.

Outros números
Os dados do Detran.RJ indicam que, em 2026, o mês com maior número de infrações foi maio, com 5.688 multas aplicadas. Em um comparativo com os últimos cinco anos, se percebe uma escalada no número de multas aplicadas: em 2022, foram 3.290; em 2023, 3.460; em 2024, 4.748; em 2025, 12.363; em 2026, 23.083. Os números são referentes ao primeiro semestre de cada ano. O Setor Estatístico também destaca o grande crescimento da frota municipal na última década: em junho de 2016, eram 93.048 veículos emplacados em Teresópolis. Atualmente, são 124.467.

“Não há indústria de multa”, diz a GCM
Em meados do mês passado, O Diário ouviu o Chefe da Guarda Civil Municipal, Gil Wellington, que negou a existência da chamada ‘indústria de multas’ e cobrou a responsabilidade de cada condutor: “É um tema polêmico, mas precisa ser falado. Algumas pessoas gostam de falar que há uma suposta indústria de multas, mas, se o motorista não cometer nenhuma infração de trânsito, não vai participar de indústria nenhuma. É só não deixar o carro em local irregular, não usar o telefone celular enquanto dirige, entre outras situações, que não será multado. O agente da Guarda Municipal só cumpre o que está previsto na legislação de trânsito e, infelizmente, muita gente segue desrespeitando essas regras”, pontuou.










